Ailton Villanova

12 de julho de 2016

PALAVRAS MÁGICAS

     Lidar com números não é fácil. Nem mesmo para a professora Tertúlia Gonzaga, contadora formada de grandes méritos e solteira convicta. Certo começo de noite, ela parou de trabalhar, porque estava se sentindo exausta, e aí resolveu que deveria tomar um chopinho num barzinho descontraído na orla da Pajuçara. Em assim sendo, pegou o seu carrinho e se mandou pra lá. Não demorou muito, estava estacionando na porta do Bar do Biu. Apeou-se do veículo e entrou lá, pisando firme. Ocupou uma mesa de canto e pediu a bebida ao garçom Alfredão:

     – Meu querido, me traga um chope bem gelado e uns salgadinhos!

     O garçom foi rápido. Em menos de dois minutos Tertúlia estava saboreando a bebida e o tira-gosto. De repente, a porta do bar se abriu e ingressou no ambiente um sujeito fortão e bonitão como ela jamais tinha visto na vida. Um verdadeiro Deus grego. O devia medir pra lá de 2 metros de tamanho. Seus cabelos eram lisos e louros.

     A ilustre mestra não conseguiu desviar os olhos do atleta. Era como estivesse hipnotizada. Notando que era objeto da atenção daquela mulher, o bonitão animou-se todo. Com um sorriso cínico, ele se aproximou da balzaca e falou em tom melífluo:

     – E aí… tudo bem?

     Tertúlia respondeu timidamente:

      – Tu… tudo!

      – Posso me sentar? – insinuou-se ainda mais o galã.

      – Pode. – ela consentiu.

      Crente que estava impressionando a professora, o bonitão prosseguiu, ainda mais cheio de ousadia, no melhor estilo cafageste:,

       – Farei qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa que você queira, qualquer coisa que por ventura tenha fantasiado na sua mente, por 100 reais. Mas, com uma condição…

       E Tertúlia, cheia de curiosidade:

       – Que tipo de condição?

       – Bem, você terá que me dizer o que quer em apenas três palavras.

       A contadora fixou o olhar para o sujeito e aceitou a proposta. Retirou da bolsa uma nota de 100 reais, escreveu num guardanapo o endereço de sua casa, embrulhou o dinheiro nele, colocou-o na mão do cara e, inclinando-se sobre ele, murmurou no seu ouvido as três palavras:

       – Limpe minha casa!

 

FIOFÓ CIMENTADO

     Conceituado clínico-geral, igualmente famoso como cirurgião do tórax, doutor Guilherme Azerêdo tinha uma clientela enorme, no Recife. Trabalhava em vários hospitais e mantinha um consultório particular na periferia da cidade, para atender exclusivamente pacientes de menor poder aquisitivo. Doutor Azerêdo amava atender a pobreza.

     Certa tarde, apareceu no seu consultório um cidadão trajando roupas simples e, cheio de timidez, que perguntou a atendente:

     – O dotô tá?

     – Está sim, senhor. Quer marcar uma consulta?

     E o homenzinho:

     – Se ele pudé me atende agora eu acho inté bom, num sabe? É qui tô pur dimais nicissitado…

     – Momentinho, só…

     A moça desapareceu na porta ao lado e, daí a pouco, voltou com m sorriso nos lábios:

     – O doutor vai lhe atender. Pode entrar…

     O cara entrou na sala do esculápio, sentou diante dele e disparou:

     – Seu dotô, num tô mais cunsiguindo defecá. É o maió disdôro!

     O médico receitou um laxante e recomendou ao cidadão, que era pedreiro:    

      – Tome três colheres de sopa desse remédio e volte aqui no começo da próxima semana.

      O infeliz voltou, reclamando ainda mais:

      – Num caguei, dotô!

      – Mas não é possível! Vou lhe passar outra medicação.

      Doutor Azerêdo prescreveu novo laxante com dose triplicada e o aconselhou voltar dali a quatro dias.

      O pedreiro voltou no dia aprazado:

      – Num tem jeito, dotô! O cu fechô de vêis!

      O médico invocou-se todo:

      – Agora, chega! Vou resolver esse seu caso da maneira mais radical possível!

      Dito isto, o médico pegou o infeliz, colocou na mesa de exames, virou a bunda dele pra cima e ficou olhando para ela, com a maior cara de espanto. Em seguida, chamou a auxiliar e pediu à ela:

       – Dona Solange, me arrume aí um martelo e uma chave de fenda das grandes. É urgente!

       Mais que depressinha, a auxiliar providenciou os instrumentos requisitados, passou-os às mãos do médico que, imediatamente começou a utilizá-los. Com a chave de fenda introduzida no ânus do paciente, doutor Azerêdo começou a dar marteladas no cabo da referida – pou, pou, pou…

        Não demorou muito, a bunda do paciente explodiu. Foi merda pra todo lado.

        Depois de providenciada a limpeza no ambiente, doutor Azerêdo repreendeu o paciente:

        – Olhe aqui, seu Miguel… De hoje em diante, o senhor não limpe mais o cu com papel de saco de cimento, entendeu?

 

PASSOU NUMA BOA!

     Depois da cerimônia de casamento, o noivo reclamou para a mãe:

     – Tô morendo de dor de cabeça!…

     Bastante prevenida, dona Narcisa, a mãe, vasculhou a bolsa, pegou um comprimido e deu pro filho querido tomar. Mas, continuou preocupada com o estado de saúde do rebento. Já tarde da noite, ela não se conteve e ligou para o hotel onde os dois pombinhos passavam a lua-de-mel. A nora atendeu e ela perguntou:

      – Glorinha… a cabeça do Nelsinho passou?

      A noiva respondeu, toda contente:

      – Passou num boa, dona Narcisa. Várias vezes!