Ailton Villanova

6 de outubro de 2016

Milagre pra mais da conta!

     Casados havia um monte de anos, Leovegildo e Criméia Cruz tentavam mil maneiras de ter filhos. Depois de consultar todos os médicos especialistas em gravidez e reprodução humana do Nordeste inteiro e de uma banda do Norte, o casal resolveu pedir a interferência da força divina. Então, procurou o pároco Eraldo de Brito:

     – Padre, só o senhor, que é meio santo, com suas rezas e apelos aos céus, poderá nos ajudar. – antecipou-se dona Criméia, com lágrimas nos olhos.

     – Em que sentido, meus filhos? – perguntou o reverendo compadecido.

     – O senhor acabou de pronunciar a palavra: filhos! Há anos queremos ter filhos e nem a medicina deu jeito! Nossa última esperança é o milagre divino!

      O reverendo pensou um pouco e disse:

      – Vamos rezar. Tenho certeza de que Deus ouvirá as nossas preces e vocês serão abençoados com uma linda criança, logo, logo. Aliás, estou indo à Roma, mais precisamente ao Vaticano e, assim que chegar lá, acenderei uma vela pra vocês!

     Criméia emocionou-se mais ainda:

     – Oooohhh, padre…!

     E o marido, também derramando algumas lágrimas de emoção:

     – Vá com Deus e a Virgem Santíssima, padre!

     Antes do casal se retirar, o sacerdote acrescentou:

      – Tudo dará certo, meus filhos. Minha estada em Roma será um tanto prolongada, cerca de quinze anos…

      – Tudo isso, padre?! – espantou-se a mulher.                              

      – … mas quando eu voltar, vou lhes fazer uma visita.

      O tempo passou rápido, o sacerdote voltou sem ter esquecido da promessa que fizera ao casal. E foi à casa de Leovegildo e Criméia. Em lá chegando, mal bateu à porta, escutou a maior algazarra lá dentro. Mais de dez crianças espalhavam-se por todos os cantos das casa. No meio deles, a mãe com um bebê no colo.

      – Estou vendo que nossas preces foram ouvidas, minha filha! – alegrou-se o reverendo. – E seu marido, onde está? – Gostaria de cumprimenta-lo também pelo milagre!

       E Criméia, algo desolada:

       – Ele foi à Roma, padre Eraldo…

       – Roma???!!! O que ele foi ver em Roma?

       Hesitante e sem graça, Criméia abriu o jogo:

       – Ele foi lá para apagar aquela bendita vela que o senhor acendeu!

 

O pequeno procurado

     O telefone tocou na residência do cidadão Aroaldo Abreu, seu filho Juninho atendeu, falando baixinho, quase inaudivelmente. Um sujeito perguntou de lá:

      – Quero falar com o seu pai. Ele está?

      E Juninho, mais baixinho ainda:

      – Tá…

      – Pode chama-lo?

      – Não… (bem baixinho)

      – Por quê?

      – Ele tá ocupado… (bem baixinho)

      – Tem outra pessoa adulta em casa?

      – Tem… (bem baixinho)

      – Quem?

      – Minha mãe… (bem baixinho)   ´

      – Vá chama-la!

      – Ela tá ocupada… (bem baixinho)

      – Tem    mais alguém em casa?

      – Tem… (bem baixinho)

      – Quem?

      – A Polícia! (bem baixnho)

      – Então chame a polícia!

      – Não!

      – Ela também tá ocupada!

      – E o que essa gente está fazendo aí?

      E Juninho, mais baixo ainda:

      – Me procurando!

 

Mas que exame é esse?!

     Consultório do doutor Medúlio Mediastino. Final de expediente ele recebe um paciente chamado Periceu. Examina-o superficialmente e, em seguida, pede:

      – Por favor,  senhor Periceu, tire a roupa!

      – Toda?

      – Não. Apenas as calças.

      O cara tirou as calças, o médico pediu que ele fosse até a janela  e botasse a bunda do lado de fora por uns três minutos. Intrigado, o paciente perguntou:

       – Que diabo de exame é esse, doutor?

       E ele:

       – Não é exame, não. É que eu não vou com a cara da vizinha aí da frente…

 

O Romário de Araque

        Tarde  de sábado, a negrada batia um “racha” num campinho que fica por detrás da antiga Salgema, no Pontal da Barra, quando, em dado momento, surgiu no cenário o pinguço de Béu Bicudo, puxando um fogo danado, como de costume. Ele parou no meio do campo, bateu no peito e bradou:

         – Chegô o moreno Romáro do pedaço! Tem vaga pra eu nesse jogo?

        Tinha. Pegaram o cachaçudo e botaram no lugar do centro-avante de um dos times, que acabara de cair desmaiado, tão bêbado se achava.

         Retirado o bebaço de campo, a pelada teve andamento imediato. Mal o Romário de araque pegou na pelota, fez um gol contra. A turma do time que passara a defender reclamou e ele rebateu, na boca dura:

         – A canela é minha, o pé é meu e eu chuto pro lado quizé, falei?

         No lance seguinte Béu Bicudo fez outro gol contra.

         Hoje está fazendo um mês que ele baixou à sepultura.

 

O prato do cão

     O popular Apolécio convidou o colega de copo Ofrásio para pegar um rango em sua residência, localizada numa quebrada de difícil acesso, situada na Curva do Mosquito, distrito da Brejalândia, onde tem de tudo, até batidinha de “craque” e refresco de maconha.

     Antes de sair a gororoba, eles beberam uma dúzia da sobredita batidinha e soltaram dúzia e meia de arrotos. Em dado momento surgiu na sala a dona da casa, que anunciou de cara amarrada:

     A cumida tá na mesa! É milho vocêis cumêre logo, sinão esfria e vira sebo!

     Mal a dupla sentou à mesa o cachorro da casa aboletou-se ao lado do ilustre convidado e ficou de butuca nele. Incomodado, o visitante indagou ao anfitrião:

      – Ô Apolécio qual é a desse cachorro? Ele num tira os olhos de mim!

      – Num é nada não, Ofrásio. É que você tá comando no prato dele!

 

Militar ou parente, pode pisar!

     O elevador do Breda encontrava-se mais lotado do que coletivo de Bebedouro, em horário de pico. Todo mundo com destino ao 10° andar. Inserido nesse contexto eis que se achava o popularíssimo Alcalino Ponciano, o Pitiguirra, baixinho cheio de invocação .

      De repente ele se virou pro sujeito que se achava ao seu lado e perguntou:

     –  O senhor por acaso é militar?

     – Sou não!

    – Tem algum parente militar… pai, irmão, tio…?

    – Não, por quê?

    – Então, porra, tire o seu pé de cima do meu. Você tá pisando no meu calo!