Ailton Villanova

22 de julho de 2016

Pé nunca foi documento!

    Maria Delúrbia era uma garota ingênua do tipo que acredita em Papai Noel e bicho-papão. Aos 25 anos de idade, ainda virgem zerada, fugia do sexo como o diabo foge da cruz, apesar de ser gamadona no Geraldão, o namorado. Jogador de basquete, o rapaz tinha mais de dois metros de tamanho e calçava 48, bico largo. Por causa desse detalhezinho, foi dispensado do exercito, no dia de sua apresentação. É que no quartel onde ele se apresentara, o maior número atribuído ao coturno destinado a milicada era o 44.

     Pois bem, o grande temor da linda e apetitosa Delúbia residia, justo, no tamanho do pé do amado. Explico com detalhe linhas mais adiante.

     Enquanto Delurbinha fugia de um clima mais íntimo, digamos assim, com o amado, este vivia subindo pelas paredes de tanto desejo pela donzela. Já havia gastado todo o seu estoque de cantadas e nada da garota ceder. O pavor dela aumentava todas as vezes que reparava no pezão do Geraldão. Não lhe saía da cachola a idéia de que o tamanho do “instrumento” do homem é proporcional ao seu pé. Isso, ela aprendeu na escola. Quarenta e oito de pé, é dose!

     E o coitado do Geraldão apelando para os santos. Um dia, desesperado, ele resolveu pedir socorro à dona Escolástica, madrinha de Delurbinha. E a madame, toda cheia de boa vontade, prometeu:

     – Deixa comigo, meu filho. Deixa comigo que eu vou fazer a cabeça dessa menina!

     – Olha, muito obrigado, viu dona Escolástica? Mas muito obrigado mesmo! 

     Dia seguinte, a madrinha procurou a afilhada e lascou falação pra cima dela, falação essa versada em amor e sexo. E concluiu dando a carga toda:

      – Admiro esse seu recato, minha filha… Mas, hoje em dia, não tem mais essa de guardar a donzelice para liberá-la somente na noite de núpcias. O sexo antes do casamento é fundamental, entende?

      E a moça, cheia de receios:

      – Eu sei, madrinha. Eu sei. Acontece que tenho medo danado de sofrer..

      – Sofrer, minha santa? Como sofrer?

      – É que o Geraldo tem o… o… “negócio” enorme!

      – Aahh, ééé? Então você já pegou! Já pegou, foi?

      – Não, não, madrinha! Deus me livre! Eu sei disso por causa do tamanho do pé dele! Sabe, o Geraldo calça 48!

      Bastante escolada no barato sexual, dona Escolástica falou de cátedra:

      – Ah, mas isso não tem nada a ver, minha filha! Isso é a mais pura bobagem! O mais puro folclore!

      – É mesmo, madrinha?

      – Claro, meu amor. Você quer um exemplo?  

      – Quero!

      – Pois bem, você não vê o jegue?

      – Vejo.  

      – Pois é. Ele tem uns pezinhos deste tamanhinho e, no entanto, o seu pênis… Você já viu o tamanho do pênis dele, não viu?

 

 

Velhinhos da pesada

 

     Senadinho da Rua do Comércio, boquinha da noite. Lá estavam sentadinhos os inseparáveis velhinhos Tibúrcio, Coriolano e Perigeu. Como sempre, conversavam animadamente. De vez em quando, passavam o rabo de olho nas bundas que por lá desfilavam. Em dado momento do papo, seu Tibúrcio achou conveniente anunciar:

     – Sabe, colegas, na próxima semana estarei completando 80 anos de idade!

     E os outros dois:

     – Parabéns!

     – Obrigado. E, reparem bem: vou fazer 80 anos em plena forma. Só o meu estômago é que anda rateando um pouco. Anteontem de madrugada, comi uma feijoada filha da égua, tomei dois litros de caldo de cana e, de quebra, bebi uma garrafa de cachaça. Depois disso, me bateu uma azia danada!

      Aí, interferiu seu Coriolano:

     – Ah, eu também não ando lá muito “católico”. Vocês sabem que eu já estou com 78 anos, caminho direitinho, mas não dá mais pra bater uma bolinha. Ontem de manhã joguei uma pelada na praia, depois nadei dois quilômetros. À noite as minhas canelas estavam doloridas!

      O terceiro velhusco, seu Perigeu, completou o papo:

      – Ultimamente, o que tem me preocupado é a minha memória Depois que completei 82 anos, ando meio esquecido das coisas. Hoje de madrugada, me levantei e bati no quarto da empregada. Aí, ela acordou assustada e reclamou: “Mas o que é isso, seu Perigeu? Outra vez?!”

 

 

Precipitou-se e pagou caro!

 

     O baixinho Micronésio Arruda, artista plástico em ascensão, andava doido pela vizinha Maria Erbina. Todas as vezes que ela passava rebolando o seu traseirão, ela tinha uma ereção e corria para o banheiro. Aí,  já viu, né? “Rua da Palma”!

     Um dia, Micronésio não aguentou mais e a abordou na rua:

     – Senhorita… me desculpe…

     – Tudo bem.

     – Sou pintor e gostaria de fazer o seu retrato. Só precisa posar mostrando os seios. Quanto cobra?

     A gostosura respondeu tem titubear:

     – Mil e quinhentos reais!

     Lisão, Micronésio vendeu o televisor, o videocassete, a estante da sala e o CD player e convidou a dona para o retrato. Quando começou a retratá-la com aqueles apetitosos peitões, durões, de fora, ficou alucinado:

     – Eu gostaria que você tirasse a roupa toda pro retrato de ?

corpo inteiro. Quanto cobra?

     – E ela:

     – Três mil paus!

     O baixinho vendeu a geladeira, o fogão, a bicicleta e até a cama. Quando a morena chegou para a continuação da obra pictórica, Micronésio estava com a grana na mão e a casa vazia.

      A mulher tirou a roupa. O pintor quase teve um infarto e os seus olhos quase saltaram as órbitas, quando ele reparou no material peladão na sua frente. Aí, não se segurou:

      – Pelamodedeus, transe comigo! Pode pedir o que quiser. Quanto quer?

      E Maria Erbina, tranquilona:

      – Ah, pode me pagar o que todos pagam…

      – Quanto? Quanto? Quanto?

      – Cinquenta reais!

 

 

Não seria melhor o óbito?

 

     O finado xará e companheiro de perícias forenses Aílton Rossalvo, além de gozador era um cara despachado. Para todas as indagações ele tinha uma resposta rápida.

     Além de perito legista, Aílton era médico clínico.

     Um dia, ele estava chegando para o expediente matutino no IML de Maceió quando foi abordado pelo popular conhecido como Macarrão:

     – Doutor, faz favor…

     – Pois não.

     – Eu estava aqui esperando para falar com o senhor…

     – Pois então fale, meu santo. Qual é o problema?

     – É o seguinte: eu gostaria que o senhor me arrumasse um atestado médico para eu justificar minha falta no trabalho.

     Aílton examinou o cara de cima abaixo e disparou:

     – Por que não leva logo um atestado de óbito?