Ailton Villanova

6 de dezembro de 2016

Execução de emergência

      Os meus poucos leitores oitentões devem estar lembrados que a pena capital chegou a ser projetada para vigorar no Brasil, lá se vão setenta e poucos anos. Sua edição morreu no nascedouro, porque a hipocrisia nacional não permitiu. Pois bem, na ocasião em que ilustres boladores da ideia decidiam por qual meio a pena de morte deveria ser executada, saltou um general e sugeriu:

       – Melhor a cadeira elétrica!

       Acatada a ideia e antes de ela ser efetivamente posta em prática, houve a necessidade de se mandar ao exterior um observador, para ver como era que a coisa deveria funcionar, até se chegar aos “finalmentes”. Escolheram, então, um coronel chamado Tenório, por sinal alagoano.

        – Pra onde é que a gente manda ele? – quis saber um dos donos da ideia da pena máxima.

        – Pra Portugal! – definiu outro grandola.

        – Pra Portugal???!!! E lá tem cadeira elétrica?

        – Tem. Dizem que é a mais eficiente do que as que existem nos Estados Unidos. O cara morre torrado, ligeirinho!

        Sem mais delongas, mandaram Tenório à Portugal. Quando ele chegou lá, foi levado à penitenciária onde se achava instalada a tal cadeira defuntória. Acompanhado de dois cicerones, Tenório se dirigia à sala de execução, para ver de pertinho como funcionava a cadeira matadora, quando, de repente, começou a ouvir berros terríveis, partidos do final do corredor da morte. Arrepiou-se todo.

         – O que é que está acontecendo aqui? – indagou Tenório a um dos cicerones.

         Este respondeu:         

         – É que estamos a executaire um gajo!

         Enquanto isso, o infeliz implorava:

         – Aaaahhhggghrrr… Parem! Por favoire, eu não aguento mais! Aaaaiiii… Socorrrooo!

         E Tenório, arrepiado de pavor:

         – Mas por que não executam o cara na cadeira elétrica?

         O cicerone explicou:

          – Mas ele está a seire executado na cadeira elétrica, o pá!

          – E por que grita tanto?

          – É que, no momento, estamos cá, no presídio, sem energia elétrica e os colegas estão a executaire o condenado na base da vela!

 

O chulé que acabou a missa!

      O leitor Luiz Gomes Neto me conta um fato que, garante, é verdadeiro. E cita um monte de testemunhas.

      O fato é o seguinte: Numa cidade alagoana que fica pertinho aqui da capital, existe um cidadão chamado Jaelson, que possui um chulé infeliz. Numa quinta-feira santa, ele exagerou nas doses de vinho e foi bater na igreja, justo na hora em que o padre oficiava a tradicional cerimônia do lava-pés. Mal se equilibrando em cima das próprias canelas, ele chegou mais pra perto do reverendo quando este concluía a sobredita, e pediu:

       – Ei, psiu, padre… Por favor, dá pro senhor mandar ver numa lavadinha aqui no meu pé?

       O reverendo caiu na besteira de pedir-lhe que tirasse os sapatos. Ele tirou. No que tirou, o padre caiu desmaiado e os fiéis que se achavam por perto abandonaram a igreja na maior disparada.

 

E o beque também sabe?

      O futebolista Manuel Francisco, o popularíssimo Pai Manu, foi, inquestionavelmente, um dos maiores descobridores de craques no futebol de Alagoas. No seu Universal, surgido no bairro do Prado, ele fez escola. Humilde, dedicado ao extremo ao futebol, Pai Manu conhecia como ninguém os segredos do bate-bola. Num belo e ensolarado domingo de verão, antes de um amistoso entre Universal e Bompartense, no campo da Vila Operária do Bom Parto, Manu chamou de lado o baixinho Tancredo Moura, que naquele dia estava sendo lançado como centro-avante:

       – Galeguinho… você vai pegar a bola e partir pra cima do beque esquerdo certo? Quando ele vier pra cima, você faz que vai sair pela direita, corta pro meio  e, quando ele voltar, você corta novamente pela canhota e cruza na cabeça do centerfor… Compreendeu?

        – Compreender, eu compreendi, seu Manu. Mas o senhor também explicou isso pro beque?

 

O único de passo certo

      Dona Argentina Custódio é uma mãe que se orgulha bastante do seu  rebento – o único, por sinal -, o incrível Agenor Fernandes. Tudo o que ele faz, para ela é graça.

       Os olhos da orgulhosíssima mãe só enxergam o amado filho. Para ela, Agenor nunca está errado; está sempre certo.

       Rapazote, ele foi servir ao exército e, numa dia de parada militar do Sete de Setembro, lá estava ele desfilando na avenida, de peito empolado. Parecia um general. Na plateia, dona Argentina comentava com as pessoas em volta:

       – Que lindo, o meu filho! No meio de tanto soldado, ele é o único que está marchando com o passo certo!

 

Bobeou e o cavalo soprou!

 

      O alazão preferido do colega Arivaldo Maia pegou uma gripe filha da égua e estava com a venta entupida. Aí, ele chamou um dos peões de sua fazenda e determinou:

      – Zé Maria, encha esse tubo aqui com esse pó descongestionante e introduza nas narinas do alazão. Em seguida, sopre com força.

       Um minuto depois, José Maria voltou à presença do patrão todo sufocado e com a cara ceia de pó.

       – O que foi que aconteceu, rapaz?! – Indagou o Ari.

       – Nada não, doutor. É que, quando eu me preparei para assoprar o pó na venta do cavalo, ele assoprou primeiro!