Ailton Villanova

23 de setembro de 2016

A última transa do Clitoribaldo

     No colégio ele era o terror das cocotinhas. Na faculdade transava com todas as colegas disponíveis. Teobaldo Expósito era, enfim, um tremendo mulherengo. Ninguém sabe explicar como ele conseguiu terminar o curso de economia. Por nada não. É porque, além de meio analfabeto, não tinha tempo para dedicar-se a outra coisa senão às mulheres, não importando, o tipo, a cor, o tamanho.

     Numa determinada ocasião ele conseguiu aproximar-se de uma bela comerciária e caiu de amores por ela. Primeira coisa que fez quando a teve em mãos, foi levá-la a um motel bacana da área litorânea. Depois que deu a “primeira” com a garota, ele manifestou o desejo de ir ao banheiro:

     – Aguenta a um instantinho aí, amor. Preciso dar uma descarregada na bexiga.

     – Fique à vontade, gato.

     Atendida a necessidade fisiológica e depois da tradicional e indispensável balançada, Teobaldo Expósito reparou em cima da pia uma latinha toda escrita em inglês. Pensando tratar-se de uma daquelas pomadinhas milagrosas que o caro leitor conhece bem, ele lambuzou todo o pênis, que imediatamente aumentou de volume e ficou mais duro que beira de sino. Feito isso, retornou à cama, mais animado. Pegou a namorada e continuou chamando na grande. Deu duas, deu três, deu quatro… e o “instrumento” ó, na maior  dureza. Teobaldo transou tanto que caiu desmaiado. Entusiasmado com a pomadinha, ele pegou a lata e colocou no bolso.

     Dia seguinte, ainda eufórico com a performance da noite anterior,  Teobaldo procurou um amigo professor da língua inglesa, exibiu-lhe a bendita latinha e pediu:

     – Aristóteles, você que é mestre em inglês, traduza pra mim o que está escrito nesta latinha de pomada. Estou pretendendo mandar buscar uma porrada delas, nos Estados Unidos.

     O professor pegou a latinha e começou a ler o que havia impresso nela. Terminou, devolveu-a ao Clitoribaldo e exclamou:

     – Putaquipariu, rapaz! Vai ter calo assim na casa da peste!

     – Calo?! Que calo, Aristoteles? Eu nunca tive calo!

     – É, mas está escrito aqui: “Remédio para calos. Endurece, apodrece e cai”.

 

Pentelho pra todo lado!

    Amigos desde a infância, Ezequias  Tiburtino e Eulâmpio Pereira eram que nem unha e carne, em que pese a diferença de condição social dos dois. O primeiro era filho do patrão do pai do segundo. Rapazinhos, viraram e reviraram as quebradas de Palmeira dos Índios e adjacências. Eulâmpio, mais parrudo, era mais afoito e meio doido. Ezequias sempre foi um rapaz  fino, educado.

     Uma noite, numa festança junina em Quebrangulo, arrumaram cada qual uma namorada. Em pouco tempo eles estavam apaixonados pelas respectivas moças e resolveram assumir compromisso mais sério com  elas. Ao cabo de seis meses estavam levando as amadas ao altar. Ezequias e Eulâmpio casaram no mesmo dia e na mesma hora. Festaço com direito a muita bebida, muita comida e muito forró.

     Depois desse estrago todo, os casais tomaram diferentes rumos. Por ter dinheiro folgado no bolso, o filho do patrão mandou-se para curtir a lua-de-mel com a esposa na cidade de Olinda, em Pernambuco. Sem grana para promover coisa ao menos parecida, Eulâmpio contentou-se em passar a noite de núpcias no sítio do padrinho  Aroaldo Mariano, em Delmiro Gouveia.

    Semana depois, os amigos voltaram a se encontrar na praça principal de Palmeira dos Índios.

     – E então, Ezequias, como foi a tua lua-de-mel? – quis saber o amigo pobre.

     – Excelente! – respondeu o outro. – No hotel onde ficamos houve até recepção para nós. Tudo muito organizado, tudo muito chique! Bebemos champanhe e fomos para um apartamento luxuoso…

      – Não diga!

     – … suíte presidencial. Uma beleza!

     – E o resto, como foi?

     – Ah, o ato sexual? Foi divino, maravilhoso! Depois de mil declarações de amor, tivemos relações até chegarmos à plenitude do gozo. E você, amigo?

      Grosso do jeito que era, Eulâmpio respondeu:

     – Eu não tive nada disso. Só sei que enfinquei o pau na xoxota dela com gosto de gás. Voou pentelho pra tudo quanto foi lado!

 

Então, enfia lá!

     O negrão Copérnico sempre foi um taradão. Um dia, conheceu Maria Suelândia, uma morena muito da gostosa. Seu traseiro era desses de provocar tesão em estátua de bronze. Caidaço pela garota, tratou logo de leva-la ao altar. Logo na noite de núpcias, tentou fazer sexo anal com ela, que tratou imediatamente de tirar o dela da reta:

     – Êpa! Aí atrás, não! Aí só sai! Não entra nada!

     Os anos se passaram, Copérnico cada dia mais apaixonado pela mulher, que não liberava a busanfa pro marido nem por decreto. O negrão fez mil peripécias, milhões de promessas, encheu a amada de presentes, e ela firme. Definitivamente, soltar o frosquete não era com Suelânia.

     Um dia, frustradíssimo por não ter convencido a esposa a dar uma de marcha-à-ré, ele procurou um barzinho para encher a cara. Pretendia chegar em casa de pileque. Coincidentemente, lá encontrou um velho amigo, o Magnaldo, que sempre teve a fama de comedor. Aí, seu abriu com o cara.

     – Acho que vou endoidecer, meu irmão.  Se a Sussuzinha não ceder, vou bater no hospício, pode crer! – choramingou Copérnico.

     – Fixação, hein? 

     – Não, bicho! É tara mesmo! Quando eu olho naquela bundona lindona da minha mulher… pelamordedeus! Não sei mais o que fazer!

     – Ora, mas isso não é bicho-de-sete-cabeças, rapaz.

     – É porque não é com você!

     – Usa a cabeça, bicho! Criatividade, tá ok? Criatividade!

     Depois desse papo, Copérnico saiu do bar com uma idéia na cachola. No caminho de volta ao lar, passou por uma loja  de conveniência e comprou um monte de latinhas de tinta de cores variadas.

      Na hora de deitar para dormir, Copérnico entrou no banheiro, deu garra das tintas e começou a pintar as partes pudendas: uma bola amarela, outra rosa, cabeça do pênis azul e o resto do membro zebrado de verde e vermelho. Feito isso, entrou no quarto, nuzão. Ao reparar na presepada, a mulher do negrão espantou-se:

       – Ôxi! Que doidice é essa, Copérnico? 

       E ele, sem pestanejar, jogando a última cartada:

       – Não gostou? Então, enfie no rabo!