Ailton Villanova

21 de setembro de 2016

Ensinando o riscado por dentro

 (Com Diego Villanova)

      Prestes a completar 40 anos de idade, Betânio Coristeu permanecia donzelo. Seu velho pai, o fazendeiro Alcalino Coristeu não se conformava com aquela situação do rebentro. Um dia, ele perdeu a paciência e chamou o filho às falas:

    – Escute aqui, rapaz, ou você arruma uma mulher e casa, ou morre pobre e infeliz!

    E Betânio:

    – Mas o que é que está havendo, pai?

    – O que está havendo, é que todo mundo anda achando estranho você não se interessar por um rabo de saia! Se você não arrumar uma mulher pra se casar, eu lhe tiro do testamento!

    O problema todo era esse? Então, Betânio foi à luta e casou-se a com  linda e sensual Glorinda, duas dezenas de dias depois do ultimato dado pelo velho. Três meses mais tarde, Glorinda baixava no consultório do médico Hipocôndrio Bezerra, decepcionadíssima e com uma reclamação na ponta da língua:

    – Estou com um problema sério, doutor!

    – Que tipo de problema a senhora está tendo?

    – É o meu marido… Ele não está cumprindo com as suas obrigações matrimoniais, o senhor entende o que eu estou querendo dizer?

    – Entendo. Me diga: ele está devagar ou está pifando?

    – Nem uma coisa e nem outra. Ele está parado, eu estou necessitando de sexo e não pretendo ser infiel. O senhor pode me ajudar?

    – Vamos tentar. Traga o seu marido aqui, amanhã, pra gente ter uma conversa a três.

    Dia seguinte o trio se achava reunido no consultório do médico, que abriu o verbo:

    – Meu amigo, você precisa ser mais atencioso e ser mais carinhoso com a sua mulher…

    Betânio retrucou:

    – Mais atencioso e mais carinhoso do que já sou, doutor? Todos os dias eu levo flores pra ela… Todos os dias eu lhe dou bombons, presenteio-a com discos do Roberto Carlos, do Júlio Iglésias…

    – Tudo bem. Mas isso não é o suficiente. O senhor tem que demonstrar mais afeto, mais amor…

    – Mas eu já comprei pra ela um micro-ondas, um home-teather, um televisor de 53 polegadas, um anel de ouro, uma pulseira de prata…

     – Não, não, não, meu caro! Não é nadas disso! Como poderei fazê-lo entender? Bom, o jeito é demonstrar na prática. Hmmm… vamos ver. A senhora pode me ajudar madame?

   – Sim, doutor.

    – Então, queira despir-se, por gentileza.

    Peladões, médico e paciente mandaram ver. Fizeram a mais febril demonstração prática de como era o riscado. Depois da transa, ainda ofegante o médico falou pro marido da gostosura:

 

    – Viu? É disso que sua esposa precisa! Sexo! Muito sexo! Pelo menos três vezes por semana, entendeu?

 

    – Ah, agora eu entendi! Três vezes por semana, não é? Pois tá certo. Se hoje é terça-feira, posso trazê-la aqui às quintas e aos sábados?

 

 

Santo remédio

 

     De repente o desenhista Praticaldo Perfílio pegou uma depressão filha da mãe e ficou meio lelé da cuca. Ostentando olheiras profundas, ele saiu de casa arrastando os pés e foi bater no consultório do psicólogo Primóbulo Brasildo. Lá, ele se abriu com o especialista:

     – Doutor, estou com um problema gravíssimo!

     – Não diga! – retrucou o psicólogo.

     – Digo!

     – Então, diga!

     – É o seguinte…

    – “Seguinte” é cu de cachorro, quando está sujo…

    – … quando está limpo é “talvez” – completou o paciente.

    E o psicólogo:

    – Deixe de brincadeira e me diga qual é o seu problema!

    – O senhor foi quem começou! Mas, vamos ao meu problema: é que não estou conseguindo dormir à noite, porque eu cismo que tem alguém debaixo da cama…

    – Coisa de louco!

    – Aí, saio do quentinho, vou pra debaixo da cama e começo a achar que tem alguém em cima dela…!

    – Huuuummmm!

    – É assim a noite inteira: chão, cama; cama, chão!

