Ailton Villanova

27 de outubro de 2016

Mais parecia uma clarineta!

     Manhã calorenta de lascar, suor escorrendo pela testa, o delegado de polícia Jorge Barbosa de Almeida iniciava a acareação entre um acusado de estupro e a testemunha ocular do fato delituoso. Assistindo a ofendida, encontrava-se o advogado João Carlos Uchôa, que não conseguia esconder a sua indignação.

      Concluído o ritual de qualificação da testemunha, o delegado Jorge Barbosa deu início a oitiva:

      – Seu nome, por favor?

      A testemunha respondeu:

      – Sindovaldo Acácio Linduarte… “Sindô” às suas ordens, doutor!

      – Profissão?

      – Músico.

      – Muito bem. Segundo consta do Boletim de Ocorrência, sua pessoa é testemunha do crime praticado por este elemento (e apontou para o acusado, cuja cara era a da mais pura inocência) contra aquela pobre e indefesa senhorita alí sentada… O senhor confirma isso?

      – Confirmo!

      – Quer dizer que o senhor viu tudo direitinho…

      – Vi! Vi sim, senhor!

      – Me conte como foi.

      – Ih, doutor, é meio chato…

      – Eu só quero que o senhor me diga se viu mesmo esse canalha introduzindo o… o “órgão” no aparelho genital da moça.

      A testemunha piscou e respondeu:

     – Pra falar a verdade, doutor, não era órgão, não! Parecia mais uma clarineta!

 

Ruim por ruim…

     De volta do trabalho pro almoço, o distinto Milconélides Pinto entrou em casa pisando firme. Chamou a mulher e anunciou, decidido:

     – Epifânia! Troque de roupa, porque vamos almoçar fora!

     A mulher quase desmaiou de emoção. Mais que depressa, correu pro quarto, emperequetou-se toda e entrou no carro do marido aos pinotes:

     – Eu nem estou acreditando, meu preto! Pra onde é que a gente vai, hein?

     – Vamos comer na orla!

     – Na orla?! Tenho já um infarto, de tanta emoção!

     Não demorou muito, o casal estava parando na porta de um dos restaurantes mais concorridos da Pajuçara. Ao dirigir-se a entrada, Milconélides avistou uma placa com os seguintes dizeres:

      “Aqui se come como em sua própria casa”.

     Nervoso, Milconélides pegou Epifânia pelo braço e disse:

     – Vamos procurar outro restaurante. A comida aqui deve ser uma porcaria!

 

Batata, só pra sacanear

     Por insistência da noiva Betuélvia, o Aclénides Bonfim, tremendo gozador, acompanhou a referida à farmácia da esquina, porque ela queria adquirir um desodorante íntimo. Ao chegarem lá, o balconista, muito delicado, por sinal, balançou as munhecas e propagandeou, assim que soube da intenção da freguesa:

     – Iiihhh, querida! Acabamos de receber uma novidade sen-sa-ci-o-nal: desodorantes com sabores in-crí-ve-is!

     E a  moça, começando a entusiasmar-se:

     – Mas todos os sabores mesmo?

     – Todos, queridinha! O-ri-gi-na-lís-si-mos!

     Aí, Betuélvia virou-se pro noivo e perguntou:

     – Que sabor você sugere, meu amor?

     E ele, muito do sacana:

     – Sabor de batata!

     – Oh! Mas por que sabor de batata?

     – Ora, pra combinar com o seu cheiro de bacalhau!

 

E ela não se escondeu, nem nada…!

     Num meio de semana, o Eugaristo, farrista inveterado, voltou pra casa, 1 e meia da madrugada, puxando o maior fogo. À sua espera encontrava-se dona Sintonésia, a esposa, muito puta da vida. Assim que ele botou o primeiro pé dentro da sala, ela esparrou:

      – Chegando embriagado de novo, não é seu canalha? Ainda mais, a esta hora da madrugada! No mínimo, andava por aí com as raparigas!

      E ele, mal se equilibrando nas canelas:

      – Olha o escândalo, mulher! Não seja injusta! Eu estava fazendo serão…

      – … na zona, com as putas, seu safado! Estou lhe manjando faz tempo! Há dias que você não me procura, cretino!

       Eugaristo contra-atacou com aquele bafo de onça:

      – Ah, é? Como é que você quer que eu lhe procure, se você não se esconde em canto nenhum!

Que culpa tem o carneirinho?

      Caboco esforçado, Pascácio Amêndola começou a vida profissional  como agricultor, em Viçosa. Anos mais tarde, estabeleceu-se no mercado público da Levada, em Maceió, e ficou abonado. Aproveitou a oportunidade, estudou bastante e progrediu também intelectualmente. Todavia dona Zerilda, sua mulher, permaneceu a mesma criatura humilde, deslustrada, por opção própria.    

        Numa manhã setembrina Pascácio acordou alegre, espreguiçou-se, escovou os dentes, olhou pra dona Zerilda e perguntou:

        – Tá lembrada que dia é hoje, minha velha?

        Ela respondeu, depois de botar a massa cinzenta pra funcionar:

        – Se o isprito num m’ingana, hoje é dia 9 de setembro…

        – Exatamente. E o que foi que aconteceu nesta data?

        – Ah, meu véio, eu num sêio. Pur fé de Deus!

        – Pois hoje, estamos completando 35 anos de casados! Acho que vou mandar matar um carneiro…

        No que madame interrompeu, quase com lágrimas nos olhos:

        – Ô meu véio… o coitado do bichinho num tem curpa nenhuma!   

 

Desejo complicado

       Dois bêbados estavam pescando numa lagoa, quando, de repente, avistaram uma garrafa flutuando. Um deles apanhou-a e, quando tentava enxuga-la com a fralda da camisa… pluft!… apareceu um gênio com a maior cara de humildade.

         – Muito obrigado por ter me libertado, meu senhor. Eu vos concedo um desejo!  – disse o gênio.

        E o bêbado:

       – Quero que você transforme toda a água desta lagoa em cerveja!

       E, num piscar de olhos, a lagoa inteira transformou-se em cerveja.

       Mal o gênio virou as costas, o outro bêbado reclamou:

       – Mas que merda de desejo, Antgiógenes! Agora vamos ter que mijar dentro do bote!