Ailton Villanova

17 de dezembro de 2016

MATOU O “PASSARINHO” E QUEBROU OS OVOS!

      Eles eram gêmeos. Apesar de fisicamente idênticos, possuíam gênios e comportamentos díspares. Elielson era mais contido e estudioso. Elinelson era paquerador, cínico e preferia viver a vida no campo e ocupando um bom espaço na fazenda dos pais, seu Elias e dona Eliete.

      Elielson era universitário de engenharia. Só baixava na fazenda, localizada no Agreste, nos finais de semana. Aí, montava num cavalo e ia vadiar pela padraria. Numa dessas voltas, encontrou o irmão caído no pasto, com as mãos entre as pernas, gemendo de dor. Junto dele, uma cabocla bonita, boazuda, de seios rijos, ameaçando saltarem pelo decote do vestido. Filha de um casal de moradores da fazenda, ela era pra lá de sensual.

       – Que diabo aconteceu com meu irmão, moça? – perguntou Elielson preocupado.

      Ingenuazinha, a mocinha contou:

       – Eu tava tomando banho ali no açude e vi esse rapaz escondido por detrás do pé de pau. Ele tava com aquela coisa na mão e então perguntei o que era aquilo. Ele respondeu que era um passarinho!

      – Um passarinho, hein?! Tô entendendo! E depois?

      – Depois ele pediu pra eu brincar com o passarinho. Como eu adoro criação, peguei o bichinho e fiquei alisando a cabecinha dele…

      – Já estou imaginando no que deu.

      – Ah, seu moço, o diabinho é bem malcriado! Sabe o que ele fez?  Cuspiu na minha cara!

      – E depois?

      – Apliquei-lhe uma lição!

      – Que lição?

      – Torci-lhe o pescoço e quebrei os ovos que estavam no ninho!

 

Grande ideia!

     Houve um tempo em que determinado município do Sertão de Alagoas vivenciou um problema muito chato e preocupante: a carência de vagas no cemitério público, tal como ocorre hoje em dia em Maceió. Aí, a cachola do inteligente prefeito José Florisvaldo, o proverbial Zé Flor pariu uma ideia sensacional, com vistas a resolução do problema. A ideia concebida pelo folclórico alcáide foi a seguinte: a fixação de um aviso no portão do campo santo, com os seguintes dizeres:

       “Aqui só é permitido enterrar defunto residente neste município”.

 

Com a mesma moeda!

      Ganhador da loteria, o sortudo Valclísio Lindoso tratou logo de comprar um apartamento no vigésimo andar de um edifício bacana, situado na área mais nobre da cidade. Estabeleceu-se no imóvel e, muito ancho, se debruçou na janela para apreciar o panorama lá em baixo e em redor. Aí, reparou num camarada acenando desesperadamente, lá embaixo na calçada. Decidiu descer para ver o que o sujeito estava pretendendo, mas o fez a pé, porque o elevador se achava em manutenção. Quando chegou à rua, com a língua na cintura, o sujeito que estava acenando correu pra ele e perguntou:

      – Tem uma roupinha velha pra me arrumar?

      – Venha comigo! – Valclísio convidou o mendigo a subir.

      Os dois subiram os vinte andares sem parar para descansar, no maior pique. Chegaram à porta do apartamento do Valclísio, ele virou-se pro cara e disse, muito puto:

      – Tenho não!

 

Dos dois, o pior!

      Grande pai, o Brignaldo Carvalho. Todas as noites ele comparecia ao quarto do caçula Juninho, para lhe dar um beijo de boa noite. Numa dessas ocasiões, reparou que o filho adorado estava tendo um pesadelo. Com muito cuidado, acordou o pequeno:

       – O que foi que houve, meu filho?

       E o garoto, com a vozinha trêmula:

       – Tô com medo, painho! Sonhei com a tia Alberta morta!

       O pai garantiu que Alberta estava muito bem de saúde e botou o menino para dormir, novamente. Dia seguinte, olha a tia Alberta batendo as botas!

       Uma semana depois, ao cumprir o ritual de sempre, Brignaldo viu o      garoto tendo novo pesadelo. Acordou-o de novo:

        – O que aconteceu dessa vez, Juninho?

        E ele, com os olhos marejados de lágrimas:

        – O vovô! Eu sonhei que ele morreu!

        – Filho, o vovô está dormindo!

        Não estava. O velho havia esticado as canelas naquela mesma noite, enquanto dormia.

         Mais uma semana, mais um pesadelo do Juninho. Esse deixou o fedelho descontrolado:

          – O meu pai vai morrer! O meu pai vai morrer! Ouvi uma voz dizendo que o meu pai vai morrrer! Buáááá…

          – Ô meu filho, e você vai dar ouvidos a uma voz anônima? Olhe pra mim e veja como eu estou bem!

          Mas Brignaldo não ficou sossegado. No outro dia foi trabalhar preocupadíssimo. Dirigiu o carro puxando 10 quilômetros, para evitar um desastre e entrou no escritório com o pé direito. Passou o dia inteirinho trancado na sala de trabalho, sem falar com ninguém.

           À noite, ao voltar pra casa, desabafou com a esposa:

           – Puxa, amor! Tive, hoje, o pior dia da minha vida!

           E a mulher:

           – Pior que o meu? E o meu chefe, lá na repartição, que morreu de infarto, bem nos meus pés, hoje de manhã!