Ailton Villanova

22 de novembro de 2016

Um banho de mar afrodisíaco

     Possuidor de dezenas de imóveis alugados, meia dúzia de carrões, praticamente zerados, guardados na ampla garagem de sua mansão, localizada no bairro nobre maceioense do Farol, motorista à disposição a qualquer hora do dia ou da noite, o velho Jucondino Xavier completou 86 anos de idade, 50 de viuvez, gastando dinheiro adoidado pelo mundo afora. Numa paradinha em Salvador da Bahia, conheceu a garçonete Maria Noêmia, morena de curvas perigosíssimas. Na hora, apaixonou-se perdidamente pela baiana e não hesitou em pedi-la em casamento.    

      A princípio,  Noêmia renegou a proposta do velho, mas quando soube que ele era milionário, aceitou casar-se com ele, depressinha.

      Correram os meses e um barato passou a preocupar seu Jucondino tendo ele, então, resolvido procurar um médico amigo, o doutor Hioideo – meio japonês, meio brasileiro -, com quem se abriu:

      – Doutor, há mais de oito meses que eu e minha neguinha estamos casados e nem sinal de gravidez. Temos tentado e nada! Será que ela é estéril?

      – Hmmmm…

      – E se for, será que o doutor teria aí um remédio para esterilidade?

      E o esculápio:

      – Qual a sua idade, seu Jucondino?

      – Oitenta e sete…

      – E sua esposa?

      – Vinte e dois!

      Doutor Hioideo coçou o queixo, pensou um pouco disse:

 

       – No seu caso, creio que um belo banho de mar poderia resolver esse problema!

       – Banho de mar?! Não diga! Coisa tão simples, né?

       – Simples…

       Cinco meses mais tarde, o milionário Jucondino Xavier voltou ao consultório médico:

       – Deu certo não, doutor! Tudo quanto foi praia neste mundo minha mulher frequentou  e, infelizmente… nada de pegar bucho!

       E o médico:

       – Ah, mas do jeito como o senhor está fazendo, não dá certo mesmo!

       – Como assim?

       – O senhor vai sempre com ela?

       – Claro! Eu não largo a minha neguinha de jeito nenhum!

       – Pois é… Pra engravidar, ela tem que ir sozinha à praia. Sozinha, entendeu?

 

Ooohhh, que morte linda!

        O sujeito estava doidão. Trepado no alto de um prédio de oito andares, ele ameaçava atirar-se para a morte. O relógio marcava mais de meia-noite.

        – Eu quero morrer! Eu quero morrer! – berrava o cara.

        Em pouco tempo juntou-se um monte de gente, na calçada e na rua, para vê-lo estatelar-se no asfalto. Polícia, Corpo de Bombeiros, repórteres… todo mundo de cara pra cima. Uns gritavam “pula!” “pula!”, outros diziam “não faça isso!”  

 

         De repente, para horror da distinta plateia, o suicida se lançou no espaço. No mais profundo silêncio, a multidão acompanhou a trajetória do corpo no ar. A pouco metros do chão, o suicida caiu sentado no mastro de uma bandeira, que atravessou o seu corpo inteiro.

          – Oooohhhh… – foi o clamor da multidão.

         Em seguida, veio novo e respeitoso silêncio, imediatamente quebrado pelo comentário emocionado de uma bicha, que fazia parte da plateia:

          – Aaaiii, que morte liiinnnda, meu Deus!

 

Surpreeesa, tchaaan!

        A baixinha Maria de Fátima Vasconcellos, jornalista competente, saiu apressada para o trabalho e, no meio do caminho, lembrou-se que havia deixado sua agenda em casa. Fez meia-volta no carango e, num instantinho, estava parando na porta do lar. Subiu as escadas correndo e naquilo que pisou no solo domiciliar, flagrou a nova empregada se emperequetando toda, com o seu batom recém-importado da França:

          – Estou surpresa, Vanderléa!

          E a criada:

          – Imagine eu, doutora! Pensei que a senhora já estava no trabalho!

 

Sexo, sexo, sexo…

          A Boneca estava saindo do cinema, isso na época em que o Cine São  Luiz reinava na Rua do  Comércio de Maceió. Aí, ela topou com uma colega de viadagem na fila da segunda sessão:

           – Olááá Jotilênia! Você por aqui!!!

           – Pois é, Agazinho… Me disseram que o filme é lindo! Você gostou, queridinha?

           – A-do-rei!  Sexo, sexo… muuuiiito sexo!

           – Ué, mas não é um filme religioso?

           – Estou falando na plateia, meu amorrr. Na plateia!

 

Atrasado demais!

          Analfabetão, o galego Agadelício sempre foi um sujeito esnobe, boçal pacas. Gostava de exibir-se para todos, como se fosse o dono do mundo. Um dia, ao escutar alguns colegas de trabalho elogiando o espetáculo musical que estava sendo exibido no Teatro Deodoro, ele não quis passar embaixo:

           – A propósito, amigos, eu e minha noiva vamos hoje ver esse concerto hoje à noite.

           À noite, com o espetáculo já iniciado, Agadelício entrou no teatro pisando firme, de braço dado com a noiva. Ele e a moça sentaram-se em poltronas contíguas e, mal se acomodaram, Agadelício perguntou ao cara do assento ao lado, bem alto pra toda a plateia escutar:

           – Ô meu amigo, o que é que a orquestra está tocando?

           E o indagado, bastante atencioso:

           – É a quinta sinfonia de Beethoven.

           E ele, mais boçal, ainda:

           – Mas já é a quinta? Puxa vida, não pensei que estivesse tão atrasado!

 

 

 

Seria a mesma hora

       Depois de ter participado de uma bruta farra, o distinto Eustórgio Abaeté voltou pra casa pra lá de embriagado e encontrou dona Antonieta, a cara esposa, mordida da vida:

        – Sabe que horas são, seu sem-vergonha? Três horas da manhã! Se acanha não?

        E ele:

        – Ué, me acanhar de quê? Se eu tivesse ficado em casa seria exatamente a mesma hora!