    O psicólogo alisou o bigode, deu uma fungada e disse:

    – Não se preocupe, meu caro! Vou resolver o seu caso.  A partir de hoje, venha ao meu consultório três vezes por semana, durante pelo menos seis meses. Você verá como ficará curado!

    – E quanto custa cada consulta, doutor?

    – Bom, pela tabela, custa 100 reais. Mas, como o seu caso é bastante interessante, a consulta cairá pela metade, tá certo?

   Praticaldo Perfílio vacilou:

     – Tá bom. Vou pensar!

     Dito isto, o cara girou nos calcanhares e se mandou do consultório do psicólogo, para nunca mais voltar lá. Mais de um ano depois, Primóbulo Brasildo encontrou-se com o Praticaldo na rua e foi logo perguntando:

     – Por que foi que você desapareceu, rapaz?

     E o Praticaldo:

     – Pra que gastar 50 reais por cada consulta, se o dono do bar que eu frequento me curou de graça?

     – Não diga! De que maneira?

     – Ele me ensinou que eu serrasse os pés da cama. Santo remédio!

 

“Tirando o chapéu”, o sucesso!

 

      Manuel Reis de Siqueira era um “caboco” fortão, tipo guardarroupa, que morava em Igacy, sua terra natal. Alimentava o  sonho de ser um grande cantor, no estilo sertanejo. Ele se amarrava na dupla Tonico e Tinoco e não largava uma viola de 12 cordas. Para onde quer que fosse, levava a dita cuja à tiracolo.

     Certa feita, viajou de Igacy à Arapiraca montado numa velha caminhoneta, para assistir ao batizado de um filho do amigo Benedito Ferreira. Chegou lá na hora da missa (o batizado ocorreria logo depois da celebração do santo ofício) e foi logo embocando na igreja, a viola pendurada às costas e um chapelão enfiado na cabeça. A cada passo que dava, escutava o protesto dos fiéis:

    – Tira o chapéu!

     E ele firme, peito erguido, caminhando na direção do altar-mor. Mais reclamação:

     – Tira o chapéu, ô ignorante!

     Manuel Reis nem aí.

    – Olha o chapéu!

     Menor atenção aos apelos.

    – Olha o chapéu!

    Daí a instantes , todo mundo em coro:

    – Tira o chapéu! Tira o chapéu! Tira o chapéu!

    Aí, Manuel Reis empertigou-se todo, encheu o peito de ar, empunhou a viola, virou-se para a plateia, digo, para os fiéis, e sapecou:

    – Senhoras e senhores… Já que todos insistem, inclusive o reverendo aqui ao meu lado, vou cantar para vocês a bela modinha sertaneja intitulada “Tira o chapéu, vaqueiro!”, de autoria de Tonico e Tinoco.

     E abriu o bocão. A missa acabou aí.

 

Bom argumento do praça!

 

     Coronel Gerson Argolo de Melo era chefão no quartel do comando-geral da Polícia Militar numa época não diferente da de hoje, onde a carência de militares no interior (e na Capital, também) era acentuada. Por exemplo, em Palmeira dos Indios estava faltando um PM para fechar a escala de guardiões do fórum. Então, ele designou para a missão o recruta João José Araújo.

     – Olha, meu filho, assim que a situação se normalizar por lá, eu mando lhe buscar de volta! – prometeu Argolo.

     Recém-casado com uma linda morena, o PM Araújo viajou à Palmeira com o coração partido. Esperou seis meses pelo cumprimento da promessa do coronel e este nem aí.  A primeira condução que encontrou, pegou uma carona e esbarrou em Maceió, diante do superior hierárquico:

     – O senhor me desculpe, meu coronel, mas eu não estava aguentando… Tive que vir ver minha mulher!

     Gerson Argolo não gostou da atitude do subordinado:

     – Então, quer dizer que sua mulher é mais impotante do que o seu compromisso de defender a lei e a ordem, soldado?

     E o Araújo:

     – De modo algum, meu coronel. Mas o senhor entenda que a lei e a ordem têm um monte de gente pra cuidar delas, mas minha mulher só tem eu!

     O PM ganhou uma semana de folga. Em seguida, retornou à Capital.