Ailton Villanova

24 de novembro de 2016

E o papai levou!

   Asdrovinaldo Pereira é um indivíduo subjugado. Filho único do casal Pedro Praxedes/Eutúrbia (Tutu), foi criado sob severo controle da mãe, castradora ortodoxa. Até bem pouco tempo ele era feito cãozinho de coleira. Aos 45 anos de idade, continuava solteiro. Namoradas teve inúmeras, mas elas sempre corriam da parada, face as ingerências de dona Tutu no relacionamento do filho com as referidas.

      Certa noite, debruçado na mesa de um bar, Asdrovinaldo dava a entender que estava curtindo um tremendo desgosto, quando se aproximou dele um amigo de longas datas:

       – Que tristeza é essa, rapaz? Olha, vou te contar… bebida não acaba com a frustração de ninguém. Por que você não arruma uma namorada?

       E Asdrovinaldo:

       – Bem que tenho tentado, Linduarte…

       – E o que é que está faltando?

       – É que quando eu arrumo uma garota, minha mãe complica.

       – Complica como?

       – Ela sempre está achando algum defeito na garota. Uma vez fala que a moça é gorda! Outra vez, diz que é magra demais! É fogo! Quando não é isso, elas todas são umas safadas e se vestem mal.

       – Acho que tenho uma ideia, meu irmão!

       – Que ideia?

       O jeito é você arrumar uma namorada que seja parecida com sua mãe; que tenha os mesmos gostos que ela.

         – Vai ser difícil, Linduarte.

         – Não custa nada tentar.

         Depois desse papo, os amigos se despediram e cada um foi pra sua respectiva casa. Semanas depois, Asdrovinaldo e Linduarte se encontraram novamente no mesmo bar. Asdrovinaldo estava mais derrubado que da vez anterior.

 

 

 

 

             – Não é possível! – exclamou Linduarte, quando reparou no semblante do amigo. – Derrubadão de novo! Quê que houve dessa vez?

             – Tá lembrado do conselho que você me deu?

             – Claro.

             – Pois eu o segui…

             – Arrumou a namorada parecida com a sua mãe?

             – Arrumei. Tem o mesmo jeito, a mesma cara… usa até roupas idênticas!

             – E então, por que essa tristeza?

             – Ela se apaixonou por meu pai e os dois fugiram!

 

 Ah, que inveja!

      Velhos amigos, Geofredo Cirilo e Teotônio Benjoíno  encontraram-se na rua, depois de mais de dez anos sem se avistarem uma vezinha, sequer. Depois do abraço, Cirilo falou:

       – Tu não mudou nada, rapaz! A mesma cara!

       – Digo a mesma coisa de você! – retrucou Benjoíno.

       – E a família, como vai?

       – Vai bem. Tenho quatro filhos lindos!

       – Quatro filhos? Que beleza! Ah, se eu tivesse quatro filhos…

       – Você não tem filhos?

       – Tenho oito!

 

Ah dúvida cruel!  

       Regurginaldo e Sitênia faziam constituíam um casal festeiro pra mais da conta. Por qualquer motivo, abria o casarão que possuía na parte mais privilegiada da cidade e o pagode rolava até o dia amanhecer. O negócio era banda voou, mesmo!

       Uma manhã, depois de uma festa violentíssima, marido e mulher acordaram com a maior ressaca.

        E o Regurginaldo:

        – Amor, me tira uma dúvida… Foi com você que eu transei ontem à noite?

        Madame pensou um pouco e respondeu:

       – A que horas? 

 

 

Saindo “de bandinha”

       Depois de longo tempo de namoro e noivado com a professora Maria Abelarda, o distinto Virgulino Fajardo decidiu casar com ela. Na véspera das núpcias, seus colegas de trabalho organizaram a tradicional “despedida de solteiro”, com direito a incontáveis biritas. No meio da festança, resolveram tirar uma onda com ele:

        – Então, meu, como é que vai ser o barato na noite de núpcias: na base da tartaruga ou na base do canguru?

        – Como assim?

        Esclareceu  um dos colegas:

       – Se for na base da tartaruga, a noiva fica paradinha e você dá um trato nela logo hoje. Se for à moda canguru, você dá um pulo e deixa pro dia seguinte…

        E ele:

        – Então, vai ser na base do caranguejo!

 

Puxa, que pontaria!

      O velho Manuel Gusmão, guerreirão incansável, finalmente “descansou para sempre”. Esticou as canelas em consequência de um infarto traiçoeiro, num começo de manhã. Seu corpo, espichado num caixão de madeira, seus parentes e amigos em redor, mil assoados de venta e dona Galdina, a viúva, muito digna, falando das qualidades do falecido a uma antiga colega de repartição:

       – O Nenéu era tão fino… tão decente… Um verdadeiro cavalheiro à moda antiga! Nunca tocou num fio do meu cabelo!

        – Nem uma encostadinha? – perguntou a colega, admirada.

        – Nem uma encostadinha! – garantiu a viúva.            

        – Que pontaria que ele tinha, hein?

 

Essa não!

      Dircinha, a gostosa babá do garotinho Djalminha, tinha ganhado um mês de férias e se preparava para viajar. Aí, a patroa, uma madame muito distinta, pegou o filhinho e levou até a babá:

       – Vamos, filho, dê um beijo de despedida na Dircinha!

       E o menino, emburrado:

       – Não! Tenho medo!

       – Medo por que, meu anjo?

       – É que outro dia, o painho deu um beijo nela e levou um tapa na cara!

 

Motorista prevenido       

       O sujeito engravatado, com toda pinta de advogado, entrou o taxi do Argonaldo no centro da cidade e, todo cheio de direito, ordenou:

       – Toca pra penitenciária!

       Meia hora depois, chegaram ao destino e o camarada falou pro taxista:

       – Aguenta aí cinco minutinhos, que eu volto já!

       Argonaldo rebateu:

        – Nada disso! Trate logo de pagar! O último cara que eu trouxe aqui demorou cinco anos pra sair!