Ailton Villanova

27 de julho de 2016

Debaixo de um trem, a melhor pedida!

Com Diego Villanova

       O Agapanto Pacífico saiu de Maceió ainda rapazinho, para vencer na vida em São Paulo. Chegou à capital bandeirante, de carona, montado na carroceria de um caminhão, sem um tostão no bolso. Quando pisou no chão asfaltado daquele mundão de cidade, abriu a boca a chorar.

     Passados os instantes de desespero, Agapanto ajustou a cachola no lugar e logo arrumou o trabalho de serviçal numa pizzaria e uma vaguinha pra dormir nos fundos da referida. Um dia, a sorte lhe sorriu: jogou na loteria e ganhou uma boa grana, que aplicou numa lojinha do subúrbio paulistano. Então, virou empresário.

      Depois de mais de 10 anos sem dar notícias à família, eis que num belo dia de dezembro ligou para a mãe, dona Agrícia, que quase faleceu de emoção. Agapanto aguardou que a mãe se acalmasse e anunciou:

      – Mãe, que saudade! Olha, tenho uma boa notícia pra lhe dar!

      – Tem mesmo, meu filho?

      – Tenho. Vou passar as férias em Maceió!

      – Eu não acredito!

      – Pois acredite, mãe. Me espere aí, que estarei chegando lá pro dia vinte!

      – Não diga! 

      – Verdade, mãe. E, olhe… A Rosilene, minha mulher, também vai comigo! Tem onde a gente dormir?

      – Vocês ficam no nosso quarto!

      – E a senhora e o pai?

      – A gente dorme na sala…

      – Ah, as crianças vão também, ouviu?

      – Crianças?

      – Sim, mãe, as minhas crianças. São seis!

      – Seis crianças!!! Bem… elas ficam na sala!

      – E a senhora e o pai?

      – A gente se ajeita na despensa!

      – Mãe, tem ainda dona Odulfa, a minha sogra!

      – Quem?

      – Dona Odulfa, a sogrona!

      – Se você quer trazê-la, pode trazer, né?

      – E onde ela vai dormir?

      – Na despensa!

      – E a senhora e o pai?

      Dona Agrícia respirou fundo e fulminou:

      – Eu vou me jogar debaixo de um trem! Seu pai faça o que bem entender!

 

 

Mas o que é “Chupetilho”?

 

     O Orgalpho ganhou fama e cartaz pelo fato de sempre dar um jeito em tudo, ou de encontrar qualquer coisa que lhe foi fosse pedida. Era um craque nesse barato. Certo dia, foi chamado ao escritório do doutor Experibaldo Peixôto, cidadão excêntrico que morava no Farol, e tão gozador quanto o seu amigo Bráulio Leite:

     – Orgalpho, eu sei que você arruma qualquer coisa que a gente pede ou precise, certo?

     – Exatamente, doutor!

     – Por isso mandei chamá-lo.

     – Mande as ordens, doutor.

     – Preciso que você me arrume dois “chupetilhos”.

     – Tudo bem. Eu sei onde tem exatamente dois dos bons. – mentiu o cara – Quanto o doutor espera gastar?

     – Mil cruzeiros!

     – Mil cruzeiros?! O senhor está brincando! Por mil cruzeiros é impossível arrumar dois chupetilhos. Vou embora! – replicou Orgalpho, tentando safar-se.

     – Calma, rapaz! Quanto você acha eu vou ter que gastar?

     – Pelo menos uns cinco mil cruzeiros. Bote essa grana na minha mão e negócio fechado!

     – Hmmmmm… Pelo menos esses dois chupetilhos são novos e bonitos?

     – Maravilhosos!

     – Quando você pode me entregá-los?

     – Logo, logo.

     – Então, conto com você.

     Ao sair da casa do doutor, o Orgalpho encontrou um amigo, o tal de Melquíades Teófilo e perguntou:

      – Colega, você sabe me dizer o que bubônica é chupetilho?

      Enquanto isso, em sua casa, doutor Experibaldo morria de rir, porque esse tal de chupetilho jamais existiu. Era um trote.

      A partir desse dia, Orgalpho nunca mais foi visto em Maceió.

 

 

Olha a liberdade!

 

     Cansada de andar o comércio inteiro, fazendo compras e carregando embrulhos, dona Baunília, moradora do distrito da Cambona, teve de dar uma paradinha na Praça dos Martírios, para descansar as canelas. Arriou a bagagem num dos bancos e, em seguida, relaxou. Nisso, encosta um mendigo muito do abusado:

     – Ôi minha nega! Quer dar uma voltinha com eu?

     A madame reagiu cheia de indignação:

     – Vê se enxerga, seu maloqueiro! Tá pensando o quê? Tá pensando que eu sou alguma rapariga?

     E o sujeito, exalando o maior bafo de onça:

     – Se num é, por que tá toda espichadona na minha cama?

 

 

Patrão tem direito a transa bem maior!

 

     O empresário Agrício Abaeté tinha em casa uma empregada que era o maior tesão. De modo que, com um monumento daqueles sobrando na sua frente, jamais poderia evitar uma gamação. Afinal, ele era de carne e osso.

     Tímido, Agrício disfarçava direitinho a sua paixão pela criatura. Mais ainda por que tinha também em casa uma verdadeira fera – dona Estriquinina, sua esposa. De modo que se contentava em apenas apreciar de longe aquele material.

     Um dia, dona Estriquinina viajou ao Recife com uma irmã, e ele ficou sozinho em casa com a gostosura, cujas coxas e bunda eram um atrativo ao crime de atentado ao pudor. Não suportando mais aquela situação de só comer a morena com os olhos, Agrício partiu firme pra cima dela. Era tudo ou nada!

     – Tô louco por você, Sarinha! Será que a gente poderia dar uma transadinha rápida?

     E ela:

     – Acho que não, doutor. Transada rápida só com o meu noivo.

     Agrício corou de vergonha:

     – Nesse caso, você me desculpe. E, olha, não comente nada com a Estriquinina, tá certo?

     – Quem vai comentar? Eu disse “uma transadinha rápida só com meu noivo”… mas com um patrão assim como o senhor, eu adoro transadonas daquelas de duas a três horas de duração!

 

O cúmulo do esquecimento

 

     Uma senhora jovem bonita, elegante, caminhava apressada pela via principal de um bairro elegante, com um dos seios de fora. Um transeunte abordou-a educadamente:

     – Perdão, madame… Não quero ser atrevido, mas a senhora está com o peito de fora da blusa.

     Ela bateu na testa e exclamou:

     – Minha Nossa Senhora! Esqueci a criança no taxi!