Ailton Villanova

15 de julho de 2016

FUTEBOL SEM BOLA

     Fã incondicional do técnico Dunga, o ilustre Justino Elesbão meteu na cachola a ideia de ser também treinador de futebol, embora jamais tenha  tido alguma experiência com bola. De posse disso, botou as canelas pra funcionar e saiu visitando tudo quanto foi bairro da periferia da Capital. Onde havia um timezinho, ele encostava e oferecia os seus préstimos. Até que, finalmente, encontrou numa biboca encravada nas lonjuras do Barro Branco, um pouco mais pra lá do Aeroporto Zumbi dos Palmares, e na última curva do Tabuleiro do Pinto, uma tal de Agremiação Esportiva Palestra. Embocou porta a dentro e expôs os seus planos para o presidente, chamado Ciço Pereba. Imediatamente foi contratado.

     Dia seguinte, todo entusiasmado e imitando gestos, e até a fala do seu grande ídolo, reuniu todos os atletas no acidentado campo de futebol do time e deitou falação:

     – Vou fazer deste time o maior do Estado de Alagoas. Muito maior que CSA e CRB. Anotem aí. O Palestra irá jogar o futebol mais moderno do mundo, baseado na teoria do grande Dunga, que não teve tempo de bota-la em prática.

      – E que teoria é essa, professor? – indagou um negrinho careca, intitulado Biu Tição.

      Elesbão encarou o escurinho, temperou a goela e respondeu:

      – Pergunta bem oportuna, meu jovem atleta. Irei implantar o futebol sem bola!

      – Ôxi, professor, futebol sem bola?!

      – Já vi que você está por fora da revolução futebolística, meu caro. Qual é a sua posição, por acaso?

      – Sou centro-avante!

      – Pois vai jogar sem bola!

      – Num acredito, professor! E como “bobônica” eu vou fazer gol?

     – Tá vendo como você está por fora da nova teoria do futebol, inventada pelo mestre Dunga? Centro avante não vai mais precisar fazer gol, meu rapaz. Vá se acostumando com essa ideia.

     – Tá ca peste! E quem vai fazer gol, então?

     – Os beques e o goleiro. O centro avante chega na área, puxa os seus marcadores até o seu próprio campo, sem precisar pegar na bola. Feito isso, ele deixa aquela brecha enorme na área adversária. Aí, vem os dois zagueiros, driblam os adversários do meio-campo e passa a bola para o goleiro, que faz o gol…

     – Putaquipariu!

     – Essa é a técnica que o Dunga vai usar contra a Alemanha. Aí, vocês vão ver! O Brasil vai ganhar de, no mínimo, 7×0.

     No primeiro amistoso do Palestra sob a orientação do Elesbão, o time perdeu de 45×0.

 

PESO PESADO

     Num daqueles programas de assistência coletiva do governo, no interior do estado, o neurologista Dioclécio Pinto observava um paciente:

     – O senhor está prestes a ter uma hemiplegia, seu Pretextato!

     – Eita gota serena, dotô! Qui bobônica é isso?

     – O senhor vai ficar paralisado do lado esquerdo do corpo – explicou o médico.

     E o paciente:

     – Entonce, um momento, dotô…

     E rapidamente passou o saco e o bilau para o lado direito da calça.

 

SEM SEXO

     Durante uma audiência de divórcio, a mulher se vira para o marido, que se acha ao lado, e diz indignada ao juiz:

     – Esse homem é um mentiroso, doutor. Eu gosto de sexo, sim senhor.

     E depois, encarando o marido, ela prosseguiu:

     – Acontece, doutor, que esse tarado vive insistindo em fazer amor quatro vezes por ano!

 

MORREU? ÓTIMO!

     Muito distraída, a jovem secretária Emerilda Peixôto, funcionária de determinado cartório da capital, estava na dúvida a respeito de um  assentamento no livro de óbitos. Aconselhada a confirmar a informação, ela ligou para a mulher do questionado falecido:

     – Alô? Olha, minha senhora, acho que cometi um engano e gostaria que me tirasse uma dúvida…

      – Pois não.

      – O seu marido morreu?

      E a viúva:

      – Morreu. Ele morreu no dia 15 deste mês!

      E Emerilda, aliviada:

      – Ah, que bom! Graças a Deus!

 

FAÇANHA GENÉTCA

     Professor Edelzuito Marcondes, jovem zoológo competentíssimo, vive a vida curtindo pesquisas. Nas horas vagas, que são raras, aprecia tomar uns birinaites, preferencialmente no Bar do Duda, em Mangabeiras.

     Noite dessas, depois de um dia estafante de trabalho, compareceu ao  seu local predileto de biritagem, dirigiu-se ao garçom Deraldo e avisou:

     – Hoje, eu quero um Martini triplo, de saída.

     – Pois não, professor. É pra já! – respondeu o garçom.  Na reprodução de uma espécie

     – Eu hoje – prosseguiu – estou comemorando minha primeira grande façanha no campo da genética.

     Nesse momento, entrou no ambiente, toda faceira, uma garota curvilínea e rebolativa. Escutando o que o Marcondes acabara de dizer, ela chegou junto.

      – Eu também estou comemorando uma grande proeza! – disse ela.

      – Ótimo! – congratulou-se o zoólogo

      E contou o sucesso que havia obtido na reprodução de uma espécie muito rara de ave por estas bandas, capturada pela primeira vez.

       – E você o que fez?

       A garota respondeu:

       – Nada tão importante. Depois de dez anos de casada, estou grávida pela primeira vez. Mas o que foi você fez para conseguir a reprodução da ave?

       E o professor:

       – Muito simples: tudo o que fiz foi trocar os machos, até encontrar a combinação biológica correta.

     – Verdade? – exclamou a garota. – Mas que coincidência!