Ailton Villanova

7 de dezembro de 2016

O perdido velho Jura

      Quando moço, ele era o cão chupando manga. Pagodeiro, boêmio e mulherengo, Juramildes Barbosa, o Jura, não parava quieto. Noites e madrugadas eram curtas para ele. Funcionário das docas de Jaraguá, emendava o expediente de conferente com a atividade de farrista. Na antiga zona do meretrício do bairro portuário ele reinava.

      Juramildes Barbosa era imbatível no barato birital. Quanto mais bebia, mais fogoso ficava e era essa peculiaridade que o time feminino mais apreciava nele. Os anos se passaram e Jura não teve como evitar a velhice, por mais exercícios praticasse e remédios tomasse. Mas com ele permaneceu a tara pelas mulheres, preferencialmente as mais jovens. Bem mais jovens.      

       Jura gozou bastante a vida e foi somente aos 90 anos, quando não prestava mais pra nada, que resolveu se casar. E levou ao altar uma morena curvilínea, que atendia pelo nome de Raquel. Mulherão de metro e oitenta de tamanho.

       Certo dia de um mês de fevereiro, por insistência de Raquel, o velho foi, com a própria, à uma prévia carnavalesca na Avenida da Paz. No meio da multidão, perdeu-se da apetitosa amada. Desesperado, olhava para todos os lados à procura da Raquel. Nisso, aproximou-se dele um PM bastante atencioso:

         – Posso ajuda-lo, vovô? O senhor parece que não está nada bem!

         – É que estou preocupado com a minha esposa. – respondeu ele.

         – É? Por acaso a sua senhora está doente?

         – Tá doente não, meu filho. Ela tá muito bem de saúde. Tem 20 anos, é linda, muito gostosa e me adora! Faz tudo o que eu quero…

         – Nesse caso, qual é o problema?

         E o macróbio:

         – É que esqueci onde moro!

 

Ele era analfabeto mesmo!

       Encaminhado pelo colega Jairo Queiroz, o sujeito procurou o nosso editor-geral Ricardo Castro, e pediu pra ele um emprego de entregador de jornais. Aí, o Ricardo o encaminhou ao então diretor administrativo e financeiro (hoje presidente) José Paulo Gabriel, que imediatamente começou a sabatiná-lo:

       – Sabe ler e escrever?

       E o cara, todo atrapalhado:

       – Bom, doutor… pra falar a verdade pro senhor, só sei escrever.

       – Ah, essa não! Saber escrever e não saber ler? Incrível!

       – Pois é.

       – Tem certeza do que está dizendo?

       – Claro! Sei escrever, mas não sei ler…

        Gabriel resolveu pôr o indivíduo à prova. Pegou papel e caneta, deu pra ele e pediu:

       – Escreva aí o seu nome!

       O candidato pegou a caneta, abriu um olhão, fechou o outro, puxou a língua pro canto da boca, fez pontaria no papel e rabiscou lá uns garranchos. Quando acabou, devolveu o material pro Gabriel, que não conseguiu se segurar:

        – Que diabo é isso, meu? Não estou entendendo nada do que você escreveu!

        E o cara:

        – Eu também não, doutor!

 

Um tirinho só!

      Presa em flagrante no meretrício do Jaraguá, a mundana chamada Terta foi levada à presença do delegado Carlomano de Gusmão Miranda, então titular da finada 2ª. Delegacia Auxiliar de Polícia da Capital, que funcionava na Praça Dois Leões, no mesmo bairro.

       – Me conte a sua história, minha filha! – pediu Carlomano, excepcionalmente  gentil e calmo.

       E ela, se ajeitando toda, na cadeira de interlocutor:

       – Pois é, doutor…  Aconteceu que aquele grandalhão, que sempre  gostou de bater em mulher, pegou aquela mãozona pesada e sapecou na minha cara! Aí, doutor Carló, já viu, né?

       – “Já viu” o quê?

       – Dei um tirinho com meu revolverzinho nele. Aí, ele morreu!

 

E haja bebê!

       Havia um tempão que eles não se encontravam, desde que Zé Tobias arribou de Ibategura com destino à capital.

       Zé Tobias topou com o amigo de infância Inocêncio Porciúncula em plena fila do finado INPS. Depois do abraço, danaram-se a prosear:

        – Ô Nucênço, cuma cai aquela sua irmã gordinha?

        – A Tervina? Ah, num te conto, Zé Tubia…

        – Ôxi! Pois conte, home!

        – Tá certo. A Tervina morreu de tanto bebê!

        – Valei-me meu Padim Ciço! A Tervina?! Tô aqui qui num acredito! Taí, eu num sabia qui ela era colátra!

         – Colátra? Qui danado é isso?

         – Colátra é a pessoa qui bebe dimais!

         – Não, rapais! A Tervina num era nada disso aí! Ela morreu foi de tê tanto bebê dimais! Teve oito bebê de uma vêis só. Aí, num aguentô e morreu!

 

O solzão que deu confusão!

      Hotel litorâneo de fama internacional hospedou uma manequim muito famosa, dessas de arrepiar cabelo de estátua. Necessitando realçar ainda mais o seu bronze, ela subiu ao terraço, onde encontrou um lugar para se ajeitar, longe dos olhares curiosos. Como não havia ninguém por perto, a divina arrancou tudo o que tinha no corpo e ficou peladona. Depois de reparar para todos os lados, deitou-se de bruços para tirar a marca do biquine no traseiro. Não demorou muito, apareceu o gerente Fernando Burity, com ar de doido:

        – Pelo amos de Deus, moça! Você não pode tomar banho de sol desse jeito… despida! Poderia pelo menos colocar uma toalha, ou um fio dental?

        – Que diferença faz? – retrucou a gostosura. – Até agora só o senhor veio me espiar aqui!

        E o gerente:

        – Você já reparou que está deitada justamente sobre o vidro por onde entra luz para o restaurante? Tá a maior confusão lá embaixo!