Ailton Villanova

26 de julho de 2016

Doença da China

     O sonho de criança do Orosmundo Netônio passou a ser obsessão quando ele se tornou adulto: conhecer a China. Por isso, batalhou muito. Virou empresário e, numa viagem a São Paulo, deu o primeiro passo, ao conhecer uma linda descendente de orientais, casando-se com ela. Mais ou menos bonito, Orosmundo Netônio apreciava posar de galã e de “cantar” juízos femininos, embora tendo em casa uma esposa dedicada e honesta.

      Orosmundo virou um insaciável garanhão e passou a se orgulhar muito disso. Quando completou 40 anos de idade, deu a si próprio o presente dos seus sonhos: uma viagem à China. Preferiu viajar sozinho, para aproveitar bem o barato. Na terra do mulherio de olhinhos rasgados, ele se esbaldou. Traçou o que pôde de chinesas sem o menor pudor e cuidado. Quando voltou pra casa, seu pênis tinha assumido a coloração verde-musgo. Quando ele reparou no detalhe, apavorou-se e procurou imediatamenrte o consultório de um médico amigo que, ao bater os olhos na sua peça genital, logo advinhou:

     – Você foi à China, não foi?

     – É verdade.

     – E conheceu algumas prostitutas… por acaso?

     – Um monte delas.

     – Infelizmente, esse seu problema não tem cura. Vamos ter que cortar esse troço!

     – O senhor ficou doido, doutor?

     Dito isto, Orosmundo deu meia volta e correu para outro médico, que confirmou o diagnóstico do colega. Não satisfeito, ele procurou um terceiro facultativo, dessa vez na capital pernambucana. O mesmo papo: tinha que cortar o “glorioso” pela cepa.

     O pavor aumentou no Orosmundo e outra alternativa ele não teve   senão a de se abrir com a esposa. Mulher inteligente e ponderada, ela, então, aconselhou:

     – Acho que você deveria procurar um médico chinês. Volte lá e se consulte mais uma vez. Afinal, os médicos chineses devem estar acostumados com essa doença.

     Orosmundo pegou um avião de volta à China. Chegou lá, marcou consulta com o mais renomado clínico do país, e este, ao examiná-lo, soltou uma risadinha:

     – O sinhôlo faze besteila com galotas chinesas, né?

     – É, fiz…

     – O sinhôlo farô cum médico blasileilo, non?

     – Falei

     – E médico brasileilo disse que tem que coltá, non?

     – Isso mesmo!

     – Pois num plecisa coltá, non.

     – Graças a Deus, doutor! Aqueles imbecís do Brasil são mesmo uns incompetentes. Quer dizer que não vai ser preciso cortar o meu pênis, doutor?

     – Non. Non plecisa. Ele cai sozinho!

 

 

A surprêsa da doméstica

 

     A colega Fatinha Vasconcellos saiu para o batente e deixou a casa entregue à empregada Maria Antiógena. Mas, teve de voltar em cima dos próprios passos, porque tinha esquecido um documento  importante. Ao botar os pés dentro de casa, o que foi que ela viu?

     Viu a criada mandando a maior brasa no seu uísque importado. Aí, não se conteve:

     – Mas Antiógena! Não acredito, mulher! Estou surpresa!

     – Também estou surpresa, doutora. Pensei que a senhora estava trabalhando!

 

 

“Poste” por demais chocante

 

     Altamente biritado, o Josunro “Bardhal” saiu do bar batendo um joelho no outro, parou na esquina – aquelas alturas mais escura do que brêu -, puxou o “fiapo” pra fora e começou a mijar na canela de um negrão que se achava escorado num muro residencial, pensando que ele um poste. Ao sentir o jato quente da urina do Bardhal, o negrão aplicou-lhe uma porrada tão violenta que ele foi esbarrar no outro lado da rua.

     Nisso, vai chegando outro cachaçudo, já de braguilha aberta, puxando a manguaça pra fora, com a intenção de despejar um pipizão de muita espuma.

      Aí, o Bardhal levantou o braço e gritou do lado de lá:

     – Êpa! Num mija aí não, companhêro! Procure outro poste, que esse daí tá dando um choque da bubônica!

 

 

Matador incrivelmente piedoso

 

     Perverso, frio e ignorante, “major” Ezíquio mandou matar muita gente no Sertão das Alagoas. Seu braço direito era um certo Zé de Guilé, contumaz eliminador de gente. Certa tarde de agosto, major Ezíquio o chamou na varanda da casa grande da fazenda:

     – Guilé, vai lá na Pariconha e mata um tal de Zé Sidronho (Sidrônio). Adispôis, tu interra ele no pé da serra.

     O cabra se foi e, hora depois, estava de volta.

     – O selviço tá feito, seu majó!

     – Quantas balas tu gastasse?

     – Cariceu não, majó. É qui eu fiquei cum dó do dizinfiliz… e aí interrei-lho vivo mermo!

 

 

Parentes diferentes

 

     No bar do Dodô, encravado nas profundezas do Brejal, dois pinguços enchiam o caneco e conversavam miolo de pote. Em dado momento, um deles perguntou:

     – Ô Nivaldo, tu tem parente pobre?

     – Claro que tenho, né, Adelmo? Só que num conheço nenhum deles.

     – E parentes ricos, tu tem?

     – Tenho, também. Só que eles não me conhecem…

 

 

Além de fraco, mentiroso

 

     Aquele radialista que gosta de exibir-se como “o maior garanhão da paróquia”, encontrou uma garota dando sopa na praia e a levou , pro motel. Depois de hora e meia de tentativas infrutíferas, e com a língua de fora de tanto cansaço, ele se virou para a moça e disse:

     – Olha, minha querida, eu vou botar mole mesmo pra não lhe machucar, viu?

 

 

Quem segura o bebê?

 

     De vez em quando o Fedúllcio me faz uma gracinha. Semana passada, eu me encontrava ocupadíssimo concluindo um laudo criminal para a justiça, e aí o meu celular tocou. Atendí e o Fedulcio disparou de lá:

     – Magnânimo e injaçável mestre!

     – O que é que você quer, obtusa criatura? – contraataquei.

     E ele:

     – Gostaria que o impoluto professor me respondesse sem titubear, o seguinte… um homem sem braço casa com uma mulher igualmente sem braço e aí eles têm um bebê. Qual o nome do filme?

     – E eu sei lá, porra! – respondi, puto.

     Então, o sacana deu a resposta:

     – O nome do filme, insofismável mestre, é o seguinte… “Ninguém Segura esse Bebê”!

     Desliguei o celular.