Ailton Villanova

13 de dezembro de 2016

O VIGILANTE (QUE ERA) VALENTE

      Procura-se um vigilante chamado Bidionaques Santana, mais conhecido como Bida. Seu ex-patrão, o empresário Bernardo Severo de Barros, está bastante preocupado com o seu sumiço porque sente-se responsável por isso.   

      O papo é o seguinte:

      Por indicação do primo Leocádio Santana, o desaparecido Bida foi trabalhar na mansão do sobredito Bernardo, ocupando o honroso posto efez o maior farol do parente:

      – Este aqui é o cabra mais destemido que conheço! Pra ele não existe ladeira, tudo é plano. Pode confiar!

      Precisava apresentação melhor? A palavra do primo Léo passou a valer mais que qualquer papel registrado em cartório. Nessa mesma noite, o velho Bida estreou no emprego novo, com um revolvão .38, novinho zerado, enfiado no cós da calça.

       Enquanto doutor Bernardo dormia o sono dos inocentes, o novo vigilante amoitava-se num cantinho escuro do jardim da mansão. De repente, irrompeu o maior bate-boca do lado de fora do muro. Do bate-boca aos berros escandalosos de uma mulher, foi uma questão de segundos. Tratava-se de uma discussão acalorada de namorados.

        Com o barulho, o empresário acordou-se e desceu do primeiro andar as luxuosa residência para verificar o que estava se passando lá embaixo. Procurou o vigilante com a vista e o localizou acocorado por detrás de um enorme vaso de planta. Aí, para lhe chamar a atenção, bateu três vezes no vidro da janela. Ao escutar o barulhinho, Bidionaques deu um pinote no terreiro e abriu a boca no mundo:

          – Valei-me meu Padrinho Cícero! A casa está sendo invadida por uma quadrilha de gatunos terríveis! A peste é quem fica aqui!

           E sumiu no oco do mundo, até a presente data.

 

Professor prevenido

       Dizem que quando o Asclepíades Xavier era jovem e residia na cidade de Coruripe, ele desmoronou uma porrada de corações femininos. Bonitão, 2 metros de altura e jogador de basquete, ele lecionava francês em caráter particular. Nas horas vagas, instruía também o mulherio disponível no barato sentimental, ministrando-lhe aulas de beijo, gratuitamente. Aí, ele matava a pau.

        Numa bela manhã de junho, Asclepíades se transferiu para Maceió e foi morar no bairro do Prado, onde conheceu a donzela Maria Eunice, lindíssima na flor dos seus 18 aninhos. Depressinha, apaixonou-se por ela e, mais depressinha, ainda, a levou ao altar, onde jurou fidelidade para sempre. Só jurou, o descarado.

          Anos e anos se passaram e eis que, já aposentado da profissão de professor e bastante usado, Asclepíades compareceu ao consultório do médico amigo José Dias, para o seu checape anual.

           Conhecedor bastante das peripécias do paciente, o esculápio cumprimentou-o nestes termos, mal ele entrou no consultório:             

           – E aí, ilustre mestre, como vai a sua vida sexual?

           Asclepíades deu uma piscada, temperou a goela e respondeu, todo animado:

          – Para lhe ser franco, meu caro doutor, não vai nada mal. A mulher já não anda mais interessada, sabe?

          – Não me diga!

          – Pra você ter uma ideia, na semana passada eu saí com três gatinhas sensacionais. A mais velha tinha 25 anos!

           Doutor Zé Dias espantou-se com a revelação:

           – Mas na sua idade, professor! Espero que ao menos você tenha tomado suas precauções…

           Asclepíades invocou-se com a observação do médico:

           – Escute aqui, doutor… posso estar velho, mas não estou caduco! É claro que dei a todas elas um nome falso!

 

Graças ao bom Deus!

         Padre Anatólio Gusmão ainda era bastante jovem e morava sozinho. De modo que precisava de companhia, ou melhor, de uma empregada para cuidar de sua residência. Em assim sendo, solicitou aos paroquianos que o ajudasse encontrar uma criada. Não demorou muito, o sacristão Severiano avisou:   

          – Padre, tem aí uma pessoa querendo falar com o senhor.

          O reverendo Anatólio  foi atender e deu de cara com uma mulata sensacional. As pernas, a bunda e os peitos dela… pelamordedeus!

           – Me falaram que o senhor está procurando uma empregada… –  disse a gostosura com uma vozinha angelical.

           E o sacerdote se babando todo:

           – Estou. Estou, sim, minha filha… Fale-me de suas qualidades.

              – Sei fazer muqueca de peixe, sei fazer cuscuz doce e salgado, feijoada, lasanha…

           – Que mais?

           – Sei fazer cocada, pudim de leite condensado, leitão assado…

           – Só?

           – Bom… Eu tenho um problema comigo, padre… Eu sou estéril!

           – Mulher de Deus, por que não disse isso logo? Vá entrando, minha filha, vá entrando!

 

 Cego era o cão!

           Padre Eurico Leão, conhecidíssimo no Recife como um sacerdote sério e de bom coração, caminhava pela Rua do Rangel, no centro da cidade, quando se deparou com um sujeito segurando a cordinha de um cachorro, de cujo pescoço pendia uma placa, que dizia: “Ajude o pobre ceguinho”. O sacerdote tirou uma moeda do bolso e colocou na cuia do camarada, que respondeu:

            – Obrigado, seu padre!

            – Epa! Espere aí! Como você sabe que eu sou padre? E que bafo horrível de cachaça é esse?

            E o cara:

            – Deve ser porque enchi a cara hoje de manhã!

            – Mas você não é cego, seu vigarista?

            – Eu não. Cego é o cachorro!