Ailton Villanova

18 de outubro de 2016

Apenas um ensaio

Com Diego Villanova

 

     Essa onda de violência que assola o território alagoano tem deixado apavorada a nossa sociedade, que não sabe à quem mais apelar. Beneficiados por leis frouxas, bandidos assaltam bancos, invadem residências, matam impiedosa e impunemente. Cada dia eles são mais numerosos e ousados e a polícia, dadas as limitações de toda ordem que a acometem, é impotente para enfrenta-los e contê-los.

     Por conta disso, e animado com a perspectiva  de faturar uma grana fácil, o malandro Josué Pereira, de cuja cachola deve brotar pelo menos uma bela ideia de jerico por minuto, resolveu também ser assaltante. Para acolitá-lo, convocou o primo conhecido pelo apelido de Juruba, tão imbecil quanto ele.

      – E qual é o banco que a gente vâmo assaltar? – quis saber o Juruba.

      – Ora, rapaz, só pode ser o banco (e disse o nome do banco), que tem mais grana que os outros!

      – E quando é que a gente vâmo fazê o selviço?

      – Calma, rapaz! Amanhã nós vamos fazê a sondagem?

      Dia seguinte, os novos bandidos entraram no tal banco, portando revólveres.  Aí, Josué Pereira parou no meio do salão e abriu o bocão:

       – Mãos pro alto, todo mundo! Isto é um assalto!

       Clientes e funcionários da agência bancária levantaram as mãos, morrendo de medo. Só a cara do Pereira já dava pra matar de medo. Não vê um gorila? Pois o animal perto dele é lindeza pura.

        Galera rendida, Pereira e Juruba trancaram quase toda ela no banheiro, tal qual se vê nos filmes. Só o gerente ficou do lado de fora, mas com o revólver encostado na cabeça.

         – A chave do cofre, cara! – ordenou Pereira.

      E o gerente, tremendo de medo:

      – Pelo amor de Deus, não me mate!

      – A chave, porra!

      – Eu esqueci em casa. Pode crer, seu ladrão. Não me mate!

      E Pereira:

       – Esqueceu em casa, foi? Tá mentindo não?

       – Tô falando a verdade. Esqueci, sim.

       – Tá bom, tá certo. Pois amanhã, trate de trazê-la, ouviu? Hoje, só foi o ensaio. O assalto pra valer vai ser amanhã, às 10 horas!

        Dia seguinte, no horário prometido pelo Pereira, a polícia em peso, se achava no banco, esperando por ele e pelo primo.

 

Bêbado pra lá de chato

     O dono de bar que nunca teve pelo menos um freguês chato, que atire a primeira pedra. Em assim sendo, com o distinto Doribaldo Botelho não pode ser diferente.

     Botelho é proprietário do Bar do Cearense, localizado numa quebrada do Tabuleiro do Pinto. Ele tinha um freguês conhecido por Miro, que todo dia enchia a cara até cair emborcado. Botelho já não aguentava mais vê-lo no seu estabelecimento. Mas Miro nem aí. Um dia, Botelho teve uma ideia e a colocou em prática, visando afastar definitivamente o inconveniente freguês do seu boteco. Bem no meio do salão, pendurou uma tabuleta enorme com os seguintes dizeres:

    “Agora, só vendo cachaça por metro”.    

    Dia seguinte, assim que voltou ao bar, o tal de Miro leu o cartaz e dirigiu-se ao dono:

      – Ô meu, botaí metro e meio de cachaça, por favor!

      Pacientemente, o dono do bar pegou uma régua, colocou sobre o balcão e, em seguida, e com muito cuidado, despejou a aguardente por toda a extensão da medida. Marota e sacanamenter, o freguês aduziu:

      – Agora, embrulhe pra viagem!

 

Bom amigo salvador

     O jornalista e apresentador de TV, boa praça, Gilvan Nunes encontrava-se fazendo uma média com a madame numa lanchonete de determinado shopping da capital quando, de repente, apareceu um colega que tem a fama de bicão:

      – Tudo bem, velho Gíva?

      – Médio. – respondeu Gilvan Nunes fechando a cara.

     – Posso te pedir um favor?

     – A boca é sua, não é? – respondeu o jornalista, de má vontade.

     – Me empresta 20 reais!

     – Empresto nada!.

     Chateado, o cara foi embora.  A esposa do Gilvan, então, quis saber:

      – Ô meu amor, por que você não emprestou os 20 reais pro seu amigo?

      – Não emprestei para salvá-lo de uma doença muito grave! – justificou.

      – Que doença é essa?

      – Amnésia!

 

E a pesquisa onde fica, Canutão?

     Tremendo dum profissional, excelente caráter, o jornalista Márcio Canuto é, hoje em dia, um dos maiores nomes da Rede Globo/São Paulo, graças ao seu talento. Ao contrário do colega Gilvan Nunes, Canutão sempre foi um mão aberta, mas, em certas ocasiões, tem que reclamar da exploração a que muitas vezes é submetido, só porque é astro global.

     Outro dia, ele entrou num salão de cabeleireiros muito chique da Avenida Paulista, capital bandeirante, e mandou o mocinho delicado que o atendeu caprichar no corte. Meia hora depois, serviço feito, o cabeleireiro deu aquela cobrada:

     – Cem reais!

     Canutão espantou-se:

     – Comequié?! Cem reais é demais pelo pouco cabelo que tenho, meu jovem!

     E o cabeleireiro, todo desmunhecado:

     – E a pesquisa que eu tive de fazer para encontrar os poucos cabelos, hein, lindão?

 

E a outra mosca, hein?

     Aproximadamente uma hora da tarde, de uma sexta-feira, o Restaurante do Duda, matriz da rua Barão de Penedo, centro da cidade, encontrava-se entupido de fregueses. Todo mundo mandando o “par de queixo” pra frente, naquela mastigação desenfreada. Aí, emboca no recinto um certo Messias Xavier, funcionário municipal, que é chegado a uma molecagem, acompanhado de uma morena com toda pinta de travesti. Ele e a acompanhante ocuparam a única mesa que se achava livre e Messias pegou o menu, deu olha olhada nele e, em seguida, cochichou alguma coisa no ouvido do garçom Tonho Arapiraca. Instantes depois ele voltava à mesa da dupla recém-chegada, com o pedido despachado.

     Mal o garçom se virou para deixar os fregueses à vontade, o tal de Messias chamou-o de volta:

      – Ô garçom, faz favor…

      – Pois não, chefia!

      – Esta sopa é pra dois?

      – Sim, senhor…

      – Então, por que só tem uma mosca?

 

O trombone infernal!

     O amigo José Ramalho Farias tem um vizinho chamado Dálcio, que é metido a músico. Tem dias que o camarada mata a pau a rapaziada no Edifício Abrolhos, na Jatiúca, soprando um trombone filho da mãe de barulhento.

     Certa madrugada, conta o próprio Ramalho, ele não conseguia dormir de jeito nenhum e, então, ligou pro apartamento do tal Dálcio e reclamou com veemência?

      – Pô, Dálcio, se você não parar de tocar esse maldito trombone, eu vou ficar louco!

      E o cara:

      – Iihh, acho que é tarde demais, Ramalho. Faz mais de cinco horas que parei de tocar!