Ailton Villanova

1 de setembro de 2016

Emprego é bom, mas sem fofoca!

     Hoje em dia, pra qualquer empreguinho os negos estão exigindo o tal de “exame intelectual”, que não é outro senão a prova de conhecimentos gerais. E foi uma das tais que deixou indignado o radical Febrônio Cajusé.

     Necessitando urgentemente trabalhar, Cajusé inscreveu-se para uma vaga de vigilante, em determinada empresa de Maceió e no dia do exame ele estava lá, instalado como o primeiro da fila. Não demorou muito, um sujeito usando óculos de lentes fundo de garrafa, o chamou:

     – Preparado para o exame?

     E Febrônio Cajusé:

     – Mais ou menos…

     – Vamos ver, então. Sente-se alí naquele canto, por favor.

     O candidato sentou-se diante de uma mesinha no lugar indicado, e ficou aguardando o início da aquilatação dos seus conhecimentos. Daí a pouco, o examinador deu início a arguição:

     – Bem… vamos iniciar pela História do Brasil, certo?

     – Certo.

     – Você é bom de memória?

     – Faço o possível.

     – Então, me fale de Pedro Álvares Cabral!

     – Falar de quem?

     – De Pedro Álvares Cabral!

     A reação do Cajusé espantou os demais candidatos e o próprio arguidor: ele levantou-se de um pulo, arregalou os olhos e despejou:

     – Não quero mais esse emprego!

     – Ora, mas por quê? – indagou o examinador.

     – Porque detesto fofoca!

     – Fofoca?! De onde você tirou essa idéia? Ficou maluco?

     – Maluco o cacete! O senhor acaba de me pedir pra falar mal desse tal de Pedro Alves, que eu nem conheço!

     – Mas…

     – Quero saber de fofoca não, meu senhor. Tô fora dessa!

     E girou nos calcanhares, retirando-se da sala.

 

 

O “amigo” era ele próprio!

 

     Apesar de muito retraído, padre Silvestre tinha a fama de desmantelador de corações femininos. O reverendo era um verdadeiro atleta e, ainda por cima, galego dos olhos azuis. Sua paróquia ficava no interior de Pernambuco.

     Um dia, tempo nublado e ameaçador, ele entrou no consultório médico do amigo Adelflanaldo Botelho, que também era chegado a um rabo de saia:

     – Meu caro doutor! Estou precisando de um grande favor seu!

 padre.

     – Você manda, meu caro! O que deseja deste seu velho amigo?

     – É que eu tenho um paroquiano que pegou uma doença venérea e…

     O doutor interrompeu:

     –  Tudo bem, reverendo. Pode pôr o seu amigo aí pra fora, que eu vou examiná-lo!

 

 

Mulher bastante caridosa

 

     Trabalhador incansável, o Obliteraldo viajava a semana inteira por tudo quanto era biboca nordestina, exercendo a função de propagandista de remédios. Só voltava pra casa no sábado, morrendo de cansado e, na grande maioria das vezes, sem condições de exercer o seu papel de marido, no leito conjugal. Certa feita, madame ameaçou: “Olha, Obli, se você continuar me negligenciando, eu vou me virar por aí!”.

     Mais ou menos um mês depois dessa promessa, a mulher do Obliteraldo deixou de reclamar e ele então passou a se ligar na realidade.

     Bela manhã de domingo, Obliteraldo embocou na igreja de venta acêsa e foi direto à sacristia, onde se achava o pároco:

     – Padre Odorico, pelamordedeus…

     – O que foi que houve, que lhe deixou tão desarvorado, meu filho?

     – Ela cumpriu a promessa!

     – “Ela” quem? Quem foi que “cumpriu a promessa”?

     – A minha mulher, padre! Hoje eu descobri que ela está dando pra todo mundo!

     E o vigário:

     – Louvado seja Deus! Espero que ela também se lembre dos irmãos aqui da paróquia!

 

 

O velho tarado “primaveril”

 

     Seu Lindolfo, velhote imoral e safado, morador do Farol, adorava dar “cantadas” em cocotinhas. Viúvo, ele sentava a bunda num daqueles bancões de cimento da Praça do Centenário e haja a tirar onda com a menininhas.

     Uma tarde, aboletado no ponto de sempre, vislumbrou uma moreninha cheínha de curvas e ficou de butuca nela. Quando a garota foi passando, ele pilheriou:

     – Quanta saúde, hein?

     – E daí? – replicou a garota, meio malcriada.

