Ailton Villanova

10 de dezembro de 2016

Caso prontamente resolvido

      Recém-nomeado delegado de polícia civil, Belmiro Cavalcante, o indefectível “Camburão” (o apelido ele ganhou na Academia de Polícia Civil), foi servir na distrital de Porto Calvo. Mal esquentou o tampo da cadeira de autoridade, já foi se deparando com um caso muito sério: derrame de dinheiro espúrio na sua circunscrição.

      Camburão chamou o subdelegado (naquele tempo ainda existia essa figura nos quadros da PC) e disse pra ele:

       – Sargento, por favor me convoque o praça mais esperto do destacamento para fazer uma investigação de muita responsabilidade.

       – Sobre o quê, chefe, posso saber?

       – É a respeito das notas fajutas de cruzeiros, que estão circulando por aí.    

      – É pra já, doutor!

      Minutos depois, surgiu diante da autoridade um soldado PM, que bateu continência e sapecou o verbo:  

       – Soldado Jesus se apresentando para o serviço, doutor!

       O delegado pegou uma nota novinha de 50 cruzeiros, apresentou-a ao praça e disse:

        – Dinheiro falso! Pegue aqui e veja o que pode fazer a respeito.

        O militar nem esperou para ouvir as recomendações finais da autoridade. Apanhou a nota, girou nos calcanhares e disparou porta a fora. Vinte minutos depois, estava de volta, todo empertigado:

         – Tudo resolvido, doutor!

        Camburão ficou boquiaberto com a eficiência e presteza do cara:

         – É isso ai, soldado! Prendeu os falsificadores?

         – Falsificadores? Prendi não, doutor!

         – Mas prendeu os passadores do dinheiro falso, não prendeu?

         – Também não!

         Aí, o delegado invocou-se:

         – E como que você chega aqui me dizendo que o caso está resolvido? O que foi que você fez, então?

         – Troquei a cédula de 50 cruzeiros por cinco notas de 10 paus verdadeiros!

 

A grande mancada do Brás

      Depois de um dia estafante de trabalho, o delegado de polícia civil Paulo Brás da Silva resolveu se dar ao luxo de um estrago gastronômico num dos mais caros e chiques restaurantes da orla de Ponta Verde. Entrou lá pisando firme, escolheu uma mesa de canto, sentou lá, chamou o garçom e pediu, todo empolga:

      – Pra início de conversa, me traga uma dose do melhor uísque que tiver na casa!

      Não demorou nadinha, o garçom voltou com a bebida e o ilustre freguês preparou-se para saboreá-la. Naquilo que levantou a cabeça, para beber o primeiro gole, ele avistou duas bonitas e elegantes mulheres ocupando a mesa em frente a sua. Uma delas esboçou um ar de riso e dirigiu-lhe um cumprimento discreto. Paulo Brás retribuiu o cumprimento e disse pra seus botões: “Eu hoje estou bárbaro!”.

       Troca de olhares, piscadela de ida, piscadela de volta, nosso delegado- galã não se segurou mais: bebeu o último gole da sexta dose de uísque e partiu resoluto pro ataque:

        – Vocês não gostariam de partilhar um jantar comigo? Por favor, sentem-se à minha mesa. – disse ele para as mulheres.

        As simpáticas criaturas aceitaram o convite e doutor Paulo Brás fez o , que jamais deveria ter feito: mentiu ao apresentar-se à elas.

        – Eu me chamou Sandro Roberto, sou advogado na cidade de Salvador…

        – Ah, é? – cortou, irônica, a garota com a qual havia trocado olhares incisivos. – Quer dizer que além de mudar de nome, você não é mais delegado de polícia?

        Brás engasgou-se, mas tentou disfarçar, agindo como se não tivesse ouvido a ironia da jovem. Foi pior.

        – Atualmente, ando muito solitário…

        – Não me diga! E a professora Raimunda, sua esposa, por acaso lhe abandonou?

        Dessa vez ele amarelou: 

        – Anhh… Errr… Você a conhece?

        – Claro! Além de colegas de trabalho, somos grandes amigas!

        O jantar a três terminou aí, por causa de uma súbita indisposição que acometeu o audaz doutor Paulo Brás. Minutos mais tarde já refeito, ele foi comer cachorro-quente, sozinho, numa barraca, na beira da praia.

 

Poste teimoso

      Fim de noite de sábado. Quando ocorreu o caso presente, a Delegacia de Plantão da Polícia Civil funcionava na rua do Macena, centro da cidade. Nessa noite, a autoridade plantonista era o doutor Benígno Vianna Portela. Ele assistia, em seu gabinete, a programa chato de TV quando o policial da portaria embocou lá, de venta acesa, sem pedir licença, nem nada:

       – Doutor!

       Portela tomou aquele susto:

       – Que é isso, rapaz? Quer me matar do coração? Qual é o problema?

       – É que tem aí fora um sujeito todo lascado, expelindo sangue pra todo lado!

       – E o que foi que aconteceu com o infeliz?

       – Acho que ele foi vítima de algum desastre! Venta quebrada, dente quebrado, braço quebrado… Tudo quebrado!

       – Putaquipariu!

       Benígno Portela correu para verificar de pertinho a situação do cara e não se conteve quando botou os olhos nele:

        – Seu caso é pra hospital, meu amigo! É caso grave! O que foi que houve com você?

        Com uma dificuldade tremenda, o sujeito respondeu:

        – Foi um poste filho da puta…

        – Um poste?!

        – Sim, doutor, um poste. Buzinei, buzinei e ele não saiu da frente!

 

Depende da mijada!

        O delegado José Rangel Ataíde Wanderley tinha acabado de ser nomeado diretor do Instituto de Identificação e, logo no primeiro dia, um engraçadinho entendeu de tirar uma onda com ele.

         Rangel arrumava uns papeis sobre sua mesa, quando o telefone tocou. E ele:

         – Delegado Rangel.

         – Doutor, me responda uma pergunta, por favor…

         – Pois faça-a!

         – Penico de barro enferruja?

         Dono de boa presença de espírito, Rangel respondeu em cima da bucha:

         – Depende da mijada da sua mãe, seu filho da puta!