Ailton Villanova

28 de outubro de 2016

A desculpa furada do Didi

Com Diego Villanova

 

     Boêmio inveterado, mulherengo incorrigível. Este é o perfil do Adilblânio Lira, o Didi, cujo estoque de mentiras e desculpas que bolou para dar em casa, já esgotou-se faz um tempão. A esposa, dona Clarete, “é uma verdadeira santa”, reconhece o safado do marido.

      O Didi é dono de um depósito de material de construção  e só não entrou ainda em falência porque dona Clarete tem segurado a barra. Enquanto ela gerencia a firma com muita competência, o sujeito se esbalda nas farras com as negas, pelos quatro cantos da cidade. Em assim sendo, por que haveria de se ligar no 1° de setembro, data natalícia da dedicadíssima consorte?

     Justo nesse dia – coincidência danada! -, Didi cismou de voltar mais cedo pra casa.

     O relógio estava assinalando meia-noite. Naquele momento, era dada por encerrada a festinha que Clarete tinha bolado para comemorar o seu aniversário, juntamente com familiares e alguns vizinhos mais chegados.

     Aí, entrou o Didi, todo espantado:

     – O que é que está havendo aqui, mulher?! Tanta gente saindo! Alguma festa?

     E ela:

     – Tá lembrado não que dia é hoje?

     – Parece que é quinta-feira, não é?

     – É quinta-feira, sim. Você não está lembrado de mais nada, Didi?

     – E do que eu deveria me lembrar, por exemplo?

     – Do meu aniversário! Hoje é o dia do meu aniversário!

    O cara bateu na testa, com a mão espalmada:

     – Eita diabo! Esqueci do seu aniversário, minha filha! Pelo amor de Deus, me desculpe! A culpa foi daquela reunião danada de longa, lá no clube!

      Dito isto, Didi se dirigiu ao quarto de dormir e começou a tirar a roupa. Dona Clarete, que estava de olho nele, reparou num detalhe interessante:

       – Ôxi! Cadê a cueca?

       Foi aí que o guerreirão se ligou no barato. Mas não perdeu o rebolado:

       – Incrível, minha filha! Roubaram a minha cueca e eu nem sentí, veja só! Eu não sabia que naquele clube tinha um ladrão tão fino!

 

Ê,ê,ê fuma-cê! Ê,ê,á fuma-çá!

 

     Garotão recém-chegado à Capital, o coruripense Jalon Cabral (hoje advogado famoso, além de competente assessor da presidência do Tribunal de Contas do Estado) ingressou no rádio, na Progresso, por sinal, e logo começou a fazer sucesso. Bonitinho, branquinho, carinha de bebê, educadinho e ingenuozinho, o colega logo sentiu a necessidade de se enturmar com a patota radialina e achou de pedir instruções logo a quem! Ao escoladíssimo e malandrão Heleno Edson, cuja vida boêmia ele iniciou muito cedo, quando ainda era pivetão no Recife.

     Certa noite, depois de uma farra num boteco no Jaraguá, Heleno Edson entendeu de partir para uma sauna que funcionava na Avenida da Paz e convenceu o Jalon a ir também.

      – Esse negócio é bom mesmo? – perguntou Jalon meio desconfiado.

      – É jóia! Você vai ver como a gente relaxa!

      E se mandaram pra lá!

      Entraram no vestiário, Heleno tirou a roupa, pegou uma toalha e enrolou-se nela. Outros foram chegando e fazendo a mesma coisa. Só o garotão Jalon continuava vestido, reparando naquela movimentação toda. Aí, o Heleno falou pra ele:

      – Você vai ficar aí em pé, feito uma estátua? Tira logo essa roupa e pega a toalha, rapaz!

      Acanhadamente, Jalon Cabral tirou a calça, a camisa, os sapatos e ficou dentro de um cuecão listrado, que se estendia até o meio da canela. Todo mundo caiu na risada quando reparou na presepada. Ele reagiu, conforme o momento exigiu:

       – Do que é que estão rindo, seus caras de rapariga? Nunca viram um homem, não?

       A resposta quem deu foi o Heleno:

       – Aqui todo mundo é homem, rapaz! Agora, o que ninguém nunca viu foi uma cueca ridícula dessa! Tira isso, Jalon!

       – Tiro não!

       Não houve jeito do Jalon Cabral se despir do cuecão. Assim vestido, ele caminhou até a entrada da sauna. Naquilo que abriu a porta, ele deu um pulo para trás e exclamou, de olho arregalado:

        – Nessa sala eu não entrou!

        – Por que, rapaz? – perguntou Heleno.

       Avesso ao tabagismo, ele respondeu:

        – É porque aí dentro só tem nego fumando! Olhe só que fumaceiro

da bubônica!      

 

 

Mesmo sem cabeça, ele morreu?!

 

     Finzinho de tarde, o movimento na redação da Gazeta, era tranquilo. Todo mundo dedilhando o seu teclado de computador numa boa. Em dado momento, entrou o repórter Raimundo Nonato Ferreira, dirigiu-se à minha pessoa e indagou:

      – Villa… tá sabendo da última?

      E eu, tirando uma onda com a cara dele:

      – Não. Só estou sabendo da penúltima. Qual é o babado?

      Nonato sapecou:

      – Acabei de ouvir há pouco, no rádio do carro, que encontraram um corpo decapitado!

      Assunto do meu interesse. Então me liguei e levei a sério:

      – Corpo de homem ou de mulher?

      – De homem!

      Nesse momento foi chegando o auxiliar de serviços gerais da redação, o popularíssimo Luciano Campanela, que escutou o finzinho da conversa. Curioso como ele só, quis saber do Nonato: 

       – Fizeram o quê com o cara?

       – Decapitaram ele!

       – Deca… o quê?!

       – De-ca-pi-ta-ram o infeliz! Negócio terrível!

       Campanela assumiu ar grave e retrucou: 

        – Realmente é um negócio terrível! Mas, me diga uma coisa, Nonato: o cara morreu?

 

 

Finalmente, o cachorro!

 

     Lauriolano Camelo, aparentado do colega jornalista Felipe Camelo, conhecido como um tremendo “figa de aço”. O cara é do tipo que pula a porta pra não gastar o ferrolho. Mas, numa determinada ocasião, ele resolveu fazer um estrago. Foi num domingo. Ele pegou a mulher e o filho Juninho e levou à um almoço no Restaurante do Duda, localizado na orla de Mangabeiras, que estava entupido de comensais.

     Lauriolano e a turma comeram do bom e do melhor. Ao pedir a conta, ele acrescentou pro garçom Deraldo:

      – Olha, meu jovem, me faça o favor de embrulhar o bife que sobrou, que eu vou levar pro meu cachorro…

      Ao escutar isso, o Juninho não se conteve. Pulou da cadeira e gritou a plenos pulmões:

      – Vivaaa! Finalmente o painho vai comprar um cachorrinho pra mim!