Ailton Villanova

6 de agosto de 2016

O chato da empadinha

     A lanchonete do Orgalphílio Moreira estava lotada e ele correndo de um lado a outro, para atender a freguesia. Nesse momento, entra um tal de Flináudio, conhecido no pedaço como o cara mais chato da paróquia. Ele para em frente ao balcão e pede:

     – Mê vê aí uma empadinha de geremum, meu chapa!

     Orgalphílio respondeu:

     – As empadinhas acabaram. Outra coisa: essa de geremum, aqui não vendemos!

     – E porque aqui não vende a empadinha de geremum?

     – Porque não quero e porque é ruim demais! – respondeu o dono da lanchonete, já emputecendo com o cara.

     – Tá bom. Então me dê uma coca bem geladinha, certo?

     Orgalphílio passou o refrigerante ao chato, que bebeu quase de um gole só, e em seguida, pediu:

      – Agora me veja aí uma empadinha…

      – Eu acho que você não entendeu direito. Eu já disse que a empadinha acabou!

      – Tá legal. Nesse caso eu tomo outra coca. Ah, me veja também uma carteira de cigarros… e embrulha três empadinhas pra viagem.

      – Putaquipariu! Você tá querendo me sacanear, é, seu porra? Não tem empadinha nesta merda de lanchonete! Esquece, cacete!

      – Tá bom, tá bom. Não precisa ficar nervoso. Não tem, não tem, pronto! Eu peço outra coisa: além do cigarro, eu levo uma lata de sardinha, tá certo?

      – Tá certo.

      – Mas você há de convir que uma cervejinha só cai bem com uma empadinha, é ou não é? Bota uma empadinha também no pacote!

      O dono da lanchonete subiu nas tamancas:

      – Olhe aqui, seu filho da puta… você tá de sacanagem comigo! Quantas vezes eu preciso repetir que aqui não tem bubônica de empadinha? Não tem!!!

      A estas alturas, toda a clientela estava parada, prestando atenção na discussão. Um dos fregueses não se conteve e entrou na confusão, dirigindo-se ao chato:

      – Escuta aqui, ô malandro… você doido, ou é o quê? Há dez minutos eu estou escutando esse seu papo furado. Não sei como o Orgalphílio está suportando!…   

      E, se virando para o dono da lanchonete, deu-lhe um tapinha nas costas, acrescentando:

      – Não liga pra esse pentelho, não, Orgalphílio. Traz logo a porra dessa empadinha e manda ele embora!  

 

 

Velhinha da língua presa

 

     A velhinha, olhinho apertadinho carinha encarquilhadinha e boquinha murchinha, aguardava na recepção do oftalmologista. Em dado momento, a recepcionista anunciou que era chegada a sua vez   e ela entrou no consultório. O doutor ajeitou-a na cadeira e em     seguida, apontou para um quadro cheio de letras, afixado na parede:

     – Que letra é aquela da ponta, vovó?

     A velhota respondeu:

     – Efe! 

     – Não, vovó, aquela letra é um “ésse”! – corrigiu o doutor.

     E ela:

     – E eu não dife ifo?

 

 

A emoção foi demais pro doutor!

 

     Todas as semanas seu Odulpho jogava na loteria, mas quem ia lá conferir o resultado era sua velha, dona Hipotenusa. Um dia, ele acertou sozinho na cabeça e deveria receber uma grana preta. Preocupada com a saúde do marido, cuja idade era mais de 90 anos e ainda por cima, diabético e cardíaco, dona Hipotenusa encarregou o médico da família de dar a notícia ao felizardo:

     – Olha, doutor, vá com muito cuidado, viu? Com bastante jeito, tá certo?

     – Deixa comigo!

     Dia seguinte e velhusca levou o marido ao doutor pretextando exame de rotina. Depois de examiná-lo direitinho, o médico perguntou, sem dar muita ênfase às palavras:

     – Suponhamos, seu Odulpho, que o senhor ganhasse sozinho 50 milhões na loteria… o que o senhor faria?

      O ancião respirou fundo e disse:

     – Ah, doutor, o senhor tem sido um filho pra mim! A primeira coisa que eu faria era dar metade por senhor!

     O médico caiu durinho no chão, com um ataque fulminante do coração.

 

 

Oh, mas que judiação!

 

     E naquela cidade interiorana todo mundo tem nome esquisito: Parâmetro de Souza, Estriquinina Goiabeira, Hipotenusa da Silva, Astrolábio Pereira, Australopiteco do Nascimento e vai por aí…

     Um dos moradores de lá encontra com um amigo:

     – Hipocôndrio! Há quanto tempo não o vejo rapaz! Ah, pois lá em casa temos duas recém-nascidas: Aureomicina e Penicilina!

     – Ah, foi? Nós temos também uma garotinha, de nome Maria!

     – Maria, é? Que judiação! Botaram na menina nome de biscoito!

 

 

Um cliente com todo direito

 

     Um sujeito fica um tempão na fila de determinado banco. Quando chega a vez dele, grita com a caixa:

     – Merda de banco! Esse banco é um tremendo cagalhão! Faz logo essa porra de depósito, sua filha da puta!

     Chocadíssima com o comportamento do cara, a caixa chama o gerente e expõe o caso. O gerente pergunta:

      – De quanto é o depósito?

      A caixa responde:

      – De quarenta milhões, mas…

      O gerente interrompe:

      – Faz logo essa porra de depósito, sua filha da puta!

 

 

A mania que apagou o foreba

 

     Um negócio estranho aconteceu com o casal Algamoredes/Milonildes. Depois de um tempo considerável de união estável, ela passou a não mais fazer cocô! Seu fiofó sumiu!

     Preocupadíssimo, Algamoredes pegou a mulher e levou pro doutor Aldegundes, que perguntou se o casal tinha alguma prática sexual fora do comum, algum hábito estranho na cama. A mulher negou:

     – Não, doutor, a gente faz tudo certinho, convencional. Nada de anormal!

     E o doutor Aldegundes:

     – Pense bem! Talvez alguma coisa que a senhora não esteja lembrando no momento. Ninguém perde um cu assim, sem mais nem menos.

     Ele tanto insistiu que a mulher, depois de muita relutância, acabou se abrindo:

     – Tá bom, doutor! Eu vou confessar! Tem um negócio que o meu marido gosta de fazer quando a gente transa: ele pega um pinto de borracha e fica esfregando na minha bunda. Ele acha gostoso fazer isso…

     – Ah, então é isso! O marido da senhora apagou o seu cu!