Ailton Villanova

9 de outubro de 2016

O CARRO AMADO DO CANUTO

      Grandalhão do coração imenso, Luiz MÁRCIO Acioly CANUTO é a dignidade personificada. Profissional dos mais laureados, alçou voo mais alto, aqui deixando uma imensa legião de fãs e amigos, por que Alagoas havia se tornado pequena para a sua grandeza. Hoje, empresta o brilho de sua competência e da sua inteligência ao estado de São Paulo, onde se tornou um dos mais prestigiados entre inúmeros aplaudidos jornalistas do País.

         O carisma de Márcio Canuto é fenômeno difícil de ser explicado. Mas é fácil (aliás, facílimo) de ser constatado. Basta, como fiz certa feita, caminhar (se conseguir caminhar) ao seu lado pelas ruas da capital bandeirante.

         A sua grande marca é a descontração, a alegria. Incapaz de guardar mágoas, Márcio Canuto é o que eu chamo de “homem do perdão”. Por isso, é um homem feliz.

         Uma prova de sua grandeza, não apenas no tamanho, mas no caráter, está no fato que passo a contar, com toques de humor, naturalmente, linhas abaixo.

          Acioly (eu o chamo de Acioly, seu nome de guerra no antigo 20º Batalhão de Caçadores, hoje 59º BIMTz Hermes da Fonseca), havia comprado um automóvel novo, da linha Ford, e com ele, certa ocasião, teve de se deslocar do Farol (seu local de Trabalho) ao centro da cidade, porque tinha uma entrevista a fazer com o Bráulio Leite, diretor do Teatro Deodoro. Naquela época, para o sujeito parar o seu carrinho no centro comercial de Maceió era moleza. Hoje em dia, é o maior drama.

           Pois bem. Quando estava estacionando seu automóvel na Travessa Dias Cabral, ao lado do teatro, Márcio Canuto foi abordado por um molecote, que numa das mãos segurava uma flanela vermelha e na outra, um balde.

      – Quer que eu passe uma “aguinha” no carrinho, doutor? – indagou o garoto, acrescentando:  – São Cr$ 2 cruzeiros…!

      Mais para ajudar o garoto, do que por precisar lavar o carro, que estava limpinho, Márcio Canuto aquiesceu:

      – Tá bom, tá certo! Mas, cuidado, hein? O carro é novo!

      – Se preocupe não, doutor. O seu carro vai ficar mais novo do que tá. O senhor pode deixar as chaves comigo, certo?

      E o Márcio:

      – Pra que você quer as chaves, rapaz?

      – Ôxi, doutor, e como é que vou limpar por dentro?

      Canuto entregou as chaves ao garoto e caiu na besteira de pagar adiantados os Cr$ 2 cruzeiros da lavagem.

       Ao dobrar a esquina e dirigindo-se ao local da entrevista, Canuto deu de cara com o colega Valmir Calheiros, justo na porta do Deodoro. Aí, parou para dois dedinhos de prosa com ele. Nesse instante, tomou um susto danado quando teve a sua atenção voltada para um carro que passou voando baixo, puxando mais de mil.

         – Minha Nossa Senhora! – exclamou. – Esse motorista é um louco!

         Bom observador, Valmir Calheiros, acrescentou:

         – E o carro parece com o seu, Márcio! Se não estivesse aqui comigo, eu até poderia apostar que esse doido do volante era você!

         O motorista não era o Márcio, mas o carro era o dele. Quando ele teve essa certeza, sofreu um infarto.

         O jornalista estava se despedindo do colega, na calçada do Deodoro, quando um popular chegou para ele e informou:

         – Aquele automóvel lindo, vermelhinho, que o senhor deixou na mão daquele maloqueiro, acabou de bater em seis carros, ali na Moreira Lima. Daqui, dá até pra gente ver o estrago!

          O prejuízo foi grande. Sem discussão e com a maior boa vontade, Márcio Canuto arcou com os prejuízos resultantes dos danos que o seu automóvel causara nos veículos sinistrados.

           Quanto ao moleque provocador do pesado desfalque no bolso do Márcio Canuto, até hoje ninguém sabe do seu paradeiro. O que se sabe mesmo é que o benevolente jornalista o perdoou.

 

REMÉDIO EFICIENTE DEMAIS!

      Mulher jovem, bonita, sexualmente carente e determinada, dona Carolina de Brito andava preocupada com a falta de performance horizontalina do marido Aristeu. Não mais suportando essa situação, resolveu ligar para o andrologista Antonio Carlos Amorim:

      – Doutor, estou precisando da sua ajuda…

      – Do que se trata, minha senhora?

      – Do meu marido, doutor. Apesar de muito moço, ele não está dando conta do recado!

      – A senhora está querendo dizer que ele, ele… digamos assim, anda brochando?

      – Isso mesmo, doutor. Brochou de vez!

      – Não se preocupe, porque hoje em dia esse problema praticamente inexiste.

      – Graças a Deus!

      O andrologista, que é um profissional do coração imenso, resolveu dar uma ajuda a desesperada mulher e receitou, na hora, para o marido dela, uns comprimidos moderníssimos, lançados recentemente na praça.

       – Esse é um medicamento japonês. Basta que ele tome somente meio comprimido por dia, entendeu? Meio comprimido!

       – Ah, doutor, nem sei como lhe agradecer! Pode deixar que eu irei administrar o remédio direitinho.

      Dois dias depois, lá volta a ligar para o consultório do médico:

      – Doutor, seu eu… Carolina. Tá lembrado de mim?

      – Bom… ele está ótimo, feliz da vida… mas eu é que estou arrasada!

      – Como assim?

      – Os comprimidos, doutor. Ao invés de meio, eu dei três para o Aristeu tomar, só por garantia, entende, doutor? Aí, ele ficou loucão. Imagine o senhor que ele me pegou, me botou em cima da mesa e mandou brasa. Tirou todo o atraso. Mais de duas horas de transa ininterrupta!

        – Ótimo! Muito bem! E por que a senhora não gostou?

        – Gostar, eu gostei, doutor! Mas acontece que nunca mais a gente vai poder voltar àquele restaurante!