     – Daí nada, minha queridinha. Você gosta de primavera?

     – Gosto, sim, por quê?

     – Porque eu tenho quase 80 primaveras pra você abusar delas do jeito que quiser.

 

 

Corno gordo não emagrece!

 

     Nestorzinho entrou em casa aos prantos. Seu pai, o mecânico Hipotenuso, tomou o maior susto:

     – O que foi que houve, meu filho?

     E o menino:

     – Foi seu Arionélio… Ele me deu um cascudo… snif…

     Hipotenuso subiu nas tamancas e partiu para enfrentar o agressor do filho. Embocou na casa do sujeito e falou brabo:

     – Ô seu fiadaputa! Por que em vez de bater numa criança você não tenta bater num homem?

     – É que o seu filho mereceu! – defendeu-se o agressor.

     – Mereceu, é?

     – Mereceu. Ele andou espalhando pela vizinhança que eu sou um corno gordo!

     – E você acha que batendo no menino vai emagrecer, por acaso?

 

 

Traidor compulsivo

 

     Sacerdote ainda novo, Nildo Villanova assumiu a paróquia de Sertãozinho, em Pernambuco, cheio de novidades. No seu terceiro sermão dominical, ele anunciou, cheio de autoridade:

     – Mandei providenciar vários exemplares de cruzes especiais para os pecadores desta paróquia. Solicito que cada marido venha aqui e pegue uma cruz para pôr no local onde já tenha traído a esposa.

      Nesse momento, levantou-se um tal de Esmeraldino e falou pro sacerdote:

      – Me separe logo umas vinte, viu reverendo?

 

 

Todos precisam dormir!

 

     O ilustre conferencista Leobino Fonsêca soltava o verbo, perante seleta platéia, num determinado centro de ensino.

      Todo ancho, crente que estava abafando, ensinava “como dominar as massas com o uso da oratória”. Numa das primeiras filas, um certo Auriglonaldo puxava o maior ronco, fato que motivou a reclamação do colega ao seu lado:

     – Ô meu! Para de roncar! Você tá atrapalhando os outros!

     – E eu com isso? – respondeu o inconveniente. – A boca é minha, a goela é minha, e eu ronco a hora que quiser!

 

     – Tudo bem. Mas todo mundo está acordado por sua causa!

Emprego é bom, mas sem fofoca!

 

     Hoje em dia, pra qualquer empreguinho os negos estão exigindo o tal de “exame intelectual”, que não é outro senão a prova de conhecimentos gerais. E foi uma das tais que deixou indignado o radical Febrônio Cajusé.

     Necessitando urgentemente trabalhar, Cajusé inscreveu-se para uma vaga de vigilante, em determinada empresa de Maceió e no dia do exame ele estava lá, instalado como o primeiro da fila. Não demorou muito, um sujeito usando óculos de lentes fundo de garrafa, o chamou:

     – Preparado para o exame?

     E Febrônio Cajusé:

     – Mais ou menos…

     – Vamos ver, então. Sente-se alí naquele canto, por favor.

     O candidato sentou-se diante de uma mesinha no lugar indicado, e ficou aguardando o início da aquilatação dos seus conhecimentos. Daí a pouco, o examinador deu início a arguição:

     – Bem… vamos iniciar pela História do Brasil, certo?

     – Certo.

     – Você é bom de memória?

     – Faço o possível.

     – Então, me fale de Pedro Álvares Cabral!

     – Falar de quem?

     – De Pedro Álvares Cabral!

     A reação do Cajusé espantou os demais candidatos e o próprio arguidor: ele levantou-se de um pulo, arregalou os olhos e despejou:

     – Não quero mais esse emprego!

     – Ora, mas por quê? – indagou o examinador.

     – Porque detesto fofoca!

     – Fofoca?! De onde você tirou essa idéia? Ficou maluco?

     – Maluco o cacete! O senhor acaba de me pedir pra falar mal desse tal de Pedro Alves, que eu nem conheço!

     – Mas…

     – Quero saber de fofoca não, meu senhor. Tô fora dessa!

     E girou nos calcanhares, retirando-se da sala.

 

 

O “amigo” era ele próprio!

 

     Apesar de muito retraído, padre Silvestre tinha a fama de desmantelador de corações femininos. O reverendo era um verdadeiro atleta e, ainda por cima, galego dos olhos azuis. Sua paróquia ficava no interior de Pernambuco.

