Ailton Villanova

8 de novembro de 2016

O carango pagou o pato!

     Preocupadíssimo, o ex-gordinho gordinho Miguel Pierri ligou pro parceiro Leonardo Simões, boquinha da noite de uma sexta-feira:

     – Léo, a gente tem que fazer alguma coisa pelo nosso amigo Denisson Petronilho…!

     Leonardo deu um pinote da cadeira, passou a mão na careca e indagou de olho arregalado:

      – O que foi que houve com ele?

      Miguel aduziu:

      – Ainda não houve, mas vai haver!

      – Como assim?

      – O cara está indo à falência, meu irmão! Depois que comprou aquele carrão de 5 mil cilindradas e 22 válvulas, só anda liso de grana! Já tirou três  empréstimos bancários, só pra pagar a gasolina consumida pelo bicho, em apenas três dias!

      E o Leonardo:

      –  Eu bem que o aconselhei comprar um carrinho mais econômico… um fusquinha, por exemplo! Olhe só o resultado! Cadê ele?

      Miguel fez aquele drama:

      – Olha, na última vez que o vi, ele estava querendo subir pelas paredes, sem a ajuda de uma escada. Sua situação complicou ainda mais, quando os três cachorrinhos de estimação da esposa, desidrataram…

      – Aqueles cachorrinhos lindinhos?

      – Os próprios!

     – Desidrataram como?

     – O Denisson inventou de fazer uma viagem à Recife, levando os coitadinhos…

      – Ih, rapaz! Com esse calorzão de lascar, os bichinhos só podiam desidratar! Por que ele não baixou os vidros do carro para arejar o ambiente?

      – O problema, Léo, é que ele levou os bichinhos na mala sob a alegação de que, desse modo, evitaria que eles sujassem o estofamento do carro. Aí, meu irmão, aconteceu a catástrofe!

      – Catástrofe?! Putaquipariu! Ele bateu com o carro? Atropelou  e matou alguém?

      – Não! Nada disso! A catástrofe a que me referi foi a caganeira que deu nos cachorrinhos! O carro está que ninguém pode chegar perto, de tanto fedor! Se a gente não segurar o nosso amigo, acho que ele vai fazer uma besteira…!

     – Que tipo de besteira, por exemplo?

     – Tocar fogo no carro!

    Os amigos Miguel e Leonardo chegaram tarde demais!

 

A bicicleta amada

     O simpático e eficiente auxiliar de escritório intitulado José Coriolano Costa representa o mais eloquente exemplo de zelo e amor à propriedade, principalmente quando ela é adquirida a custa de muito suor e sacrifício.

     Coriolano adquiriu uma bicicleta – que a frescura atual insiste em chamar de “báique” -, pela qual passou a ter um cuidado exagerado! Afinal, é o único meio de transporte de que dispõe para se deslocar de casa pro trabalho e vice-versa.

     Boa pinta, tem arrancado alguns suspiros do mulherio quando trafega pelas vias citadinas, pedalando a sua bicicleta. E foi numa dessas idas e vindas pedalativas que conheceu uma jovem encantadora.  Devidamente papeada, a garota aceitou montar na garupa da bicicleta do galã e rumaram, os dois, para um colóquio horizontalino, num motel situado na parte alta da cidade. Logo na entrada, a menina teve de esconder a cara porque não queria ser vista naquela humilhante situação.

      Na garagem do apartamento do motel, o casal começou a se desentender, porque o Coriolano inventou de subir a escada de acesso ao quarto com a bicicleta nas costas.

      A moça reclamou:

      – Que presepada é essa? Deixe a bicicleta na garagem!

      E ele:

      – Deixo nada! De repente pode aparecer um ladrão…

      – Que ladrão que nada, rapaz!

     – Nunca se sabe, não é minha querida?

     Aí, a garota fez finca-pé:

     – Eu não subo pro quarto com essa bicicleta junto! Isso é palhaçada! Ou você deixa essa porcaria aqui em baixo ou…

     – …“ou” o quê?

