Ailton Villanova

18 de setembro de 2016

Milagre português

 

     Esta é mais uma internacional e me foi contada pelo médico brasileiro-luso Nilton Jorge Melo, que também é jornalista e cronista esportivo. Nascido na histórica Palmeira dos Índios, ele viveu mais de 20 anos em terras de Além-Mar, onde constituiu família e fez um número incontável de amigos.

     Pois bem.

    Numa manhã turva de agosto, um espanhol com toda pinta de pirado ingressou em certo hospital de Lisboa, procurou o médico Joaquim Pereira, e foi curto e grosso: 

     – Quiero hacer una operación!

     E o doutor Joaquim:

     – Que tipo de operação tu queres, o pá?

     – Io quiero ser un argentino! Usted puede hacer una operación desta?

     O esculápio português espantou-se:

     – Transformar-te num argentino? Por que isso, dize-me cá?

     – Puede esto o no?

    – Ora pois, podemos. Mas é arriscado. Vamos ter que retiraire metade do teu juízo. – explicou o facultativo português.

    – Metad de mi cérebro? – Assustou-se o espanhol.

    – Sim. Para transfortar-te em argentino temos que tirar metade do teu juízo. É uma cirurgia muito delicada, porque se cá errarmos e tirarmos mais da metade o sinhoire morrerá!

     – No interessa. Yo quiero ser argentino!

     Diante da persistência e determimação do galego, não restou outra alternativa ao doutor Pereira, senão a de reunir sua equipe e meter mãos à obra.  Acontece que o ilustre cientista lusitano empolgou-se tanto na condução da cirurgia que retirou mais do que devia da massa cefálica do paciente: 90% da dita cuja. Um dos seus assistentes, então, observou:

     – Ó Jaquim, tu num achas que tiraste cérebro demais do gajo?  Acho que tu o mataste! Como poderá ele sobreviver só com um tiquinho de juízo, dizes-me cá?

      Nesse instante o paciente deu uma respirada. Aí, doutor Joaquim exclamou aliviado:

     – Veja! Ele está a viveire!

     –  Impossível, ó pá! Ele só tem 10%  do juízo!

     – Mas é verdade. Repare que ele está a acordaire!

     O assistente, então, tocou no ombro do espanhol, cautelosamente:

     – O sinhoire está bain?

     E o cara:

    – Han? O que está a aconteceire cá que não estou a entendeire, ô pá?

 

Quem já viu  leão tocando piano?

 

     Nascido em berço de ouro , Geraldo Moacyr Oliveira, além de piloto privado, era um exímio pianista. Boa pinta, gente boa, caiu em desgraça  depois que morreram seus pais. Do dia para a noite viu-se desempregado e sozinho,  na rua da amargura, e começou a procurar emprego para sobreviver. Desesperado, depois de bater em inúmeras portas, ele foi esbarrar num circo que se achava instalado na antiga Praça da Independência.

     – Estou precisando trabalhar! – disse ele ao gerente do circo.

     Respondeu-lhe o gerente:                             

     – Só temos vaga para domador de leões!

    E Geraldo Moacyr:

    – Isso eu não sei fazer, mas toco piano mito bem.

    – Então, tá certo. Você vai ensinar o leão a tocar piano!

    Geraldo Moacyr entendeu isso como uma gozação, uma desfeita  à sua pessoa e, com uma porrada só, quebrou a cara do gerente.

 

A água é mais perigosa!

 

     Bezerrinha saiu do Bar do Altino puxando o maior fogo. Ia de um lado ao outro da calçada, num tremendo ziguezague. Depois de tropeçar um bocado pelo caminho, ele esbarrou num sujeito engravatado que tinha toda pinta de pastor protestante, que indagou em tom grave:

     – Você sabia que o álcool é veneno?

     – Bobagem, meu! A água já matou muito mais gente! – rebateu o bebão.

     – O quê?! O senhor está louco?

     – Louco coisa nenhuma! Me responda você: quantos morreram no dilúvio?

 

Quem é o suspeito?

 

     Doutor Epigástrio Barroso acabou de receber um telefonema da esposa, uma belíssima morena, por sinal, e correu para dar conta à turma do escritório, do resultado da conversa que tivera com ela:

     – Minha gente, recebi há pouco minutos uma notícia maravilhosa!

     – Por acaso o senhor ganhou na loteria, doutor? – adiantou-se o contínuo Leocádio Deolindo.

     – Muito melhor. Minha mulher me disse que está grávida!

     E o Deolindo, com a cara mais inocente do mundo:

     – E o senhor suspeita de alguém, doutor?

 

Incômodas vozes telefônicas

 

     Biriteiro contumaz, o Aeronaldo deu para ver coisas estranhas na sua frente, tipo elefante voando e jacaré andando de bicicleta. Aí, pirou!

     Preocupados com ele, amigos o levaram à presença do psiquiatra Tamal Lucco, especialista em delírios. O doutor prescreveu-lhe uns remédios e fez recomendações adicionais.

     – Me volte daqui a um mês! – completou o especialista.

     Aeronaldo voltou ao doutor dentro do prazo estabelecido e este foi logo perguntando:

     – Como é, rapaz? Melhorou?

     O paciente foi curto e grosso:

     – Piorei!

     – Como piorou?!

     – Eu agora ando escutando vozes!

     – Que tipo de vozes?

    – Masculinas, femininas… Todas!

    – E quando é que isso acontece?

     – Quando atendo o telefone!

Mas que quadro indecente!

 

     Sertanejo ignorantão, mas muito bem de vida, seu Generino Januário aproveitou um tempo de folga na fazenda e veio visitar a capital. Nas suas andanças pelo centro da cidade, ele terminou numa exposição de pintura moderna, instalada no Teatro Deodoro. Sem entender nada do que estava espiando, ele saiu percorrendo a mostra até que parou diante de um quadro mais inusitado que os demais: o campo todo negro com dois pontinhos brancos no centro. Aí, ele se dirigiu ao ator da obra:

     – O que significam esses dois pontos brancos?

     Muito educadamente, o pintor respondeu:

     – Isso, meu caro senhor, significa simplesmente um homem e uma mulher em pleno ato sexual.

     Generino alarmou-se:   

    – Num compro nunca uma pouca vergonha dessa! Tenho dois filhos pequenos lá em casa!