Ailton Villanova

25 de novembro de 2016

Um mendigo talentoso

      Existe uma mãe neste mundo que, pelos seus reiterados exemplos de desvelo e amor ao seu único rebento, o Agrinávio, ou melhor, o Navinho, merece receber a faixa de campeã mundial. Estou falando da extremosíssima dona Lenolina    Amado.

       Seu pimpolho Navinho estava completando 5 aninhos e a festa comemorativa prometia superar as expectativas. Lenolina contratara um dos bufês mais categorizados da praça e uma trupe de palhaços para abrilhantarem ágape.

       Então, chegou o dia, que foi o 5 de julho, o pessoal do bufê compareceu ao local dentro dos conformes do que fora contratado, mas os saltimbancos frocaram, quer dizer, não apareceram e nem justificaram a falta. Lenolina ficou pra morrer de contrariedade, mas a meninada convidada, nem aí! Na festa não ia ter bolos e guaranás? Então, para eles estava tudo bem!

       Festança principando, e aí batem à porta de dona Lenolina dois mendigos pedindo comida. Ela olhou para a dupla e propôs:

       – Posso arrumar alguma coisa pra vocês se fizerem um servicinho pra mim.

       – Pode dizer, madame, que a gente faz! – respondeu um deles.

       E ela:

       – Acontece que eu tenho uma lenha lá no fundo do quintal que precisa ser cortada. Se vocês derem conta do recado, vão ganhar bolo e guaraná…

       – Ôxi! Só se for agora, dona…!

       Imediatamente, os mendigos pegaram firme no serviço e madame partiu para cuidar de recepcionar a petizada, acompanhantes e demais convidados.

        Entre uma atenção e outra, Lenolina corria até a porta da cozinha e espiava pro fundo do quintal:  e os mendigos empenhados febrilmente no serviço.     

        Numa das suas espiadas, a dona da casa viu que um dos caras dava incríveis maiores cambalhotas, e animou-se toda. Ela correu até o quintal e elogiou o mendigo acrobata:

         – Mas que coisa incrível!

         – O quê, dona? – quis saber o outro mendigo.

         – Esse seu amigo tem um talento incomum! – elogiou a madame. – Que cambalhotas sensacionais ele sabe dar!  Será que ele toparia fazer isso para as crianças por 50 reais?

           Então, o mendigo gritou pro colega, que não parava de pinotear:

           – Ei, Ismael, você topa outra machadada no dedão por 50 reais?

 

Muito bem recompensado!

     Edmálzia e Petronilo Pacífico constituíam um eloquente exemplo de casal apaixonado. Todavia, como não existem nem felicidade e nem paz completas, belo dia registrou-se um fato lamentável na convivência dos dois. Seguinte: na ocasião em que Edmálzia encontrava-se preparando o almoço, a panela de pressão entupiu e explodiu em seu rosto, causando-lhe graves queimaduras. Petronilo só faltou enlouquecer quando viu a amada com o rosto desfigurado. Imediatamente, conduziu-a ao hospital, onde os médicos concluíram que a única solução para reconstituir-lhe a face, era o transplante de pele. Prontamente, o apaixonado marido ofereceu-se para ser doador. Depois de examinarem percucientemente o  distinto, os doutores concluíram que a única pele que serviria para o transplante era a da bunda dele.

 

      Marido e mulher concordaram em fazer a cirurgia plástica, prometendo guardar segredo desse detalhe um tanto constrangedor.

       A operação transcorreu tranquila e coberta do mais absoluto sucesso. Algumas semanas depois, Edmálzia já estava completamente recuperada, com uma pele maravilhosa no rosto. Todo mundo elogiando o trabalho dos cirurgiões.

       – Ai, meu amor, você foi  tão generoso, tão maravilhoso…! Eu faria faria qualquer coisa para retribuir o seu gesto! – derramou-se a bem agradecida e emocionada Edmálzia.

       E o Petronilo:

       –  Não precisa fazer nada, minha querida. Toda vez que sua mãe vem aqui e lhe beija as bochechas, já me sinto recompensado!

 

Escalado para o show

      Gelásio e Rodésio, o primeiro baixista e o segundo baterista, eram muito amigos. Tocaram juntos por muito anos na noite e numa madrugada, depois de uns grogues a mais, combinaram que o primeiro que morresse voltaria pra contar pro outro como é a coisa “do  outro lado”. O primeiro a bater as botas foi o Gelásio. Semanas depois, ele baixou numa sessão e espírita, e pediu para chamarem o colega, que chegou lá meio apreensivo.

       – Pô, Géo, você veio mesmo! Senti firmeza! – alegrou-se, finalmente, o Rodésio.

       – Pois é, meu chapa! Voltei pra cumprir aquela nossa promessa e tenho duas notícias do além pra lhe dar. Uma boa e outra ruim!

       – É mesmo, cara? Manda ver logo essas notícias!

       – Bem, a boa é que o céu é o maior barato, meu irmãol! Tem show dia e noite, sem parar! Já toquei com tudo que é fera do jazz, do rock, da MPB…! Dei canja até com o Tom Jobim e o Frank Sinatra!

       – Puxa, cara, que legal! E qual é a notícia ruim?

       – É que o baterista não vai poder tocar no show de amanhã… E, por sugestão minha, você foi escalado!

 

Mendigo mal-agradecido

       Um empresário ricão e muito gente fina, estava saindo de um restaurante bacana da orla, quando foi abordado pelo dublê de mendigo e pinguço conhecido como “Caninha”:

        – Ô doutor, por gentileza… faz favor…

        – Pois não. O que deseja? – indagou o empresário.

        E o Caninha:

        – Olhando pro senhor, a gente vê logo que é uma pessoa abonada. Por acaso não poderia me doar a importância de 100 reais?

        O empresário nem discutiu. Meteu a mão no bolso, sacou um monte de notas graúdas e, do meio delas, tirou uma nota de 100, que deu pro cara, que não agradeceu.

         – Ei, espere aí! O que você vai fazer com esse dinheiro, que acabei de lhe dar? – perguntou o ricaço.

         E o Caninha, enfiando a nota no bolso:

         – Que curiosidade é essa? O que eu faço ou deixe de fazer com meu dinheiro não é da sua conta!

 

A placa era da esposa!

       Indicado por um político amigo do governador, o bacana foi nomeado para a direção geral de determinada repartição pública, onde só tem cobras – mestres, doutores, peritos de todos os seguimentos técnicos superiores, etc. Mal ele assentou o solado dos pés na repartição, quis impor a sua autoridade. De imediato, marcou uma reunião com a turma par dar o seu recado. Antes, porém, mandou afixar na porta de sua sala uma placa com os seguintes dizeres:

         “Aqui, quem manda sou eu!”

         Terminada a reunião, que foi breve e cômica, o novo diretor deu de cara com um bilhete pregado junto à placa:

         “Sua esposa ligou pedindo para que devolva a placa”.

         E o boçal não emplacou uma semana na repartição.

 

Cortou o barato do marido!

      Aquele casal que havia acabado de contrair núpcias não dava muita atenção à limpeza da casa. Desde que começaram a morar juntos, nunca haviam feito uma faxina e isso não incomodava nem um pouco aos dois, até o momento em que o marido gritou do corredor:

       – Amor, o que houve aqui no quarto? Você limpou a casa?

       – Sim, por quê? – respondeu a mulher.

       E o marido, desapontado:

       – O que você fez com a poeira que estava em cima do criado-mudo? Eu tinha anotado um número de telefone importante nela!