Ailton Villanova

17 de novembro de 2016

Reverendo explorado e escaldado

Bastante simpática, charmosa e muito da gostosa, madame Erotildes tinha a mania de trancar o filho Juninho no armário de seu quarto de dormir, para ele não perturbar enquanto a casa estava sendo submetida a faxina. O menino não parava quieto um instante sequer, de noite ou de dia. Além dessa, a grande preocupação de Erotildes era, justo, o amante, que ela mantinha em segredo, debaixo de sete capas. Seu marido trabalhava dois expedientes, às vezes três, numa empresa de construção civil. Certo dia, ele voltou mais cedo pra casa e o amante – que lá se achava bem à vontade, nos braços de Erotildes -, teve de enfiar-se no armário, onde o garoto se encontrava trancafiado. Todo cismado, ele procurou disfarçar, puxando papo com o fedelho:

      –  Isto aqui está muito escuro, não está?

      – Tá! – respondeu Juninho.

      O amante ficou tentando encontrar um motivo para distrair o garoto. E ele:

      – Quer comprar uma bola de futebol, moço?

      – Quero não. Não gosto de jogar…

      – Tem certeza? – insistiu o menino, aumentando o tom de voz.

      – Eu compro! Eu compro! Quanto é?

      – Cinquenta reais!  

      – O quê???!!! É rou… Está bem. Não estou na posição de reclamar e nem de regatear nada.

      Na semana seguinte, coincidentemente, aconteceu a mesmíssima coisa. Os céus estavam conspirando contra os amantes. Dentro do armário, Juninho repetiu a dose anterior:

      – Quer comprar uma camisa do Flamengo?

      – Sou vascaíno!

      – Quer comprar ou não quer? – o garoto insistiu quase aos berros.

      – Shhhh… Quero! Quero! Quanto é?

      – Cem reais!

      – O Quêêê? Cem reais?! Ok! Ok!

      Estando de folga no fim de semana, o marido de Erotildes chamou o filhinho adorado para bater uma bolinha no campinho do quarteirão, mas o menino não aceitou o convite, com uma bela justificativa:

      – Não vai dar, painho. Vendi a bola e a camisa do Flamengo.

      – Vendeu? Por quanto?

      – Cento e cinquenta reais.

      – Deus do céu! Mas isso é roubo, meu filho! Vá já pra igreja se confessar. Cento e cinquenta reais por uma camisa do Flamengo e uma bola, é extorsão! E extorsão é pecado!

      Juninho correu para a igreja. Chegando lá, ajoelhou-se no confessionário bem na hora em que o sacerdote foi chegando:

     – Oi, seu padre! Tá escuro aqui, né?

     E o religioso, muito puto:

     – Ah, não comece com esse papo, porque hoje eu não vou comprar porra nenhuma!

 

Camisinha no gargalo

     Padre Evilásio era treloso demais! Um dia, andou transando com uma paroquiana de “utilidade pública” e acabou contraindo uma doença sexualmente transmissível (DST). Apavorado, procurou o doutor Aldegundes Barata e tentou levá-lo no papo:

     – Pois é, doutor, não sei como foi que eu peguei essa doença. Eu tenho a impressão que foi uma cerveja gelada que bebi, semana passada…

     E doutor Aldegundes, cheio de ironia:

     – É, deve ter sido isso, padre. Da próxima vez que for tomar uma cervejinha gelada, coloque uma camisinha no gargalo.

 

Afinal, ele era um bispo!

     Um cidadão muito distinto, bem apessoado e elegante, entrou no consultório do médico Hipoclorildo Barbosa para fazer um checape geral.

     Depois de medir-lhe a  pressão, tirar-lhe o eletro e fazer todos os exames clínicos pertinentes, o doutor passou a entrevistá-lo, com vistas a um possível diagnóstico:

     – Quantas vezes por mês o senhor tem relações sexuais?

     – Duas! – respondeu o cidadão, meio sem jeito.

     – Só, duas?! Mas sua saúde é perfeita! O senhor está em plena forma! Eu que sou bem mais velho que o senhor transo três vezes por semana…!

     E o paciente:

     – Mas o senhor é médico. Eu sou bispo!

 

Bico Doce é… a mãe!

     Padre Oséas era chegado a uma cachacinha. Até na missa ele biritava, camufladamente. Ele fazia o seguinte: a misturava aguardente com o vinho de uva utilizado nas missas e chamava na grande. Em razão dessa sua preferência pelo álcool, a molecada da paróquia o apelidou de Bico Doce. Evidentemente que ele não gostava do apelido.

     Uma bela tarde de domingo, durante a procissão da padroeira, lá ia o reverendo puxando os cânticos e aquele monte de fiéis acompanhando, em coro. Entre esses, a molecada pronta para tirar uma onda com ele. Até que, num determinado momento, o padre caprichou na entonação do tradicional cântico:

     – “O meu coração/ é só de Jesus/ e a minha alegria…

     – Bico Doce!

     – …é o cu da mãe!

 

Apenas um engano!

     Entre as grandes virtudes do padre Nildo destacava-se a sinceridade. E, como não há bom sem defeito, ele tinha lá o seu pecadinho: era muito indiscreto. Certa ocasião, encontrava-se cochilando no confessionário e aí foi despertado por uma mocinha, cujo semblante denotava aflição:

     – Padre, por favor… me dê o seu perdão!

     E ele, cheio de paciência, outra de suas virtudes:

     – O que houve, minha filha?

     – É que eu tenho cometido com insistência o pecado da vaidade…

     – Vaidade, hein?

     – É, padre. Duas vezes por dia, eu me olho no espelho e fico admirando a minha beleza!

     O sacerdote sorriu e tranquilizou, com sapiência:

      – Ora, minha filha… isso não é pecado. É só um engano!