     Um dia, tempo nublado e ameaçador, ele entrou no consultório médico do amigo Adelflanaldo Botelho, que também era chegado a um rabo de saia:

     – Meu caro doutor! Estou precisando de um grande favor seu!

 padre.

     – Você manda, meu caro! O que deseja deste seu velho amigo?

     – É que eu tenho um paroquiano que pegou uma doença venérea e…

     O doutor interrompeu:

     –  Tudo bem, reverendo. Pode pôr o seu amigo aí pra fora, que eu vou examiná-lo!

 

 

Mulher bastante caridosa

 

     Trabalhador incansável, o Obliteraldo viajava a semana inteira por tudo quanto era biboca nordestina, exercendo a função de propagandista de remédios. Só voltava pra casa no sábado, morrendo de cansado e, na grande maioria das vezes, sem condições de exercer o seu papel de marido, no leito conjugal. Certa feita, madame ameaçou: “Olha, Obli, se você continuar me negligenciando, eu vou me virar por aí!”.

     Mais ou menos um mês depois dessa promessa, a mulher do Obliteraldo deixou de reclamar e ele então passou a se ligar na realidade.

     Bela manhã de domingo, Obliteraldo embocou na igreja de venta acêsa e foi direto à sacristia, onde se achava o pároco:

     – Padre Odorico, pelamordedeus…

     – O que foi que houve, que lhe deixou tão desarvorado, meu filho?

     – Ela cumpriu a promessa!

     – “Ela” quem? Quem foi que “cumpriu a promessa”?

     – A minha mulher, padre! Hoje eu descobri que ela está dando pra todo mundo!

     E o vigário:

     – Louvado seja Deus! Espero que ela também se lembre dos irmãos aqui da paróquia!

 

 

O velho tarado “primaveril”

 

     Seu Lindolfo, velhote imoral e safado, morador do Farol, adorava dar “cantadas” em cocotinhas. Viúvo, ele sentava a bunda num daqueles bancões de cimento da Praça do Centenário e haja a tirar onda com a menininhas.

     Uma tarde, aboletado no ponto de sempre, vislumbrou uma moreninha cheínha de curvas e ficou de butuca nela. Quando a garota foi passando, ele pilheriou:

     – Quanta saúde, hein?

     – E daí? – replicou a garota, meio malcriada.

     – Daí nada, minha queridinha. Você gosta de primavera?

     – Gosto, sim, por quê?

     – Porque eu tenho quase 80 primaveras pra você abusar delas do jeito que quiser.

 

 

Corno gordo não emagrece!

 

     Nestorzinho entrou em casa aos prantos. Seu pai, o mecânico Hipotenuso, tomou o maior susto:

     – O que foi que houve, meu filho?

     E o menino:

     – Foi seu Arionélio… Ele me deu um cascudo… snif…

     Hipotenuso subiu nas tamancas e partiu para enfrentar o agressor do filho. Embocou na casa do sujeito e falou brabo:

     – Ô seu fiadaputa! Por que em vez de bater numa criança você não tenta bater num homem?

     – É que o seu filho mereceu! – defendeu-se o agressor.

     – Mereceu, é?

     – Mereceu. Ele andou espalhando pela vizinhança que eu sou um corno gordo!

     – E você acha que batendo no menino vai emagrecer, por acaso?

 

 

Traidor compulsivo

 

     Sacerdote ainda novo, Nildo Villanova assumiu a paróquia de Sertãozinho, em Pernambuco, cheio de novidades. No seu terceiro sermão dominical, ele anunciou, cheio de autoridade:

     – Mandei providenciar vários exemplares de cruzes especiais para os pecadores desta paróquia. Solicito que cada marido venha aqui e pegue uma cruz para pôr no local onde já tenha traído a esposa.

      Nesse momento, levantou-se um tal de Esmeraldino e falou pro sacerdote:

      – Me separe logo umas vinte, viu reverendo?

 

 

Todos precisam dormir!

 

     O ilustre conferencista Leobino Fonsêca soltava o verbo, perante seleta platéia, num determinado centro de ensino.

      Todo ancho, crente que estava abafando, ensinava “como dominar as massas com o uso da oratória”. Numa das primeiras filas, um certo Auriglonaldo puxava o maior ronco, fato que motivou a reclamação do colega ao seu lado:

     – Ô meu! Para de roncar! Você tá atrapalhando os outros!

     – E eu com isso? – respondeu o inconveniente. – A boca é minha, a goela é minha, e eu ronco a hora que quiser!

     – Tudo bem. Mas todo mundo está acordado por sua causa!