Ailton Villanova

30 de dezembro de 2016

O atleta incompreendido… e perseguido!

  Bem dizer ele nasceu com a pelota no pé, tal a intimidade que mantinha com a referida. Ednaldo Felisberto, o Meropéia, foi um craque incompreendido. Melhor dizendo: injustiçado. Hoje poderia estar brilhando na seleção brasileira, mas um tal de Levir Culpi, técnico medíocre de futebol, não permitiu.

       Contam que, quando era menino, Meropéia fazia furor nos campinhos de pelada da Vila Saem, no bairro Bebedouro, onde nasceu e onde ainda vive. Nessa época era chamado de Garrincha, honrosa referência ao maior jogador de futebol de todos os tempos. Então, surgiu esse Levir na sua vida, que não compreendeu (ou não quis compreender) a sua genialidade.

       Meropéia saiu do Bebedouro e foi parar no Mutange, reduto do CSA, por indicação de um dos seus dirigentes. Assim que pisou no gramado do azulão, já foi mostrando sua competência no bate-bola. Integrando a equipe de suplentes, ele arrasou no treino. Toda vez que pegava na pelota a defesa contrária ficava apavorada. E tome drible! E tome gol! Nesse dia, o estreante fez 16 gols. “Eu podia ter feito mais, mas estava um pouco acanhado”. O treinador de então, o gordinho Laerte Dória, endoidou:

        – Contratem esse menino, imediatamente!

        Contrataram. No primeiro compromisso oficial do “azulão da lagoa”, olha o cara barbarizando! O CSA jogava no Arrudão, contra o Sporte Clube do Recife, na ocasião comandando pelo já citado Levir Culpi. Nessa partida houve um lance que Ednaldo Meropéia, muito brincalhão, humilhou a equipe adversária: dominou a pelota na sua área e disparou pro campo adversário. Driblou o primeiro, driblou o segundo, o terceiro… enfim, o time todo, inclusive o goleiro, o banco de reservas e, achando pouco, deu um “banho de cúia” no técnico, que ficou de bunda no chão. O árbitro o expulsou de campo, por “indisciplina, desacato e humilhação ao adversário”. Levir Culpi não o perdoou por isso, e, mais porque, depois dessa partida, ele foi demitido do clube pernambucano.

          Mas, como o destino arma presepadas que nem o diabo desconfia, eis que, dias mais tarde, Levir foi contratado pelo CSA. Que ironia! Uma das primeiras medidas que o novo e vingativo técnico adotou, foi a de recomendar Meropéia à aposentadoria, depois de ter provocado seriíssimas fraturas nos mocotós do atleta, num treinamento despropositado e cruel, que se resumiu no seguinte: 250 chutes numa parede de tijolos, a pretexto de “fortalecer os músculos dos pés”. Os pés do infeliz Meropéia ficaram escangalhados até hoje.

          E o técnico Levir jamais foi punido por isso! Recentemente, ele levou o Fluminense do Rio de Janeiro à desgraça e ainda tentou acabar com a carreIra do atacante Fred. 

 

Mas que boca!

      O viçosense Severiano Batista invocou-se com a sua banguelice de muitos anos e resolveu que mandaria dar um jeito nela. De modo que procurou o dentista Edmilson Agra, por sinal meu saudoso cunhado:

      – Dotô Dimirso, eu quero qui o sinhô me faça uma chapa!

      Agra chamou o seu protético e recomendou que ele caprichasse na peça do conterrâneo. Uma semana depois de pronta e entregue ao paciente, eis que ele retornou ao consultório do odontólogo:

       – Dotô, essa chapa  um selve! Tá munto grande!

       E doutor Edmilson Agra:

       – Impressão sua, seu Severino. É que o senhor não está acostumado com a prótese. Com o tempo sua boca se adaptará a esse corpo estranho e o senhor não vai mais achar que ela está grande. A chapa foi feita sob medida!

       – Mas dotô, eu num tô falando qui a chapa tá grande pra boca. Ela tá grande demais é pro copo!

 

Cadê a polícia?!

      Excelente caráter, humildade fora do comum e jornalista esportivo competentíssimo, o colega Valmari Vilela é também delegado de polícia civil, aposentado. Ele não queria ser delegado, mas teve de sê-lo, na marra, porque o estatuto de então da Policia Civil de Alagoas, lhe permitia o privilégio, considerando que, além de escrivão, era bacharel em Direito.

        Meu colega de corporação, Vilela foi policial civil sem jamais chegar perto de uma arma, porque jamais gostou de ter uma por perto. Aposentou-se com mérito depois de cumprir integralmente o seu tempo de serviço na corporação, onde só deixou amigos e admiradores, entre os quais me incluo.

         Certa feita, quando ainda estava na ativa, doutor Valmari Vilela – que apesar de possuir dois automóveis, jamais aprendeu a dirigir -, deslocou-se a bordo de um ônibus, desde o bairro do Poço, onde morava, para chegar ao trabalho, no centro da cidade. Ao seu lado, sentou-se uma madame com ar muito distinto. De repente, ela começou a reclamar, porque estava se sentindo admoestada por um indivíduo que insistia em esfregar sua parte íntima no ombro dela.

          – Mas que falta de respeito, meu Deus! Esse safado não para de me incomodar!

          Não demorou muito a madame se virou para o doutor Valmari, que lia o seu jornal, na paz de Deus:

          – O senhor está vendo a pouca vergonha desse sujeito?

          – Humm… Humm – resmungou ele, disfarçando.

          – Pena que não tenha aqui um policial, para prender esse tarado!

          Aí, Vilela abriu a boca:

           – A senhora tem toda razão! Me dê uma licençazinha, que eu vou ver se acho algum policial por aí…

           Desceu no ponto mais próximo e sumiu na primeira esquina.

 

Roube o vizinho!

      Valmari Vilela nunca foi de briga, dada a sua índole extremamente pacífica. Certa ocasião, encarou uma situação vexatória e teve uma reação bizarra. O leitor vai pensar que é piada, mas não é.

      Doutor Valmari Vilela tinha acabado de entrar em casa e aí flagrou uma ladra, muito na dela, afanando alguns de seus pertences. Susto de ambos os lados. Então, ele partiu firme  para a meliante, pegou-a pelo braço, puxou-a para fora e mandou ver uma bronca em regra:

       – Tentando furtar, logo a casa de uma autoridade policial! Que ousadia é essa?

       A infeliz abriu o bocão no mundo:

       – Pelamordedeus, me desculpe, seu Zé! Me desculpe, viu? 

       E Valmari:

       – Desculpo coisa nenhuma! Quer furtar? Pois você vai furtar, agora!

       E empurrou a ladra para a casa do vizinho!

 

Apenas uma doença

      Profissional sério e meticulosíssimo, o médico Nilton Jorge Melo recebeu, um dia, um paciente chato pra cacete: o José Norberto de Góes. Passou mais de duas horas examinando o cara. Acabou, debruçou-se na mesa e ficou assuntando.  Passados uns cinco minutos, mais ou menos, ele falou:

       – Olha, Norberto, não estou gostando nadinha dessa sua doença!     

       E ele:

       – Sinto muito, doutor. Eu só tenho esta!