Ailton Villanova

2 de julho de 2016

Recomendação é recomendação!

     Lá pelos idos de 1940 aterrissou no histórico bairro do Jaraguá o ilustre filho de Portugal intitulado Manuel Vizeu Prata, que logo estabeleceu-se comercialmente no ramo de ferragens. Achando pouco, montou ao lado da loja de ferragens um escritório de representações e importações de produtos exclusivamente ultramarinos. Um dia, porém, amargou um grande prejuízo. É que uns gatunos andaram incursionando por sua propriedade e de lá afanaram um volume considerável de mercadorias caríssimas. Os ladrões ainda foram mais além: ainda tentaram incendiar o local.

     Quando as primeiras labaredas começaram a surgir chamaram os bombeiros, que chegaram ao local mais depressa que imediatamente. Num instantinho debelaram as chamas. Em seguida, entrou em ação a policia civil para adotar as medidas investigatórias pertinentes. O delegado, um certo doutor Agapito, chamou o português num canto e aconselhou:

     – Olha, seu Manuel, acho bom o senhor cuidar de tomar alguns cuidados preventivos, porque esses meliantes poderão voltar…

     – Não mo diga, doutoire!

     – Digo. Esse safados sempre voltam ao local do crime, seu Manuel!

      – E o que deverei fazeire, doutoire?

      – O senhor mantenha a porta dos fundos da loja bem fechada, se possível a cadeado!

      Imediatamente, o lusitano mandou instalar um monte de ferrolhos na bendita porta. Achando isso insuficiente, meteu lá uma dúzia de cadeados.

      Quatro dias mais tarde, Manuel recebeu a visita de um oficial do corpo de bombeiros, que também lhe fora fazer algumas recomendações:

      – Senhor Manuel, a prudência recomenda que o senhor adote uma essencial providência no seu estabelecimento comercial, tanto para facilitar a ação dos bombeiros, quanto para salvaguardar  preciosas vidas…

      – Sou todos ouvidos, senhoire tenente.

      – O senhor mantenha sempre a porta dos fundos aberta, para o caso de uma nova ocorrência de incêndio, entendeu?

      – Entendi.

      Assim que o militar deu as costas, Manuel Prata meteu mãos à obra: mandou abrir outra porta nos fundos, ao lado daquela que deveria ficar sempre fechada a ferrolhos e cadeados, que fora sugerida anteriormente pelo delegado Agapito.

 

 

Deixou o velhinho na mão!

 

     Tardezinha de terça-feira de carnaval. Maior agitação na orla marítima e o velhusco Florentino Paranhos chorando desconsolado, escorado num poste de iluminação. Penalizado, um soldado PM aproximou-se dele:

     – O que foi que houve, vovô?

     E ele com os olhos cheios de lágrimas:

     – Tenho 92 anos e uma mulher novinha de 19. Ela é tão bonitinha, tão fofinha, tão gostosinha…

     O militar mudou o tom de voz:

     – Mas isso é ótimo, vovô! É motivo para rir e não para chorar! Qual o é o problema?

     – O problema é que eu trouxe ela pra brincar o carnaval e quando a gente chegou aqui, ela se agarrou com um garotão e disse pra eu ficar esperando que voltaria logo!

     – Que horas foi isso?

     – Ah, isso foi na manhã do sábado de Zé Pereira…

 

 

Lacrado, o caixão não permite!

 

     Numa das últimas viagens que o ainda presidente Inácio Lula fez ao exterior, ele foi apresentado a uma certa Madame Zihra, famosa vidente egípcia. Aí, ele não se conteve:

     – Será que a cumpanhêra aduvinhona poderia predizer o meu futuro?

     Madame fechou os olhos, cerrou as sobrancelhas e lascou lá:

     – Hmmmm…. vejo o senhor passando por uma avenida com uma multidão enorme lhe acenando!

     – E todo mundo está feliz? – indagou Inácio Lula.

     – Muito! Muito felizes!

     – E eu? Aceno de volta pra eles?

     – Não!

     – Por que não?

     – Porque o caixão está lacrado!

 

 

O melhor inimigo

 

     O finado Ubirajara Montezuma, o Bira, sempre foi um sujeito genioso. Vingativo, não perdoava a quem lhe fizesse uma desfeita. Até no leito de morte ele foi cruel.

     Vítima de pertinaz moléstia, encontrava-se nas últimas, estirado num leito hospitalar. Em determinado momento, levantou a cabeça e, num gesto, chamou a mulher para lhe fazer o último pedido:

      – Estrevaliana, sei que vou morrer dentro de algumas horas…

      – Nem me fale nisso, Bira! – reagiu a esposa.

      O moribundo fez que não a ouviu e prosseguiu:

      – … De modo que eu quero que você se case com o Antiógenes… É a minha última vontade…

      – Eu não acredito, Bira! O Antiógenes, seu pior inimigo?!

      – É isso aí! Eu quero me vingar daquele filho da puta!

 

 

O choro do mestre

 

     Numa reunião de veteranos em determinado clube social do Recife, alguém lembrou que ali se achava presente, na qualidade de convidado de honra, o ilustre Luiz Aureliano Neto.

     – Esse nosso amigo – prosseguiu o cara – é um dos mais notórios amantes da boa música…

     Aplausos eclodiram de todos os lados. Entusiasmado, o

convidado levantou-se e, sem pedir licença, aproximou-se do piano que adornava o ambiente. Temperou a goela e disse, cheio de entusiasmo:

     – Obrigado, amigos. Pela acolhida, sinto-me na obrigação de  brindar-lhes com uma bela página do nosso cancioneiro…

     Dito isto, sentou-se diante do piano e chamou o dedo no teclado, executando a música “Saudades de Maceió”. Nesse

momento, um dos presentes começou a chorar copiosamente.

      – Puxa! Quanto sentimentalismo! – comentou um senhor ao seu lado -. – O senhor é de Maceió?

      – Não. Sou professor de piano!

 

 

Apenas tentou ajudar a sogra

 

      Representantes da Assistência Católica Carceraria visitavam, como de costume, a penitenciária estadual. Dita comissão, constituída de professores universitários, estudantes, profissionais liberais, religiosos… percorria corredores da prisão quando, em dado momento, um sujeito chamou a atenção de uma irmã de caridade. Tal sujeito se achava sentadinho num canto, caladinho, mas rindo baixinho!

       A religiosa chegou junto de um dos carcereiros e perguntou:

      – O que fez aquele homem alí?

      – Ele foi flagrado matando piolho na cabeça da sogra. – respondeu o funcionário.

      – Ué! Mas só por isso prenderam o pobrezinho? Matar piolho não é crime!

      – Mas a marteladas, é!