Ailton Villanova

14 de dezembro de 2016

Jesus pregadão: a piada

      Aquele, era, justamente, o dia em que o material estava escasso para o fechamento da coluna. Diante do computador eu revia as minhas anotações, enquanto o miolo pardo-acinzentado da caixa pensante funcionava a todo vapor. Derepente, eis que tocou o celular, cortando o meu barato. Atendi meio puto e o filho da égua do Fedúlcio atacou de lá:

       – Meu magnânimo, insigne e maravilhoso mestre… tudo joia? Soa-me assaz prazeroso contatar com vossa indubitável pessoa!

       Quase caí para trás. Mas, ligeirinho, me refiz do choque:

        – Que diabo está acontecendo com você, Fedúlcio? Pirou de vez?

        – É que agora estou estudando profundamente a língua pátria, para melhor poder comunicar-me com pessoas ilustradas e ilustres como o senhor… Está gostando da minha nova performance, indubitável mestre?

        – Se você continuar se expressando desse jeito, mais dias, menos dia, terei que conversar com você com um dicionário na mão! Acho eu já sei quem é o seu professor…

        – Deixa pra lá, idolatrado mestre.

        – Pra que foi que você me ligou?

        – Contactei-lhe para contar uma piada zerinho, que acabo de adquirir…

        – Pois conte!

        Ele começou:

        – “Estava Jesus crucificado no Calvário…

        – Epa! Que piada é essa, rapaz? Olha o respeito pelo Salvador da Humanidade!

        – Calminha aí, grande chefe! Deixe-me terminar.

        – Termine e veja lá!

        – Bom, prosseguindo: “Estava Jesus crucificado no Calvário quando passaram seus apóstolos e Madalena, carregando garrafas de vinho e instrumentos musicais…

        – Que tipo de instrumentos musicais, Fedúlcio?

        Ele fez que não me ouviu e prosseguiu, impassível:

        – “Ao repararem na figura de Jesus, eles disseram… ‘Vem conosco, Mestre. Vamos dar uma festinha na casa da Madalena’. Aí, Jesus respondeu: ‘Hoje não posso. Estou pregadão’”…!

         Desliguei o celular sem dizer nada. Mas aproveitei a piada.

 

E as férias, Jura?

      Sem ter coisa melhor para fazer na vida, o saudoso jornalista e vereador marimbondense José Jurandyr certa vez entendeu de se lançar candidato a prefeito de Maribondo e por pouco não foi eleito.

       Por ocasião da campanha eleitoral, lá estava ele, todo entusiasmado, trepado num banco, deitando falação, para um grupo de servidores do município:

        – Se eu for eleito, vocês terão seis meses de folga!

        E a galera:

        – Muito bem! Já ganhou! Já ganhou!

        – E tem mais, caros colegas: eu vou dar uma licença de cinco meses para todos vocês, em caráter especial!

        – Já ganhou! Já ganhou!

        E para encerrar o meu discurso, eu prometo que vocês irão trabalhar somente uma semana por mês!

         – Já é o prefeito!

         Num cantinho, encontravam-se dois servidores graduados da prefeitura e amigos do candidato. Um deles olhou para o outro e exclamou:

         – Não voto mais no Zé Jurandyr !

         – Mas por quê, Zé Tenório? – indagou o outro, intrigado.

         – Pô, o cara é um demagogo! Esqueceu de falar nas férias…!

 

Discurso bom, só no fogo!

      Sujeito persistente, Genésio Amadeu Paixão tentou eleger-se vereador em Maceió, duas dezenas e meia de vezes. Nunca mereceu nem meia-dúzia de votos.

       Genésio Amadeu era um desbocado. Quando abria a boca, soltava impropérios e palavrões pra mais da conta!

       Certa noite de campanha eleitoral, ao acabar de discursar numa praça do Vergel do Lago, ele se virou para o cabo eleitoral João Farias e perguntou:

        – Você acha que botei fogo demais no meu discurso?

        E o Farias, bastante sincero:

        – Fogo até que você colocou. Só que antes de subir no palanque deveria ter colocado o discurso no fogo”

 

Muito pior pra depois!

      Padre Luiz Olímpio fazia uma das suas costumeiras caminhadas pela praça da Matriz quando, de repente, deu de cara com um fiel arredio:

       – Se não me engano, você é o Pedrinho, filho da Marinete, não é?

       – Sou, padre! – confirmou o cara.

       – Não lhe tenho visto na igreja, meu filho!

       E ele:

       –  E nem nunca mais vai me ver, padre! Na primeira vez que eu fui para o batismo, o senhor me jogou água na cabeça. Na segunda vez, para o crisma, me deu uma bofetada. Na terceira, no casamento, tive que ficar com a mulher para o resto da vida… Chega, padre!

       O vigário então respondeu:

       – Pior pra você! Na próxima vez, jogarei uma pá de cal por cima!

 

Feia, mas “our concours”!

      Aniversário de septuagenário é um saco! Só dá gente cochilando pelas cantos… Em assim sendo, a festa comemorativa dos 75 anos de idade de dona Florência Fialho não poderia ser diferente. Negócio paradão, algo parecido com velório de beata. Aí, para levantar o astral no ambiente, o marido da aniversariante, seu José Petrucio Fialho, pulou no meio da sala e anunciou:

       – Atenção gente! Acabo de bolar uma brincadeira incrível! Querem saber?

       E a turma toda:

       – Queremos! Queremos!

       – Então, vamos lá! Aquele que fizer a careta mais feia ganhará um prêmio!

       – Muito bem! – apoiaram todos.

       Nesse momento, vai chegando um convidado ilustre, o doutor  Genésio Paraguassu, advogado aposentado e meio aparentado da  nataliciante.  Ao reparar para o lado, ele notou uma velhota sentada numa cadeira de balanço. Era dona Balmázia, tia do Petrúcio, o marido da nataliciante. Aí, doutor Genésio não contou conversa: apontou para a velhusca e gritou:

        – Temos aqui a ganhadora do concurso. A careta dessa senhorinha ao meu lado é qualquer coisa de sensacional! É imbatível!

        Sentindo-se ultrajada, a velhota levantou-se de um pulo e esfregou o dedo na venta do advogado:

        – Me respeite, seu filho da puta! Eu não estou participando de concurso nenhum!