     – Ou eu vou embora!

     – Então, vá!

     Decepcionada,  a moça se mandou a pé, levantando poeira no asfalto.  

      Na manhã seguinte, Coriolano acordou no fofinho da cama redonda, abraçado com a amada bicicleta.

 

Sentindo nadinha!

      Doutor Arnaldo Costelo resolveu comemorar o aniversário natalício de dona Heribalda, sua esposa, num sítio que possui na última curva do Barro Duro. Aí, convidou todos os funcionários de sua firma, inclusive os canalhinhas Peribaldo e Aniceto, que inventaram de fazer uma maldade com o velhote Ranulpho Aragão, porteiro do escritório da empresa do anfitrião.

        Evangélico histórico, seu Ranulpho encontrava-se quietinho no seu cantinho, apreciando a rapaziada se divertir. De repente, encostaram nele os safados Peribaldo e Aniceto, este último carregando um copo contendo um líquido esverdeado, que não era outro senão uma fortíssima batida de limão:

        – Vai um refresquinho de limão, seu Ranulpho?

       O velho alegrou-se:

       – Tá bom o refresco de limão?

       – Tá joia! Pode beber à vontade!

       Seu Ranulpho bebeu tudo de uma vez. Os cafajestes vibraram. Queriam ver o coitado embriagado e fazendo besteira na festa.

       – Tá sentindo alguma coisa, seu Ranulpho? – quis saber o Aniceto.

       – Tô sentindo nada!

       Aniceto encheu novamente o copo do velhusco:

       – Beba mais!

       Ele bebeu a batida como se fosse água.

       – E então? Tá sentindo alguma coisa?

       – Nadinha!

       – Beba mais!

       O velho deixou o copo limpo.

       – E agora, seu Ranulpho? Tá sentindo o quê?

       – Tô sentindo porcaria de nada!

       A dose seguinte entornou no copo. O vetusto continuava não sentindo nada. Aí, o Aniceto impacientou-se:

        – Qualé, seu Ranulpho?! O senhor não está sentindo nada mesmo?!

       E ele, vendo o mundo rodar:

       – Num tô sentindo nada! Num tô sentindo as pernas… Num tô sentindo os braços… num tô sentindo o pescoço… Num tô sentindo a cabeça…

 

Tudo, menos cortina!

     O popular Zé Estácio entrou no Bar do Duda com cara de poucos amigos. Reparando no detalhe, Djavan, filho do dono da casa e gerente da sobredita, perguntou pra ele:

    – Quê que tá havendo com você, rapaz?

    – É que eu tô muito nervoso! – respondeu.

    – Nervoso por quê?

     – É que peguei a minha filha e o namorado no maior sarro, lá em casa. O safado não parava de bolinar os peitinhos dela. Até aí, tudo bem. Daí a pouco, olha a menina com a mão no pinto do sujeito! Tudo bem, eu tolerei, igualmente. Não demorou muito, os dois estavam transando. Eu também tolerei. Mas quando vi o filho da puta limpando o pau na cortina, aí não tolerei! Dei a  maior alteração e botei o safado pra fora da minha casa!

 

Lugar ruim de morrer

     Athaydes Ferreira, corretor de imóveis  “desabutinado”, tem um papo de derrubar avião. Hoje em dia, ele prefere atuar na área rural, porque adora enfrentar desafios, conforme faz questão de dizer. Belo dia, foi visto tentando vender uma casa ampla e confortável, lá pras bandas de Água Branca. Na ocasião, dizia ao cliente:

      – Olha, amigo, este lugar tem o melhor clima do Brasil, pode crer! A água é a mais pura! Pra lhe dizer a verdade, aqui ninguém morre!

      – Não acredito!

      – Pois acredite.  Pro amigo ter uma ideia, em 10 anos só morreu uma pessoa por aqui!

      – E quem foi o infeliz?

      – Justamente o médico. Dizem que ele morreu de fome!