Ailton Villanova

8 de dezembro de 2016

O treloso Paulo Brás

      Quem repara naquele cidadão grisalho, carrancudo, chamado Paulo da Silva Brás, não imagina que por trás daquela máscara de austeridade que ostenta, esconde-se um tremendo paquerador.

       Delegado de polícia civil durão, antigo terror da bandidagem, ele se derrete todo quando se depara com um rabo de saia dando sopa. Houve uma época, porém, que suas investidas no terreno mulherífico só lhe causaram embaraços.

        – Acho que andei pisando em rastro de corno! – lamentou, certa vez, depois de uma mancada que deu, ao tentar paquerar uma balzaca.

        Paulo Brás desfilava tranquilo  pela Fernandes Lima, pilotando o seu carrão, quando avistou na pista contrária uma mulher lindona, ao volante de um KA, que lhe dirigiu um sorriso simpático. Como estava bem próximo do retorno do Cepa, ele só fez dar um giro no volante e entrar à esquerda. Aí, enfiou o pé no acelerador e disparou atrás da criatura. Ao emparelhar com ela, meio quilômetro adiante, ele deu um toque na buzina – praaamm! – e esperou o resultado. A garota respondeu positivamente, com outra buzinada – biiip!

          – Matei a pau! – vibrou Paulão. – Essa está no papo!

          Mais alguns metros adiante, ele parou o carro no acostamento e  guardou que a coroa fizesse o mesmo. Ela fez. Mas, deu o tranco, assim que reparou direitinho na figura do paquerador:

           – Ooooh! É você, doutor Paulo?!

           E ele, meio desconfiado: 

           – E você me conhece?

          – Claro! Você é marido de uma grande colega minha, a professora (e disse o nome da colega). É ou não  é?

          Escabreado, Paulo Brás deu meia volta e correu pra casa. Mal pisou no primeiro batente da entrada, foi recebido na base da bronca, pela caríssima esposa. A colega da cara-metade do delegado não dormira no ponto. Rapidinho, ela fez a “entrega” do nosso bom conquistador. Afinal, pra que é que existe, hoje em dia, o telefone celular?

 

O juiz, o matuto e a faca

      Inflexível aplicador das leis e exímio manejador das letras, o saudoso juiz Lisymaco Tenório Villanova, irmão do notório padre Nildo (Onildo Tenório Villanova), era um grandalhão duro que nem uma rocha. Como jornalista e escritor escreveu páginas memoráveis da história política pernambucana. Será sempre lembrado como um exemplo de homem sensato, culto e corajoso.

      Doutor Villa tinha uma intimidade incrível com os códigos penais e de processos penais. Conhecia-os de cabo a rabo.

      Uma vez, no começo da carreira de magistrado, quando atuava em determinada comarca do sertão de Pernambuco, ele baixou uma ordem no sentido de que o porte de arma de qualquer espécie – arma de fogo, arma branca e congêneres -, estava proibido na sua jurisdição. A proibição vinha sendo observada à risca quando, certa manhã de sábado, dia de feira, alguém chegou pra ele, na porta do fórum, e dedurou:

       – Excelência, aquele matuto ali, ó, tá usando uma faca peixeira que num tem mais tamanho!

       – Ah, é, Vamos ver isso!

       O juiz chegou junto do denunciado e perguntou:

       – O senhor está armado, meu amigo?

       – Tô, inhô, sim. É só uma faquinha de 12 pulegada!

       – Pois passe pra cá!

       O matuto entregou a faca ao juiz e perguntou:

       – Quem é vosmicê, puracauso?

       – Eu sou o juiz da comarca. – respondeu doutor Lisymco.

       O matuto deu um pinote pra frente e tomou a faca das mãos do magistrado?

        – Me dê a minha faquinha, cabra! E eu pensando qui vosmicê era sordado! Mai é só um juizinho de merda!

 

O advogado se deu bem!

      Velhos amigos de boemia no Recife, Nestor Leopoldino e George Guerra, tio de Nilma Guerra, farreavam de leve, num boteco de Boa Viagem quando, em dado momento, um deles indagou:

       – Ô Nestor, onde é que anda aquele teu compadre, o Miguel Cardoso?

       –  Ah, rapaz, depois que ele recebeu uma herança do avô, mudou de casa e não bota nem a cara na rua!

       – Ôxi! E onde é que ele tá morando agora?

       – Em Olinda!

       – Em Olinda, meu?! Em que altura, mais ou menos?

       – Quando você vai subindo a ladeira do Mosteiro e passa pela prefeitura, não vê um sobradinho derrubadinho que fica perto da feira de artesanato?

        – Saquei!

        – Se você reparar do outro lado, vai ver uma enorme e belíssima mansão de três andares, recém construída…

        – Ah, já sei! É lá que mora o Miguel!.

        – Não, não! Ele mora no sobradinho derrubadinho. Na mansão quem reside é o advogado que fez o inventário!

 

Amado demais!

      Numa mesa de bar suburbano, um certo Brivaldo revelava, cheio de orgulho e vaidade, ao amigo chamado Crisóstomo:

      – Não posso me queixar da  vida, mano velho. Posso lhe garantir que, hoje em dia, eu sou um cara realmente feliz! Imagine você, que eu nunca havia percebido o quanto a minha mulher me ama!

      – É mesmo, cara? E quando foi que você percebeu?

      – Dias atrás, quando eu fiquei de cama, com essa tal de dengue!

      – E aí?

      – Valdinha ficou tão contente por eu estar em casa, que toda vez que alguém tocava a campanhia, como por exemplo, o carteiro, o leiteiro, o entregador do mercadinho… ela gritava, na ponta dos pés:  “O meu marido está em casa! O meu marido está em casa!”