Ailton Villanova

16 de setembro de 2016

Papagaio altamente perigoso

 

(Com Diego Villanova)

  

     Depois que arrumou um emprego na prefeitura, o diarista José Luís Dias, mais conhecido como Cara de Vaca, ou simplesmente Cara,  melhorou um pouco de vida. Montado nesse progresso, mudou-se da Vila Brejal para o Benedito Bentes, onde passou a experimentar uma vida um mais bacana.

     A ninguém o Cara de Cavalo ensinou o seu novo endereço, nem a seu “parêia” mais chegado, o biscateiro Edinaldo Pelicano. Mas este não se deu por vencido e caiu em campo à procura da nova casa do Cara. Finalmente, de posse de vagas informações, pegou um ônibus e desceu no primeiro ponto do Benedito Bentes e saiu indagando das pessoas quem conhecia o novo morador do pedaço.

     Até que arriscou abordar um velhote, que caminhava arrastando os pés:

     – O senhor conhece um rapaz chamado Cara de Vaca, que se mudou recentemente pra cá?

     – E como é ele? – quis saber o ancião. 

    – É um sujeito baixinho, da cara larga, olhinho apertadinho e meio galego…

   – Será que é um que gosta de usar uma camisa do Flamengo?

   – É esse mesmo! O senhor poderia me dizer  onde é que fica a casa dele?

   – Poderia.

    – Obrigado. Onde é que fica?

    – Ele mora na curva do final desta rua. O senhor vai em frente, viu? Mas cuidado com o papagaio que tem na porta da venda da esquina. Ele é muito perigoso!

     Pelicano não levou em conta a advertência do velhusco e foi passando sem dar a menor bola para o penoso, que gritou de sua gaiola, cheio de autoridade:

     – Ei! Pra onde vai?

     E Pelicano, desdenhando do louro:

    – Fica na tua, papagaio!

    O louro não gostou da resposta do sujeito e abriu o bico novamente:

     – Rex! Pega, Rex!

    Nesse momento, saltou do beco um cachorro que não tinha mais tamanho e pegou o camarada de jeito. Naquele dia, Pelicano teve  de adiar a visita que faria ao amigo, porque teve de ser remetido, às pressas, ao Hospital de Pronto Socorro, onde recebeu mais de mil pontos na bunda.

 

Uma bunda perigosamente frouxa

 

     Um paciente da ala psiquiátrica de certo hospital de clínicas, achou o caminho livre e saiu andando pelo pelos corredores do nosocômio como se fosse funcionário da casa. Aí, entrou num dos consultórios da área destinada às mulheres, onde não havia ninguém. Nesse momento escutou passos no corredor e tratou de se disfarçar: pegou um jaleco branco que se encontrava pendurado num cabide, vestiu-o, sentou-se atrás da mesa do médico e ficou dando uma de doutor. Foi quando entrou no cenário uma madame, exibindo uma cara de aflição. Ao ver o suposto médico, ela respirou aliviada:

          – Ainda bem que o senhor está aqui, doutor!…

          – E não era para estar? – rebateu o louco. – Qual é o seu problema?

          – É o seguinte, doutor… Estou com uma dor intensa na bem aqui no pé da barriga, que fica dando voltas…

          – Fica dando voltas feito estrevolim, hein? Tá bom.

          Feita a observação, o falso médico abriu a gaveta do birô onde se achava apoiado, pegou um tubo de pomada, uma caneta e um pedaço de papel, onde garatujou qualquer coisa. Depois, recomendou:

          – A senhora vai passar essa pomada no lugar da dor. Mas passe em círculo, assim, ó: da direita para a esquerda…

         – E se eu errar e passar ao contrário, doutor?

        – Não, não, não! Não faça isso de jeito nenhum!

        A paciente alarmou-se com a reação do médico:

       – Por que, doutor? É perigoso?

       – Perigosíssimo! A senhora desatarraxa o umbigo e a bunda cai!

 

A desculpa da baixinha

 

     Quem quiser ver a baixinha Tercila Cabral invocada, chame-a de gordinha. Tercilinha não é bem uma gordinha, ela é uma bolinha. Outro dia, ela tinha programado com uma de suas irmãs – igualmente baixinha -, irem as duas a uma festa de aniversário na casa de uma parenta. A mana aprontou-se rapidinho, ao passo que Tercilinha demorava, trancada no quarto, havia cerca de duas horas.

     A irmã de Tercilinha perdeu a paciência e foi ter com ela. Encontrou-a molhadíssima de suor, tentando enfiar um vestido no corpo:

     – Ô mulher, você não está vendo que esse vestido não cabe mais em você?!  Bote na cabeça que engordou um pouquinho…

          Tercilinha virou uma fera, com a observação da irmã:

          – Engordei o cacete! Você não sabe que uma roupa quando fica muito tempo pendurada acaba encolhendo?

 

Promessa é promessa!

 

     Uma patota de gozadores que frequentava a lanchonete Oriente pegava pesado com o gerente Nobuo, um japonês sorridente, constantemente bem humorado. Um dia, esses gozadores se mancaram e chegaram à conclusão no sentido de que deveriam dar um basta nas sacanagens pois, afinal, o japinha nunca reagia às brincadeiras, muitas vezes pesadíssimas.

     Um deles chamou o oriental e prometeu, em nome dos demais:

     – Olha, Japa, de hoje em diante você pode ficar tranquilo porque  ninguém irá mais lhe gozar e nem encher o seu saco, tá bom?

     E o Nobuo, sem parar de rir:

     – Okê! Inton, zapon tombê promete que de agola em diante num faze mais xixi na sopa de vocês, né?

 

O reverendo também é convidado!

 

     Biritado como sempre, o pinguço Alcolídio Caicêdo entrou na igreja, justo na hora em que fiéis faziam fila diante do confessionário. Então, ele parou no meio do salão e abriu o bocão:

     – Atenção, galera! Comigo num tem santo, num tem reza, num tem fulerage nenhuma, tão sabendo? Amanhã, lá em casa, vai ter a maior cachaçada e tá todo mundo convidado! É o meu aniversário, se ligaram?

     Nesse momento o padre botou a cabeça de fora do confessionário, para ver o que estava ocorrendo, e o pinguço não deixou por menos:

     – E você aí, ô da privada! Tá convidado também, certo?

 

Míope demais!

 

     Duas velhas amigas, uma delas bem acompanhada, encontraram-se no passeio da praia de Pajuçara.  Manifestou-se, então, a primeira:

     – Olá, Margarida, como vai?

     – Eu vou bem, Isaura. E você?

     – Vou ótima! Hmmm… o seu marido está tão elegante! Quem era o Nelson, hein? Com esse blazer novo ficou tão diferente! – observou Isaura, apertando os olhos.

     Margarida esclareceu:

     – Olha, Isaura, este aqui não é o Nelson e nem ele está de blazer novo…

     – Ahhh… e não? E quem é esse, então?

     – É o Felisberto, meu novo marido!