Ailton Villanova

23 de novembro de 2016

Que força de vontade!

          Quer ver uma baixinha segura de grana? Pois então peça para ser apresentado à jornalista Fátima Vasconcellos. Diz o colega Paulo Omena, operoso diretor do nosso sindicato, que ela tem uma nota preta guardada no banco. Recordo, que dia desses, outra colega, a repórter Ana Márcia – aqui da Tribuna Independente e esposa do nosso editor-geral Ricardo Castro -, me garantiu que Fatinha está juntando milhões de dólares para gastá-los, todinhos, na sua campanha à Assembleia Legislativa.

          Há bem pouco tempo, ela estava saindo do shopping cheia de sacolas de compras, momento em que foi abordada por um mendigo desses bem lascados, que lhe estendeu a mão e disse:

           – Madame… estou sem comer faz quatro dias…

          Ela deu uma paradinha, fitou o infeliz e retrucou:

          – Mas que legal! Eu gostaria de ter a sua força de vontade!

 

Apenas uma comerciante

          Assim que foi promovido a delegado, o colega João Mendes da Silva, policial austero e competente, assumiu a titularidade do 1° Distrito de Polícia da Capital, prometendo disposição para por ordem em toda área central da cidade, que andava infestada de bangunceiros, viciados em tudo quanto era droga, traficanters e prostitutas. Começou por estas últimas, eliminando o famoso “trottoir”, que se concentrava na Praça do Montepio e na Avenida da Paz, a partir do cair da noite.

          Dirigindo ele próprio, uma viatura do 1° DP, o delegado Mendes comandava as blitzen. Ao abordar uma mundana na Praça Deodoro, ele deu o recado:

           – Acabou-se esse comércio de sexo na minha circunscrição. Isso é proibido por lei!

          E a mulher:

          – Mas doutor, eu não vendo sexo!

          – Ah, é? Vende não? E o que é que você faz aqui, rodando a bolsinha?

          – Ora, doutor, eu vendo preservativos e ofereço demonstrações gratuitas…

 

Saindo antes que piore…

         Festa de aniversário na residência do distinto cidadão Tegucigalpo Frazão. A nataliciante era a mulher dele, dona Guenacilda, madame 

 

 

finíssima. Num canto da sala de visitas, um grupo de maridos discutia a respeito da beleza e sensualidade das mulheres, enquanto a maioria destas se reunia na varanda. Outras, espalhavam-se pela casa. Sentada próximo aos homens, dona Didi, mãe da aniversariante, escutava o papo.

           – Acho que a parte mais sensual da mulher é a boca! – manifestava o convidado Valdiclécio.

           – Pra mim são as pernas! – opinavas outro, o Isaías.

           – Olha, eu acho que são os olhos. – dizia Caldinez, irmão do dono da casa.

           Nesse ponto, dona Didi resolveu também pronunciar-se:

           – Acho melhor eu ir saindo daqui, antes que um de vocês resolva e falar a verdade!

 

Coitadinha da mãe!

          A família Queiroga finalmente conseguiu mudar de residência. O chefe da clã, Eutérbio, havia feito um esforço danado para terminar a construção da casa dos seus sonhos. De modo que, num sábado de tardinha, ele, a mulher Percivalda e o casal de filhos já estavam curtindo o novo lar. Aí, Fabinha, a caçula, achou por bem dar a novidade à avó, no Recife: pegou o telefone e ligou pra ela:

           – Oi, voínha! A gente já tá na casa nova!

           – Que bom, meu anjo! Você está gostando?

           – Tô, voínha! Tem um quarto pra mim e outro pro Rafinha.  Só a coitada da maínha é que vai continuar dormindo com o painho!

 

Bastante familiarizado

            Ao passar pelo corredor que leva ao almoxarifado de sua construtora, doutor Zacarias Umbelino escutou um barulho estranho do lado de dentro da porta. Aí, não contou conversa: abriu-a de supetão e deu de cara com o auxiliar Aglibaldo puxando o maior ronco, debruçado sobre o tampo do birô:

              – Ei, rapaz! Dormindo em serviço, hein?

              Aglibaldo acordou todo escabriado:

              – Não estou dormindo não, chefia! É que o serviço é tão fácil que eu faço de olhos fechados!