Ailton Villanova

14 de julho de 2016

O ATLETA INDISCIPLINADO

     Escurinho que nem um pedaço de carvão, baixinho do tamanho de nada, cabelinho espichado na base da soda cáustica, canelinhas fininhas, tortinhas, bigodinho de rato… Esse era, o Rubinaldo um jogadorzinho de futebol amador que dava um trabalho danado às defesas adversárias. Ele era atacante. Gozador até dizer basta, todas as vezes que dava um drible no marcador, ele cuspia de lado, dava uma gargalhada e dizia, entre dentes:

     – Sai daí, perna de pau!

     Os negos o cobriam de pau, mas ele nem aí!

     Rubinaldo era conhecido futebolisticamente pelo apelido de Rubinho. Atuava como atacante no time intitulado Flamengo Futebol Clube, da cidade de Maravilha, cujo treinador era o cabo PM Aflaudísio (o popularíssimo Flau). Além de se constituir no terror dos “beques” o baixinho também não era simpatizado pela grande maioria dos árbitros interioranos. Sua fama de indisciplinado corria solta pelo interior de Alagoas. Um dia, ela estacionou em Viçosa, onde pontificava um árbitro conhecido como Maciota, mas tido e havido como mediador dos mais rígidos, senão o mais.

        Um dia, a convite do presidente Beti Vilela, do campeoníssimo Comercial Futebol Clube, cujo arqueiro era o galego Edmilson Agra, eis que o Flamengo do Rubinaldo pintou na “Princesa das Matas”, para um prélio amistoso, mas que disputava uma taça dourada intitulada “Poeta José Aragão”.

     Meia hora antes do início do prélio, o estádio já estava superlotado. Aí, um moreno chegou junto do árbitro e sapecou:

     – Olha, “seu Juiz”, cuidado com o negrinho atacante do time visitante…

     – O que é que tem ele? – interessou-se o mediador.

     – É muito abusado. Gosta de tirar chinfra com tudo o que é de juiz. O nome dele é Rubinho.

     – Deixe o safado comigo. 

     – E tem mais, seu juiz. Ele faz gol até deitado. Já tô até com pena do galego Edmilson…

      E o árbitro:“

      – Já disse que deixe ele comigo. Garanto que ele não vai dar nenhum chute na bola!

       E não deu.

       Minutinho antes de começar o bate-bola, as equipes perfiladas, pelota na marca do chute inicial, as torcidas se esgoelando e o árbitro com o  apito entre os dentes. De repente, tirou-o da boca, pegou um lenço no bolso, com ele tapou o nariz e, em seguida, falou, encarando o baixinho Rubinho:

      – Peidaram!

      Os atletas ficaram atônitos. Ninguém havia sentido catinga alguma.

      O juiz deu um passo na direção do baixinho, apontou pra ele e acusou:

       – Foi você, neguinho safado!

       – Eeeuuu, seu juiz?! Quêisso?!

       – Foi você, sim! Eu vi! Tá expulso por indisciplina e falta de educação!

       O Comercial venceu de 11×0.

       Até o goleiro Edmilson Agra, fez gol!

 

 

O SILÊNCIO INTERROMPIDO[AV1] 

       Ninguém – entre dirigentes e torcedores presentes ao campo de futebol da Vila Operária, no Bom Parto -, entendeu porque, antes mesmo da bola rolar, o jogador chamado Zé Bianor, o Zé Bia, foi expulso da partida entre Galícia Futebol Clube, do Farol, e Esporte Clube Flamengo, do Tabuleiro do Martins, válida pelo Campeonato Suburbano de Maceió.

      O estádio inteiro mergulhou no mais profundo silêncio.

      O chute inicial ia ser dado pelo centro avante Zé Bia quando o juiz Diomedes Nazaré lhe esfregou o cartão vermelho na venta e berrou:

      – Pra fora!

      Quando o jogador deixava o campo, o técnico Tonhão correu até ele e perguntou:

       – Por que você foi expulso, rapaz?

       E ele, de cabeça baixa:

       – Eu peidei na hora em que o juiz pediu um minuto de silêncio!

 

 

A VACA LOUCA

     Quando a tal da Doença da Vaca Louca (está lembrado?) estourou na Inglaterra, a Rede Globo de Televisão apressou-se em mandar a Londres uma das suas mais competentes repórteres para produzir uma grande matéria a respeito. A coleguinha pegou o avião no Galeão, no Rio, e desceu horas mais tarde no aeroporto de Heathrow. De lá, rumou de automóvel até a fazenda de um certo Sir Leonard Smith, nos arredores da capital inglesa.

     O cara, que já andava invocado com os prejuízos decorrentes da doença bovina, recebeu a jornalista com visível mau humor.

     A jornalista começou a gravar:

     – Boa noite, senhor. Nós estamos aqui para ouvir sua opinião sobre a doença da Vaca Louca, dado o fato de que é um dos maiores criadores de gado deste país.

     – Well…

     – Na sua opinião, qual a razão principal das vacas terem apanhado essa moléstia?

     O fazendeiro encarou a repórter e respondeu:

     – A senhorita sabia que o touro transa com a vaca somente uma vez por ano?

     Visivelmente embaraçada a entrevistadora retrucou:

      – Bem, senhor, eu não sabia. Acho a informação interessante, mas o que isso tem a ver com a doença?

      E o inglês, persistindo no papo:

      – A senhorita sabia que as acas são ordenhadas quatro vezes por dia?

      E a repórter, meio chateada:

      – Senhor, agradeço novamente a informação. Mas por que não vamos diretamente ao ponto central da questão: a que o senhor atribui o fenômeno da Vaca Louca?

      Irritado, o fazendeiro atacou:

      – Senhorita, eu estou tentando explicar. Imagine só se eu ficasse brincando com as suas tetas por alguns minutos quatro vezes por dia e só transasse com você uma vez por ano… Você também não ficaria louca?

 

O VINGADOR

     Madame desabafava com o conselheiro matrimonial:

     – Na semana passada não deixei o meu marido entrar em casa porque ele andou por aí com um monte de raparigas. Agora, ele quer voltar. O que eu faço?

     E o conselheiro, com aquele olhar de peixe morto e alisando a mão da titubeante senhora:

     – É seu dever de cristã recebe-lo de volta. Mas, que tal se vingar desse filho da puta?