Ailton Villanova

15 de setembro de 2016

UM APAIXONADO AZARADO

 

 

(Com Diego Villanova)

 

 

 

     Depois de muita conversa de esquina e lugar sem luz, a empregada doméstica Maria José da Silva, a Zequinha, morena de corpo vistoso, bastante apetitoso, constatou que a presença do auxiliar de mecânico José Santana a deixava nervosa. Esse barato, Zequinha entendeu que era algo mais profundo do que uma simples amizade. Depois do décimo encontro, ela resolveu oferecer ao amado uma prova de sua paixão. Antes, porém, quis certificar-se das intenções dele:

     – Escuta, nego, tu gosta mesmo de mim?

     E ele, muito convicto:

     – Mas é craro, minha paixão! Tu ainda duvida?

     A morena suspirou revirando os olhos, e prosseguiu:

     – Nesse caso, vamos fazer o seguinte… Tu passa lá em casa depois da meia-noite, pra gente namorar mais à vontade, topa?

     – E donde qui fica mermo a rua qui tu mora, boneca? 

     – Estou falando da casa onde trabalho e durmo…

     – Ah, tá bom. Mas como é que eu vô entrá lá a essa hora?

     – Eu dou um jeito!

     Feliz da vida com a aceitação da proposta, a jovem apaixonada deu as coordenadas pro namorado:

     – Olha, eu vou deixar o portão encostado, com o ferrolho aberto, tá certo?

     – Tá!

     O que Zé Santana não sabia é que teria uma alameda pela frente, para chegar à dependência que Zequinha ocupava no fundo da bela residência dos patrões.

     E a morena procedeu conforme prometera. O cão de guarda, um rotweiller violentíssimo, ela manteve trancado no canil. Só que não contava que o patrão, o contador e economista Petrúcio Oliveira, ressacado da farra que fizera na manhã daquele dia, entenderia de acordar no meio da noite pra fazer xixi no fundo do quintal, coisa que poderia ter feito dentro de casa, no seu toalete. Só pode ter sido armada do cão, não simplesmente de bêbado.

     Petrúcio terminou de dar a sua mijada no canto do muro e observou que o cachorrão continuava trancado na sua casinha. É que a criada optara por manter o animal trancafiado para ele não atacar o namorado, que pintaria no pedaço de uma hora pra outra.

     E o dono da casa:

     – Mas que displicência, meu Deus! Esqueceram o Sansão preso!

     E soltou o animalão. Em seguida, entrou em casa e foi dormir. Nesse momento, pintou no cenário o auxiliar de mecânico Zé Santana, que meteu os peitos no portão, pronto para invadir a casa alheia.

      Naquilo que botou o primeiro pé do lado de dentro, Santana sentiu a bocanhada na canela – catrac! Olha aí o barulho do osso se partindo!

      O bairro inteiro escutou o berro do infeliz:

      – Uaaaaiii! Socooorrro! Valei-me meu padrinho Ciço!

      Foi terrível!

      O rotweiller triturou, no dente, as duas canelas do Zé Santana. De quebra, arrancou-lhe uma banda da bunda!

 

 

Economizando a sogra

 

      Madame Maria Bertúlia foi à delegacia de polícia de São José da Lage, para fazer uma deduração do marido Oribaldo Algafeu. Caso seríissimo de adultério. De posse da queixa, o delegado de então, Hélio Almeida, o Helhão, resolveu convocar o denunciado para ministrar-lhe uns conselhos, embora reconhecendo que o caso não era de sua competência.

      Oribaldo, o marido adúltero, chegou ao gabinete da autoridade policial todo cabreiro:

      – Pronto, doutor! Quê qui hai? Argum pobrêma contra eu?

     E o Helhão, alisando a barriga adiposa:

     – É um assunto delicado, mas nada que não se possa resolver com uma boa conversa…

     – Apois tá, dotô. Possa falá!

     – É o seguinte… estou sabendo que você está traindo sua mulher, dona Bertúlia. É verdade?

     – É verdade, dotô!

     – Mas logo com a irmã dela, rapaz! Posso saber por que esse estrago, meu amigo?

     Algafeu respirou fundo e explicou:

     – Simpre, dotô. É só pra inconomizá sogra!

 

 

Deu cãimbra na Hora Agá!

 

     Por uma dessas maldades do tal de destino, o Juninho nasceu sem as pernas e sem os braços. Mas ele, garotinho inteligentezinho, destemidozinho, logo, logo, conseguiu superar essa infelicidade, para alegria de seus genitores.

     Excepcional exemplo de determinação e coragem, o Juninho hoje poderia estar competindo na Paralimpíada do Rio. Mas lhe faltou o devido incentivo.

     O garoto cursava o primeiro grau quando resolveu inscrever-se numa competição de natação do colégio, onde todos os seus coleguinhas eram normais. Tremendo desafio.

     Chegou o dia da competição. Na hora da largada, quando o juiz deu o tiro de partida, o pai do Juninho o atirou na água. Para surpresa geral, Juninho largou na frente e se manteve na liderança da prova nos primeiros cinquenta metros. Tudo indicava que iria ganhar a competição. Maior torcida. Todo mundo gritando:

     – Ju-ni-nho! Ju-ni-nhôôô!

     E ele danado – zap, zap, zap… Era água pra todo lado!

     E a torcida:

     – É campeão! É campeão!…

     Aí, aconteceu o imprevisto. Faltando apenas meio metro para o final, Juninho parou e começou a afundar.

     E tudo mundo:

     – Oooohhh!

    Mais que depressa o pai do garoto lançou-se na água e o retirou da piscina. Decepcionado ele perguntou ao Juninho:

     – Mas o que foi que houve, meu filho? Você estava indo tão bem!..

     E Juninho, desolado:

     – Deu cãimbra na orelha, paínho!

 

 

O professor, o aluno e os rins

 

     Um estudante de medicina, que havia três anos não passava na disciplina de Anatomia, pediu ao professor que o ajudasse. Já de saco cheio do cara, o mestre resolveu então dar uma força:

     – Meu prezado, vou lhe fazer apenas uma simples pergunta; se você acertar, passará no exame, certo?

     – Certo, professor!

     – Então, tá. Me responda: quantos rins nós temos?

     Sem titubear o brilhante aluno respondeu:

     – Dois, professor!

     – Meus parabéns! Você acertou!

     Mais tarde, seus colegas admirados, indagaram:

     – Qual foi a pergunta que o professor fez?

     – Ele perguntou quantos rins nós temos. Muito fácil. Um dele e outro meu, são dois!