21 de novembro de 2016

Ausência de consenso.

Acabo de receber a Revista Brasileira de Ortopedia (RBO), volume 51 no.5 setembro/outubro de 2016.

Seu editor Gilberto Luis Camanho, um dos nomes mais respeitados no tratamento das patologias do joelho, escreve editorial: “RBO sem consenso”.

Camanho, Targa e Eu fizemos concurso para assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo no ano de 1975. Fomos aprovados nessa ordem. Os dois ficaram no HC. Voltei para Alagoas.

Concordo plenamente com o editorial quando Camanho fala na ausência de consenso na RBO.

A medicina é uma ciência viva e inexata. Dai teremos sempre dificuldade no que diz respeito a consenso.

Não resta dúvida que o ideal seria que em todos os serviços médicos os protocolos fossem instalados e seguidos, porém com a ciência médica sempre em evolução o que hoje é “dogma de fé” amanhã pode não ser.

E assim, dentro da especialidade de ortopedia, o editor chefe da RBO cita vários casos de papas da ortopedia mundial que criaram dogmas que inclusive atrasaram o desenvolvimento da especialidade.

Cita alguns estrangeiros. Não os desmerecendo, porém dizendo que como Dejour, por exemplo, era considerado um ser intocável na cirurgia do joelho, dificultou a evolução por décadas do conhecimento da instabilidade femoropatelar.

O que não podemos perder de vista é o consenso, o protocolo, que diz ser a medicina uma ciência inexata e viva, porém humana e assim sendo trata do ser vivo. Tendo que ter cada vez mais, além do conhecimento científico, o olhar característico que merece a pessoa que procura tratamento já fragilizada pela dor da doença que possui.