Ailton Villanova

3 de agosto de 2016

A REAÇÃO DO IMPETUOSO PADRE NILDO

 

Com Diego Villanova 

 

 

     Por tradição, e até por uma questão de hereditariedade mesmo, todo Villanova da cepa do coronel Candinho, é destemido. Em tempos passados, ele foi o maior latifundiário do município pernambucano de de Águas Belas. Em assim sendo, padre Onildo Tenório Villanova, o famoso padre Nildo – um dos 21 filhos de Candinho -, não pôde ser diferente dos irmãos e dos demais parentes, na coragem e na bravura, independente da batina que usava. Nas suas veias correu o sangue de guerreiros espanhóis e sua saga ainda hoje é honrada por incontáveis descendentes dos Villanueva que se espalharam por esse Brasilzão verde e amarelo. Mas aí é outra história.

     Pois bem. Encontrava-se padre Nildo no seu gabinete paroquial, no interior de Pernambuco, quando chegou lá uma madame da sociedade local, muito preocupada:

     – Padre… eu pequei! O senhor me conhece…

     – Conheço!

     – … sabe que nunca traí o meu marido. Acontece que apareceu aqui na cidade um bonitão lá da capital, um pedaço de mau caminho… o senhor sabe, né? A carne é fraca!

     Austero e sem papas na língua, o reverendo deu o maior esbregue na mulher e lascou uma penitência quilométrica pra ela, além da contribuição de 500 mil réis para as obras sociais da igreja.

     Logo depois, chegou outra socialite com a mesmíssima história a respeito do tal galã da capital. Novo sermão e, tal qual a anterior, a penitência teve também o aditivo de 500 mangos de contribuição para os serviços de recuperação física da igreja, além de igual quantia para as obras sociais.

     Para encurtar a história, nos dias subsequentes ocorreu verdadeira romaria de adúlteras ao confessionário do sacerdote, sempre tendo como principal protagonista o forasteiro bonitão. E Nildo sapecando penitência pra cima. A cada uma que se renovava, o valor pecuniário “para as obras da igreja” aumentava. Padre Nildo não fazia outra coisa mais, a não ser ouvir confissões das traíras.

     Então, encontrava-se ele na expectativa da chegada de mais uma pecadora, quando pressentiu uma pessoa ajoelhar-se ao seu lado, no confessionario:

     – Pode falar, minha filha. Você também cometeu adultério com o tal garanhão?

     Uma voz masculina respondeu:

     – Não, padre. O garanhão sou eu!

     – Ah, quer dizer aque você resolveu confessar os seus pecados também?

     E o safadão, cheio de ousadia:

     – Não senhor. Eu vim avisá-lo que se quiser terminar a reforma da igreja, terá que me dar 50% do valor das penitências, senão eu mudo de paróquia!

     Ah, pra quê! Diante do atrevimento do malandro, quem teve de cometer pecado foi o próprio padre: ele pulou fora do confessionário, pegou o canalhão pela goela, esfregou sua cara na parede e completou o castigo aplicando-lhe uma tremenda surra.

 

 

Os deuses do Godô

 

     Baixinho, amarelinho, bigodinho de rato, vivo até dizer basta, Godofredo Coelho, o Godô, viveu em Aracaju na década de 20 e de lá desapareceu depois que virou notícia internacional. Ele começou a surgir na mídia por ter ficado morto um dia inteiro e depois resuscitado. Assim que a notícia bateu no Vaticano, o Papa mandou chamá-lo e o recebeu com toda pompa:

     – Meu filho, o futuro da doutrina católica e de toda fé cristã está em suas mãos. Você é a primeira pessoa a ultrapassar a barreira do desconhecido. Então, me responda com toda sinceridade: Deus existe?

     Godô limpou o suor da testa, respirou fundo e respondeu de cabeça baixa:

     – Sinto muito Santidade, mas Deus não existe, não!

     O Papa quase teve um infarto com a revelação:

     – Não é possível, meu filho! Você tem certeza?

     – Tenho, Santidade. Deus não exsiste!

     Aí, o Papa ponderou:

     – Vamos fazer um acordo… Você não fala nisso com mais ninguém, porque se essa notícia se espalha vai ser um desastre com prejuízo de bilhões de pessoas em todo o planeta…

     O santo padre foi mais além: como “gratidão” pelo silêncio do Godô, disponibilizou 10 milhões de dólares em seu favor, num banco suiço.

     Dias depois desse encontro com o Papa o sergipano foi chamado em Moscou, onde foi indagado sobre a existência de Deus, pelo lider do Soviet Supremo. Aí, ele foi cruel:

     – Deus existe, sim!

     Maior rebuliço em Moscou. O comunismo mundial dependia do segredo daquela informação.

     Nervoso e transpirando bastante, o chefão do Kremlim propôs:

     – Olha, Godô, eu te dou 20 milhões de dólares pra tu ficares de boca fechada.

     E ele:

     – Só faço uma exigência. Que o dinheiro seja depositado em minha conta na Suiça.

     Godofredo nem esquentou canto, em Sergipe. Foi mandado buscar pelo presidente dos Estados Unidos, num avião especial. Na Casa Branca, o presidente lascou lá, sem delongas:

     – Deus existe?

     – Existe, excelência. Por sinal, estive com ele pessoalmente.

     O mandatário estadunidense relaxou:

     – Graças a Deus! Nós americanos não podemos estar enganados em nossa fé cristã!

     – Só tem um probleminha, presidente…

     – Probleminha? Que probleminha?

     – Deus é preto!

 

 

Uma semana de atraso, pô!

 

     O Bocaiúva já tinha passado dos 50 havia vários anos, mas resolveu testar se ainda aguentava o recorde sexual de sua juventude: sete vezes numa única noite.

     Numa tarde de domingo, chamou a mulher para a cama e meteram mãos à obra. A primeira vez foi uma beleza. A segunda já exigiu uma pausa, uma cervejinha, uns salgadinjhos para restaurar.                Depois da terceira, jantaram. Ele puxou então uma pestana e, quando acordou, atacou pela quarta vez. E assim foram indo, entre um cochilo e outro, até que, alta madrugada, ele finalmente igualou o recorde. E mergulhou no chamado “sono dos justos”. De manhã tomou um banho, botou o terno e foi para o trabalho. Em lá chegando, sempre sorridente, primeira coisa que fez foi pedir desculpas ao chefe, pelo atraso.

     – Esqueça o atraso desta manhã – resmungou o chefe. – Só quero saber por que você faltou a semana passada inteira.