Ailton Villanova

7 de setembro de 2016

As velhinhas do piadista Mané Calixto

 

(Com Diego Villanova)

 

      Na sua época, ele foi considerado o mais desbocado contador de piadas e causos de Ponta Grossa e adjacências. Seu Manuel Calixto só abria a boca para escandalizar. Até nas festas do padroeiro do bairro ele botava pra quebrar, com suas tiradas desbriadas. Todas as vezes que ele surgia na esquina da rua onde morava, sua vizinha, dona Esmeralda, entronchava a cara, cuspia de lado e repetia:

     – Ihhh! Lá vem aquele imoral!

     Um dia, seu Manuel Calixto recebeu um convite do compadre José Pedro Romão para uma festa de aniversário em sua casa (dele, José Pedro), em Marechal Deodoro, e foi lá. Era uma festa muito fina e comportada, cheia de formalidades. O mulherio vestia longo e os homens paletó e gravata. Manuel Calixto no mesmo embalo, exibia um vistoso terno de tropical inglês. Para o amigo leitor ter uma idéia da finura do ambiente, o maior palavrão que se tinha ouvido por alí foi “bunda”, mesmo assim seguido de mil pedidos de desculpas.

      Pois bem. Encontravam-se todos conversando e bebendo, numa boa, quando alguém sugeriu que se contasse um causo, uma piada, para relaxar o ambiente. Aí, um dos convidados se virou pro Manuel Calixto e sugeriu:

      – Por que você não conta uma das suas, Mané?

      Imediatamente, saltou o anfitrião, que conhecia muito bem o compadre, e falou meio apavorado:

      – Não! Ele, não! O compadre Mané Calixto está meio rouco, não  é compadre?

      E Calixto, tirando o anfitrião de tempo:

      – Quem lhe disse que estou rouco? Eu nunca estive tão bem! Se os amigos querem que eu conte um causo, não vejo mal algum!

      – Então conta! – aduziu o camarada de antes.

      O demais acompanharam:

      – Conta! Conta! Conta!

      Novamente, o anfitrião tentou evitar o desastre:

      – É que os causos e piadas do compadre muito pesados…

      Novamente o Calixto:

      – Nesse caso contarei uma piada bem levezinha, tá bem?

      Madame Cremilda, a dona da casa que a tudo ouvia e assistia, resolveu entrar no papo:

     – Ah, se é assim, compadre Manuel, o senhor pode contar uma piadinha bem levezinha.

     E o pessoal, renovando o coro:

     – Conta! Conta! Conta!

     – Tá certo. Já que vocês insistem, vou conta uma piadinha, só uma, bem fraquinha.

     – Conta! Conta! Conta!

     – Lá vai… Havia na Ponta Grossa, um tarado terrível, que adorava comer velhinhas de 90 anos. Era cada velhinha gostooosa!…

 

 

Apenas por consideração

 

     Dois bêbados conversavam em um boteco da periferia quando, a certa altura da madrugada, o primeiro propôs:

     – Ô Alcorácio, que tal a gente “irmos” pra um puteiro?

     – Boa idéia! – respondeu o Nistatino que, ao dar mais um passo em direção ao companheiro, caiu e esborrachou-se no chão.

     Ao reparar no lamentável estado do amigo, o Nistatino concluiu que ele jamais teria forças para fazer sexo com uma mulher e decidiu levá-lo para sua própria casa.

      Ao bater à porta, a dupla foi atendida por uma mulher velhusca e derrubadona.

      – Porra meu louro! Que mulher mais feia! – comentou o Alcorácio.

      – Quêisso, meu irmão? Essa é a minha mãe! – rebateu o Nistatino.

      Aaaahhh! Então eu vou comer só por consideração!

 

 

Finalmente a descoberta!

 

      Dona Arquibalda liberou o marido Eucalízio para tomar umas cervejas com sua turma de trabalho. Ele chegou tarde, e ela perguntou:

     – Onde você estava até agora, Calizinho?

     E ele:

     – Eu estava num bar chamado “Sonho Dourado”. É incrível! Você precisava ver, Baldinha! Lá, tudo é de ouro! A mesa é de ouro, as cadeiras são de ouro, o balcão é de ouro, as garrafas são de ouro e até o vaso sanitário é de ouro!

     – Até o vaso sanitário?! Ah, meu amor, não me enrole!

     – Tá duvidando? Pegue o telefone, ligue e pergunte!

     Como não estava acreditando na conversa do marido, dona Arquibalda pegou o telefone e ligou:

     – Alô? É do Bar Sonho Dourado?

     – Alô! É sim, senhora. Boa noite!

     – Moço, eu gostaria de uma informação…

     – É só pedir, dona…

     – As mesas daí são de ouro?

     – Positivo, senhora.

     – As cadeiras daí também são de ouro?

     – Sim, senhora.

     – O balcão daí é mesmo de ouro?

     – É, senhora.

     – E as garrafas… são de ouro?

     – Todas, senhora.

     – Até o vaso sanitário é de ouro aí?

     Nesse momento, o cara que atendia ao telefone, gritou para alguém, lá no fundo:

     – Ei, Ataídes! Achamos quem cagou na sua tuba!

 

 

Sem cavalo, burro serve!

 

     Grande artista – cantor, compositor e humorista de grandes méritos o saudoso Roberto Becker, sempre foi irreverente e gaiato. Infelizmente, morreu cedo, na cidade de Aracaju, onde estava morando. Roberto Becker nunca perdeu a oportunidade de tirar uma onda, de fazer uma piada com alguém.

      Quando era estudante do Colégio Estadual, que à época funcionando na Rua do Livramento, Becker foi ao Teatro Deodoro, juntamente com um grupo de colegas, para assistir a um espetáculo gratuito, intitulado “Ricardo III”, de William Sheakspeare, e aí se deu mal quando tentou tirar uma onda com o ator principal  .

       Na hora em que o supradito ator pronunciou aquela célebre frase “meu reino por um cavalo”, o gaiato Becker achou de interferir em voz alta:

     – Não serve um burro?

     O ator saiu do script e respondeu:

     – Serve. Pode subir ao palco!