Ailton Villanova

15 de dezembro de 2016

Dançou legal!

      Mirandolino Carneiro e Irisvalda Rosa tinham entre 17 e 18 anos de idade quando se conheceram num concurso de twist, promovido por uma emissora de rádio da capital. Inventado nos Estados Unidos, o twist era o ritmo moda dos jovens, nos anos 60. Nessa época, Mirandolino – mais conhecido como Miro -, e Irisvalda, carinhosamente chamada de Iris, residiam em bairros distintos, mas bem próximos. A partir de quando entrosaram os olhares e transaram o primeiro beijo, não se largaram mais. E passaram  integrar um animado grupo de seguidores do finado Elvis Presley. Tempos mais tarde, muito apaixonados, eles se casaram.

        Belo dia de um mês de janeiro do ano de 1980, a turma do Miro e da Iris, dos saudosos tempos do twist , voltou a se encontrar e, aí, então,  surgiu a bolação de um baile à fantasia, já que a época era pré-carnavalesca. Data da festança marcada, todo mundo animado e eis que chegou o grande dia. Mas, justo aí, surgiu um contratempo no caminho dos festeiros: madame Iris caiu de cama com uma enxaqueca violenta e o marido, mesmo a contragosto e penalizado, teve de comparecer desacompanhado à comemoração.

         Lá pelas tantas, a enxaqueca de madame Iris foi pro beleléu e ela, então, resolveu fazer uma surpresa ao amado. Pulou da cama, vestiu a  fantasia que mandara fazer exclusivamente para o evento, cobriu o rosto com uma máscara, pegou o seu carro e se mandou pra festa. Assim que chegou lá, a primeira pessoa na qual bateu os olhos, reconheceu como sendo a do seu marido, por um detalhe revelador: ele estava fantasiado de Zorro, por sinal o único exemplar no ambiente. Mas o Zorro não estava só. Fazia o passo agarrado com uma morena espetacular, que vestia a fantasia de odalisca. Aí, Irisvalda revoltou-se. Com que, então, o marido a estava traindo com aquela mulher?!

          Enciumada, Iris aproximou-se do casal, puxou a odalisca pelo braço e abufelou-se com o mascarado.

           – Essa dança é minha! – avisou.

           Como o Zorro não demonstrou tê-la reconhecido, a madame bolou uma vingança cruel:

            – Vamos tomar uma fresca, ali fora?

            – Vamos! – concordou o Zorro, aquelas alturas pra lá de biritado.

            Então, imaginando que aquele era mesmo o seu marido, Iris puxou um sarro violentíssimo. A sacanagem foi tão grande que o cara desmaiou. Sentindo-se vingada, Irisvalda aproveitou o ensejo e correu de volta pra         casa. O marido chegou mais tarde, com o sol já raiando. E a mulher,        fingindo que estava acordando:

            – Hmmmmmpf… Oi, amor! Como foi a festa?

            – Uma porcaria! – respondeu o Miro

            – Verdade? Você não dançou nem um pouquinho?

            – De jeito nenhum! Preferi jogar baralho com o Gerson e o Lula, que também estavam sozinhos.

            –  E jogou até o amanhecer?

            – Como não estava a fim de dançar, peguei a fantasia e emprestei pro Diomedes Leão. Diz ele que pegou uma dona taradíssima e fez com ela gato e sapato, até cair desmaiado. Quando acordou, a degenerada havia desaparecido!

 

Sexo através dos sinais

      Jortalício e Marigleuda, ambos surdos-mudos, se apaixonaram e se casaram rapidinho. Logo no primeiro dia de núpcias eles descobriram que eram incapazes de se comunicar na horizontal quando a luz do quarto estivesse apagada, pois não tinham como “dialogar” pela linguagem dos  gestos, e muito menos dos sinais. Depois de horas e horas pensando em alguma solução, Marigleuda saltou com uma ideia:

         – Amor! – gesticulou ela. – Por que a gente não cria uns sinais mais explícitos?

         E o marido, também movendo os dedos:

         – Explique-se melhor.

         E Marigleuda, através de gestos:

         – A noite, se você quiser fazer sexo comigo, pegue o meu seio     esquerdo uma vez. Se você não quiser fazer sexo, pegue no meu peito direito uma vez.

        Jortalício achou a ideia genial e gesticulou de volta:                           

        – Legal! Agora, se você quiser fazer sexo comigo, balance o meu pênis uma vez. Se você não quiser fazer sexo, balance meu pênis cento e cinquenta vezes!

 

Na agonia e sem papel

       Festa da padroeira de determinada cidade do interior. Na praça fronteiriça, um monte de fiéis aguardando que a igreja abrisse suas portas, para contar seus pecados ao padre Severino. Nisso, vai chegando o tal de João Saturnino, visivelmente embriagado, com uma máquina pendurada no pescoço, dando uma de turista. Em dado momento, alguém abriu as portas do templo e ele meteu os peitos lá dentro. Em seguida, olhou  para os lados e, de repente, correu em direção ao confessionário, segurando a barriga. Achando que o cara pretendia confessar-se, reverendo Severino entrou na porta contígua, para ouvir os seus pecados:

         – Boa tarde, meu filho!

         – Boa tarde… Escuta aqui, amigão… Aí do seu lado tem papel?

 

Quebra-galho 

            Naquela clínica de recuperação de alcoólatras um paciente foi flagrado pelo doutor Odegalmo escondendo uma garrafa de vinho atrás de um vaso de flores.

            – Não acredito no que estou vendo! – exclamou o médico. – Você estava indo tão bem, rapaz!

            O paciente abaixou a cabeça:

             – É, doutor, eu preciso de ajuda!

             – Muito bem! O primeiro passo é admitir o erro! O que eu posso fazer por você, neste momento?

             – Bom, se o senhor tiver um sacarrolhas aí, já vai me quebrar um galhão!

 

Um pequeno engano

        Idiota todo, o Joralício só vive dando mancada. Certa feita, trabalhando como motorista de caminhão, foi designado para fazer a entrega de uma carga na cidade de Porto Calvo. Era quase fim de noite, e lá ia ele pilotando o autocarga na subida de uma ladeira estreita e acidentada. Detalhe: subia de marcha à ré. Nesse momento foi passando um cidadão, que o advertiu:

        – Ei! De ré não dá pra subir, não!

        E Joralício, tentando galgar a ladeira, enfiando o pé no acelerador do caminhão.

        – Subir de ré é loucura! – insistiu o cidadão.

        Joralício, então, brecou o caminhão  respondeu:

        – Me disseram que lá em cima é impossível virar o caminhão!

        E continuou a inusitada subida.

        – Se vai teimar nessa empreitada, então suba! – aborreceu-se o homem.

        Uma hora depois, o mesmo sujeito encontrou o mesmo caminhão, dessa vez descendo de ré.      

         – Pelo amor de Deus, meu amigo, o que você está fazendo agora?   

         E Jotilênio, com ar triunfal:             

         – Tô descendo de ré, num tá vendo?

         – É, tô vendo. Eu não sou cego.

         – Pois é. Eles tinham se enganado. Dava pra virar o caminhão, sim!