Ailton Villanova

31 de dezembro de 2016

O falso Raul Seixas

      Fisicamente, ele ainda hoje lembra o Rivelino, famoso astro da seleção brasileira de tempos passados, atualmente comentarista de futebol numa emissora de rádio de São Paulo. Estou falando do psicólogo Edenilton Vitoriano de Araújo, aposentado do Departamento de Estradas de Rodagem de Alagoas. Mas ele só queria ser o Raul Seixas, de quem ainda hoje é fã incondicional. Tanto que deixou crescer o cabelo e a barba e desgrenhou o cabelo, para ficar mais parecido com o seu finado ídolo. O que Edenilton tem de baixinho, tem de danado.

      A época em que ocorreu o fato que vai abaixo contado, Edenilton ocupava o honroso posto de coordenador da seleção de pessoal, ou coisa que o valha, do DER. De modo que ele sempre estava sempre muito atarefado. Vai daí, caiu na besteira de requisitar a esposa, dona Nair, também servidora do DER, para assessorá-lo.

       Belo dia, o engenheiro Aurélio de Moraes Duarte, de saudosa memória, então diretor do DER, inventou de querer contratar umas cocotas para trabalhar como recepcionistas do órgão. Advinha a quem foi dada a incumbência de selecioná-las. Advinhou? Pois foi mesmo à ele, o baixinho Edenilton.

        Chegou o dia da seleção. Formou-se, então, uma longa fila de garotas – cada uma mais bonita e gostosa que a outra -, diante do gabinete do distinto. Ao seu lado, muito atenta, dona Nair só reparava nas garotas. Aí, aproximou-se a primeira candidata ao emprego.

         – Seu nomezinho, por favor… – derreteu-se Edenilton.

         – Teresa Cristina. – respondeu a cocotinha.

         – Sua idadezinha, minha linda? – prosseguiu ele, se lambendo todo.

         – Dezenove…

         De suspiro em suspiro, Edenilton terminou a entrevista com a jovem e chamou a segunda candidata. Foi esta ingressar na sala e bater o olho no cara, abriu os braços e sapecou:

          – Rauuulll! Oh, Raulzito! Onde você andava, meu amor?

          Pronto! O tempo fechou. Nesse dia, por motivos óbvios, Edenilton não teve como prosseguir entrevistando as beldades. Teve de ser substituído por uma colega de trabalho, que concluiu a tarefa.

          E ainda hoje, decorridos mais de 40 anos desse episódio, ele tenta convencer dona Nair que a garota o confudira com o finado Raul Seixas. Mas, quem o conhece de perto, como o delegado Carlos Reis, seu amigo do peito, sabe muito bem que ele adorava mudar de nome nas suas mijadas fora do caco.

 

Poeira antiga

      Patroa exigentíssima, a professora Patrícia de Freitas aproveitou as férias e a utilizou, todinha, numa viajando pelo estrangeiro, deixando a casa aos cuidados de uma nova empregada, a mulata Maria José, a quem não conhecia muito bem. Assim que entrou em casa, na volta da viagem, foi logo chamando a criada a atenção:

       – Mas que relaxada é você, Zezé! Olhe só como estes móveis estão cheios de poeira! Deve ter pelo menos dois meses!

      E Zezé, impassível:

      – Então, tá visto que a culpa não é minha!

      – Como a culpa não é sua?

      – É que, segundo a empregada que me antecedeu, essa poeira está aqui uma semana antes de eu chegar, tá legal?

 

Dura de roer

      O velhusco Djuntino Coriolânio, guarda-livros (contabilista) aposentado, jamais perdeu o título de mulherengo contumaz. Viúvo quatro meses, ele estava sempre correndo atrás de um rabo-de-saia. Mas só queria cocotinha. Seu afilhado, o saudoso radialista Jorge Vilar vivia gozando da sua cara. Um dia, seu Tino exagerou: arrumou uma namorada de 16 anos.

       – O senhor não se enxerga, padrinho? Oitenta e nove anos de idade…!  – censurou o Vilar. – Cuidado!

       – Cuidado por quê? Qual é o problema?

       – O problema é o senhor ter que responder a um processo por pedofilia. O senhor devia procurar uma mulher madura!

       – Tá maluco, Jorge? Mulher é que nem galinha: quanto mais velha, mais dura de roer!

 

Só um cafezinho?

      Depois de examinar o paciente em estado terminal, o médico Nilton Jorge Melo foi sincero com o sobredito:

     – Olha, seu Optato tenho uma notícia pra lhe dar, mas não é um boa notícia, não… É uma notícia triste!

     – Pode falar, doutor. Tô preparado pra recebe-la.

     Doutor Nilton sapecou:

     – Pelo que observei e segundo os meus cálculos, o senhor tem apenas 5 minutos de vida!

     – Cinco minutos?! – paciente desesperou-se. – E o senhor não pode fazer nada?

     – Em cinco minutos? Bem, se o senhor quiser, posso mandar lhe servir um cafezinho bem quente!

 

 

Eita diacho! Era receita!

 

      Bom patrão, o fazendeiro Viriato Ferreira foi procurado por um dos seus peões:

      – Seu Viriato, vô m’imbora pra capitá, tentá a vida pur lá, qui é mais milhó. O sinhô me arruma uma carta de apresentação?

      – Arrumo. Espere um minutinho só.

      Ocorre que, apesar da aparência de letrado, Viriato Ferreira era analfabeto e não queria que ninguém soubesse disso. Então, ele foi lá dentro, pegou uma folha, caneta e um livro, de onde copiou algumas letras e sinais. Acabou, garatujou uma assinatura.

        Mesmo bastante agradecido, o peão, que também era analfabeto, queria saber o que o patrão havia escrito e levou a cara para um amigo ler.

         – Tá danado! Letra assim só o farmacêutico pode decifrar!

         O peão foi à farmácia e entregou o papel ao farmacêutico. Este reparou no que estava garatujado, pegou um remédio na prateleira, entregou pro cara e recomendou:

         – Tome uma colher desse xarope de hora em hora e evite friagem!