Ailton Villanova

29 de novembro de 2016

Apenas faltou ajuda!

     Rapaz inteligente, destemido, porém um tanto azarado, é Edelcidásio Carneiro, o Del. Aqui tem uma pequena prova disso.

 

     Determinado dia, sem querer, eis que se deparou com o lance mais perverso da infelicidade. Um ladrão escapou-lhe das mãos, não por burrice, conforme acusam alguns despeitados, mas por pura falta de sorte.

 

     O drama é o seguinte, meus caros:

 

      Quando era proprietário de um mercadinho no Tabuleiro do Martins, Edelcidásio flagrou um ladrão com a mão na massa, dentro do seu estabelecimento comercial. Aí, soltou o verbo em tom maior:

      – Êpa! O que é que você está fazendo aqui dentro, seu larápio safado?

      Surpreendido, o meliante não teve outra alternativa senão a de investir contra Edelcidásio, de faca na mão. Este esquivou-se do lance e, no movimento seguinte, deu garra de um tamborete e sapecou na cabeça do meliante: estrelinhas pra todo lado.

       Com a porrada, o bandido estendeu-se no chão, desmaiado. Dono da situação, Edelcidásio imobilizou o invasor e telefonou pra polícia:

       – Prendi um gatuno em flagrante! Por favor, venham buscá-lo!

       Não demorou muito, um carrinho fusca da PM, com uma dupla de soldados a bordo, parou na porta do mercadinho. Desceu um deles, que se dirigiu ao comerciante:

       – Cadê o elemento?

       E Edelcidásio com a maior cara de tristeza:

       – Escafedeu-se! Fugiu!

       – Mas como fugiu? – indagou o PM. – Você não falou que ele estava

rendido?

       – Estava, sim.

       – E como foi que esse fidapeste escapou?

       – Eu não tive culpa. Eu o amarrei, mas acontece que tive de deixa-lo com uma das mãos solta. E foi aí que…

       – Mas, rapaz, por que você não amarrou logo as duas mãos do pilantra?

       E o Edelcidásio, já puto com tanta pergunta:

       – Ora, porra, e quem era que ia botar o dedo na corda pra eu apertar o nó, hein?

 

Língua, a razão do sucesso!

      José Lucrécio Pereira sempre quis ser o bacana.      

     Achando-se bonito e irresistível, ele acreditava que todo o mulherio do mundo, um dia, cairia aos seus pés. De modo que, enquanto essa ocasião não chegava, ele seguia exercitando a sua atividade de conquistador de corações femininos. Qualquer mulher disponível pintasse no seu pedaço, ele cantava. Um dia, quase morreu de inveja ao constatar que havia na parada um sério concorrente: o negrão Osório “Merdinha!”, morador do Vergel do Lago.

      Um sábado e manhã, ao adentrar ao boteco do Biu Gogó de Sola, situado na Brejal, Lucrécio quase caiu para trás quando se deparou com uma insólita cena estrelada pelo tal de Osório: embriagado, todo sujo e cheirando mal, ele se achava rodeado de mulheres, cada uma mais gostosa que a outra.

      – Ô Biu Gogó, eu num entendendo mais nada nesta vida! – disse Lucrécio pro dono do boteco.

      – Quê que você num tá entendendo, rapaz?

      E Lucrécio:

      – Tá vendo, não? Olha só esse negão aí! Eu, um cara bonito, cheiroso e gostosão, dando a maior sopa e essa mulherada toda se abrindo pro imbecil. O que é que esse bunda mole tem que eu não tenho?

      E o Biu Gogó:

      – Sei não. Só sei que ele entrou aqui, pediu uma cachaça, coçou a sobrancelha com a língua e pronto! Esse monte de mulher caiu em cima dele!

 

Língua não é papel!

      Depois de ter tomado dois tubos de cachaça e rangado pelo menos cinco pratos de sarapatel, Grizelildo Pinto, o “Pintoso”, não teve como segurar o fígado velho de guerra. Resultado é que sobreveio uma cólica violenta, seguida de uma disenteria de lascar. Segurando a barriga, ele correu para o sanitário do bar onde bebia e… tome cocô! Hora e meia depois, o garçom começou a reclamar:

       – Ô pé-de-cana, será que você morreu aí dentro? Comequié, bicho? Tem gente querendo fazer precisão também!

       Do lado de dentro, Pintoso respondeu:

       – É que acabou o  papel higiênico, meu!

       – Ah, faça-me o favor! Por acaso você não tem língua?

       – É claro que eu tenho, porra! Mas não sou contorcionista!

 

Genros gozadores

     Geraldino Inácio e José Maria Pereira, são parceiros de farra desde os tempos de garotões, no bairro da Pitanguinha. Dia desses, tomavam “umas e outras” num barzinho da orla marítima, cada um querendo ser mais engraçado que o outro:

       – Estou pretendendo dar um presente jóia pra minha sogra no aniversário dela. – falou repentinamente o  Geraldino. – A minha ideia é dar pra ela um aparelho de 32 peças!

        – De louça? – quis saber Zé Maria.

        E Geraldino:

        – Não. É uma dentadura postiça!   Quá, quá, quááá…

       E o Zé Maria, não querendo ficar para trás:

       – Ah, esse presente é fraco. Bom mesmo é o que eu pretendo dar pra minha sogra.

       – Qual é?

       – Um lote no cemitério Parque das Flores! Ri, ri, riii…

 

Madame toda errada

      A porta do escritório de advocacia do doutor Cordeiro Lima encontrava-se aberta e entrou uma mulher gordona, toda alvoroçada e esbaforida, depois de subir uma escada caracolada:

      – Ai, doutor… Por favor, vá logo me dizendo: o que há de errado comigo?

      Cordeiro alisou o bigode, bateu o olho na figura de cima abaixo e, finalmente, falou com toda sinceridade:

       – Primeiro, a senhora deve perder uns 80 quilos. Segundo: ficaria melhor se usasse uma roupa mais discreta. Terceiro: sou advogado! O médico é no prédio aqui do lado!

 

Nome de cachorro

      O bêbado discutia com um parceiro numa mesa de determinado bar da periferia. De repente, parou e chamou o garçom:

      – Ô Antiógenes! Por favor, me socorre aqui. Qual é mesmo o nome daquele cara que tocou fogo em Roma?

      – Nero. – respondeu o garçom.

      – Puxa, é mesmo! Tava pensando que era Rex. Mas não tem problema. Tudo é nome de cachorro!