Ailton Villanova

18 de agosto de 2016

Um peixe muito macho!

 

(Com Diego Villanova)    

 

      Sertanejo nascido nas lonjuras de Delmiro Gouveia, Pedro Monsueto, o Pedrinho de Dudé, cansou de vier na secura da região. Vendeu seu pedacinho de terra, onde plantava milho e feijão, e se mandou pra Maceió com a grana no bolso, sem ter noção alguma de como e onde empregá-la. Semana depois de haver se hospedado num pensionato do bairro da Levada, ele soube que uma viúva bem recente chamada Dona Lica, estava negociando o barzinho que fora  do finado marido. Então, ele foi lá verificar se o negócio dava pé.

     Conversa vai, conversa vem, Pedrinho de Dudé adquiriu o boteco por um preço razoável, segundo ele próprio considerou.

     Depois de providenciar uma reforma a seu gosto, o novo proprietário reinaugurou o bar, acrescentou-lhe uma dependência destinada a comilanças a qual intitulou de “restaurante”. Aí, a freguesia começou a pintar no pedaço.

     No sábado seguinte ao da reabertura do negócio, eis que surgiu na parada um certo Osório Bocão, cuja fama de comilão ultrapassava os limites do bairro da Levada, estendendo-se ao Pontal da Barra, passando por Ponta Grossa, Prado, Trapiche da Barra e Vergel do Lago.

     Bocão entrou pisando firme no estabelecimento comercial do Pedrinho de Dudé, arrastou uma cadeira, aprumou-a diante de uma mesa, sentou-se e requisitou:

     – Me veja aí uma cerveja gelada e me prepare um peixe no coco, no caprinho!

     – É pra  já! – prometeu o novo dono.

     Num piscar de olhos, o rango do cara estava sendo servido. Ele olhou longamente para o prato, franziu a testa e dirigiu-se ao Pedrinho:

     – Ô meu chefe, que mal lhe pergunte…

     – Possa perguntar.

     – Esse peixe é fresco?

     Entre indignado e convicto, o sertanejo respondeu:

     – Comigo num tem viadage, meu amigo. Esse pêxe aí é Xaréu, um pêxe munto macho!

 

 

Na dúvida, cheque repartido

 

     Encontrava-se o folclórico prefeito sertanejo Zé Flor entretido em bolinar a rechonchuda secretária Marinita, quando foi interrompido  pelo secretário de finanças Anacleto Januário:

     – Dê licença, seu prefeito…

     E ele, largando a mulher:

     – Já qui me intrapaiô, possa falá, Nacreto. Quê quié?

     – Tem uma conta de 60 mirréis pra liquidá com o “impeleitêro” do açude…

     – Pois intonce pague! Faça o ricibo, Nacréto!

     Anacleto ficou parado, encarando o prefeito, que perguntou:

     – Uquié qui tu tá isperando, hôme? Vá fazê o ricibo pra eu assiná!

     E o auxiliar:

     – E como é que se escreve sessenta? É com um “si” ou cum dois?

     Zé Flor pensou um pouco e respondeu:

     – Nesse causo, tu fáis dois de trinta!

 

 

Antes da lei, como é que era?

 

       Encontrava-se o então repórter Afrânio Roberto Queiroz (hoje procurador de justiça do estado) à porta da Assembléia Legislativa, onde era credenciado como cronista parlamentar, quando foi abordado por um determinado deputado:

     – Meu caro jornalista, você que é um homem letrado e muito sabido, me mate uma curiosidade…

     – Pois não, deputado…

     – É verdade que essa tal de “Lei da Gravidade” é quem mantém as pessoas em pé?

     – É sim, deputado. Se não fosse a Lei da Gravidade, todos nós estaríamos flutuando no espaço!

     O parlamentar então exclamou:

     – Putaquipariu, rapaz! Me explique outra coisa: como era que todo mundo fazia antes dessa lei ser aprovada?

 

 

Chuva “incrivimente incepicioná”!

 

     Pela primeira vez, o matuto Serapião Cordulino veio à capital e, com ele, a esposa Sebastiana. Encantado com as coisas bonitas que via, o casal suspirava emocionado.

     Serapião e Sebastiana caminhavam, então, pela Avenida da Paz, cuja pista, na ocasião, estava tendo o seu asfalto recapeado. E tinha lá um caminhão despejando água no canteiro de obras. Ia pra frente e voltava, fazendo aquele chuvisquinho…

     Ao reparar naquilo, seu Serapião não se conteve:

     – Arrepara só, mulé! Qui coisa mais incrivimente linda! Essa capitá é mêrmo incepicioná!

     E a mulher, de queixo caído:

     – Vixe meu Padim Ciço! Só vendo pra crê! Se a gente contá lá im Santana do Ipanema qui viu a chuva passiando de caminhão, vão chamá a gente de mentiroso!

 

 

“Despertou”, mas não adiantou!

 

     A “gostosidade” provocativa da loura Crisálida Aparecida vinha deixando seu chefe Amarildo muito louco de tesão. Ciente disso, deitava e rolava pra cima do cara. Abusava mesmo! Jamais chegou ao trabalho no horário convencional.

     Um dia, o Amarildo se mancou e chamou a gostosura à responsabilidade. E fez mais: presenteou-a com um despertador, adquirido na pequena empresa do jornalista Paulo Omena. No ato da entrega do presente, Amarildo recomendou:

     – Olha, minha linda, instale ele na cabeceira da cama. Duvido que você consiga continuar dormindo quando a campanhia tocar.

     A providência não surtiu efeito. Dia seguinte, a lourinha chegou mais atrasada ainda, pro expediente. Aí, o chefe foi mais veemente na repreensão:

     – Assim já é demais, Crisálida! O despertador não funcionou?

     – Funcionou sim, chefinho. Mas foi quando eu estava dormindo!

 

 

O primeiro chifre do Marsúpio

 

     Durante cinco anos, o Marsúpio economizou uma grana considerável para a lua-de-mel. Seu casamento com a donzela Petúnia foi uma beleza. Centenas de convidados, que se esbaldaram nas comidas e bebidas, as quais “deram no meio da canela”, conforme se diz na gíria.

     A viagem de luz-de-mel, programada com muita antecedência, teve caráter internacional, iniciando por París, de onde o casal partiu, de trem, para o interior da França, num roteiro romântico, com percurso longo e cheio de túneis.

     Num dado momento, o trem entrou num túnel gigantesco, daqueles que não acabam nunca. E o pior é que desenvolvia velocidade lenta, deixando tudo escuro um tempão. Quando finalmente terminou a passagem pelo túnel, o Marsúpio com ares de maroto, comentou com a delicada esposinha:

     – Se eu soubesse que esse túnel era tão comprido, tinha feito amor com você aqui no trem!

     E ela, abismada:

     – Ué! Quer dizer que não foi você?!!!