Ailton Villanova

28 de agosto de 2016

Catecismo com anedota

     Quando crianças, e até comecinho da adolescência, os amigos Petrúcio Pereira de Gusmão e Jakson Wherter Moura (hoje aposentados da Petrobras) eram que nem dois santinhos. O primeiro, inclusive, chegou a ser seminarista e o segundo ardente integrante da Cruzada Eucarística, na paróquia de Nossa Senhora do Bom Parto. Na fase adulta, Gusmão fora do seminário e Moura largado da Cruzada, eles conheceram os prazeres do mundo profano. Aí, viraram grandes boêmios e frequentadores assíduos do Mossoró, meretrício elitizado situado na zona portuária do Jaraguá, em Maceió. Só largaram a boemia quando conquistaram aquelas que, mais tarde, viriam a ser suas respectivas esposas e de constituírem belas famílias. Décadas mais tarde, quando se aposentaram da Petrobras, já estavam se readaptando à vida de “quase santos”.

     Na fase libertina pós-adolescência, a dupla Gusmão/Moura sequer passava pela porta da igreja do Bom Parto. Bem dizer viraram ateus. Um dia, um deles, justo o Jakson, recebeu o convite para ser padrinho de batismo do filho do Petrúcio. Aceitou numa boa, mas deu o maior cavaco quando o futuro compadre avisou que para assumir a responsabilidade de “pai de batismo”, na conformidade da Lei de Deus, ele teria que fazer um breve curso sobre a importância do sacramento.

     – Mas que saco, Petrúcio! – protestou. – Tenho mesmo que voltar a estudar catecismo?

     – Não é propriamente um catecismo, rapaz! É um curso sobre batismo!

     – E quem inventou isso?

     – A igreja, ora!

     – Tá bom. Mas só vou se for acompanhado…

     – Mas o padrinho é você, rapaz! Além do mais, sobrou apenas uma vaga no curso…

      Depois de muita discussão, Jakson Moura, acatou a ideia de ir desacompanhado à igreja que, por sinal, ficava (e ainda fica) em frente à sua casa, na rua General Hermes.,

      Muito chateado, ele entrou no templo para receber os sagrados ensinamentos do batismo. Outros candidatos a padrinho já se encontravam no local, aguardando o início da palestra-aula. Daí a pouco, chegou uma escurinha baixinha, de ar severo. Era dona Augusta, a professora de catecismo da paróquia. Fez-se, então, silêncio profundo.

     Dona Augusta postou-se diante da turma, temperou a goela e mandou:

     – Bem, meus caros futuros padrinhos… Inicialmente, vamos contar pra vocês a história dos nossos primeiros pais: Adão e Eva!

      Aí, saltou o Jakson e, sem pedir licença e nem nada, disparou:

     – Ué, professora! Eu não sabia que em aula de catecismo se contava anedota!

     Expulso do curso, Jakson Moura foi ser padrinho do filho do colega noutra paróquia. Em Aracaju.

 

 

Deputado, sim. Cafetão, não!

 

     Sabino Romariz, cuja marca de campeão de votos nas Alagoas ainda não foi superada, foi o deputado de sua época, mais procurado pela plebe na Assembléia Legislativa Estadual. Seu gabinete vivia entupido de gente de toda espécie, de manhã, de tarde e de noite. Chegava em casa cansado e, ao invés de repousar, tinha lá outro montão de carentes para atender.

     Romariz descansava escorado nas paredes e dormia muito pouco, com um olho aberto e outro fechado. Bela manhã, bateu no seu gabinete, na Assembleia Legislativa, um ceguinho mirradinho, raros cabelos na cabeça, todo apressadinho. Andava envergadinho. Chamava-se José Melo, mas preferia atender pelo apelido de Ceguinho Dedé. Morava no Pilar.

     Dedé aproximou-se do deputado e disse:

     – Dotô Sabino, vim aqui pra vossa incelênça me arrumá uma passáge de avião pra Sumpaulo.

     O parlamentar foi sincero:

     – Lamento, meu amigo. Passagens de avião pra São Paulo eu não tenho. Serve de ônibus?

     E o ceguinho, meio decepcionado:

     – Selve. Qui jeito, né dotô Sabino?

     – Ótimo. Vamos providenciar isso, nestante!

     – Tem mais uma coisa, seu dotô deputado…

     – Que coisa é essa?

     – Vossa incelênça vai tê de arrumá um rabinho de saia pra móde me fazê companhia. Vossa incelênça sabe cuma é difíce um ceguinho viajá sozinho pur essas istrada longíncua…

     Sabino respondeu com a sinceridade que lhe era peculiar:

     – Sinto, ceguinho. Eu sou deputado, não sou cafetão!

 

 

Um certo amigo da onça

 

     Famoso “figa de aço”, certa vez o saudoso radialista Jorge Vilar encontrou o colega Genaldo Ramalho, também de saudosa memória, com o astral baixissímo, derramando goela a dentro goles e mais goles de cerveja.

     – Que cara é essa, baixinho? – perguntou Vilar cheio de curiosidade. – Parece até que está tomando purgante! A cerveja tá choca?

     – Não, não. É que eu estou bastante preocupado…

     – Preocupado com o quê, rapaz?

     – Problemas. Nunca mais dormi direito!

     – Então o caso é sério!

     – Se é? Tenho de arrumar mil paus até amanhã, meu irmão!

     Aí, Jorge Vilar abriu os braços e fez aquela cena:

     – Ô rapaz, mas por que você não me procurou antes? 

     Os olhos do Ramalho brilharam. Emocionado, ele abraçou-se com o Vilar e perguntou:

     – Putaquipariu, meu irmão! Você vai me arrumar essa grana?

     E o Vilar:

     – Não. Mas tenho uma amostra grátis de remédio ótimo pra dormir!

 

 

Se conseguir, será tão bom!

 

     Antigo locutor das rádios Difusora, Progresso e Gazeta, o ex- radialista Arnaldo Oliveira virou taxista em Maceió. Certa feita, ele pegou uma passageira gorducha no terminal rodoviário do Feitosa, que foi logo avisando:

     – Tô chegando de Paulo Afonso e doidinha pra ir logo à casa da minha irmã. Me leve pra Cruz das Almas, por favor!

     Arnaldo, então, se lembrou de cortar caminho pelo viaduto do Jacintinho, que é conhecido como Pinguelão. Querendo ser gentil com a passageira, ele perguntou educadamente:

     – A senhora quer que eu pegue o Pinguelão?

     A passageira soltou um gritinho histérico e respondeu:

     – Bom… se o senhor conseguir dirigir com uma mão só, tudo bem!

 

 

O helicóptero foi o culpado!

 

     Maílson Ferreira, que durante anos trabalhou na área administrativa da TV Alagoas, era chegado a uma birita. Um dia, ele entrou no Bar do Duda, na Barão de Penedo, em petições de miséria: um braço e uma perna engessados e a cara toda cheia de esparadrapo. Antes de abrir a boca para pedir alguma coisa, o garçom Tonho Arapiraca perguntou, abismado:

     – O desastre foi sério, hein? Virada de carro ou atropelamento?

     E o Mailson, falando com alguma dificuldade:

     – Foi a porra de um helicóptero!

     O garçom espantou-se:

     – Helicóptero??? Você caiu do helicóptero ou o helicóptero caiu em cima de você?

     – Nem uma coisa e nem outra. Eu tava biritado, o helicóptero ia passando, voando baixo, então eu achei de levantar a cabeça pra olhar!

     – E aí?

     – Caí num buraco da Casal, que tinha mais de dez metros de fundura!