Ailton Villanova

29 de junho de 2016

Cabeça por cabeça

     Nascido e criado em Palmeira dos Índios, Orozimbo Leitão subiu na vida trabalhando diuturnamente, no ramo de funerárias. Ele era um cara meio pirado, entretanto servidor ao extremo. Para fazer um favor a um semelhante não se preocupava nem com o tempo e nem a hora. Caminharia léguas a pé, se fosse preciso. Orozimbo tinha outro predicado: era jeitoso demais. Quer dizer, pra tudo ele dava um jeito. Só não pra morte, claro.

     Belo dia, viajando à Recife, a negócio, ele conheceu a paraibana Maria Epístola, por quem se apaixonou loucamente. Ao cabo de dois meses de namoro e noivado, os dois compareceram ao altar, disseram “sim” pro reverendo e, depois, foram morar no interior da Paraíba, onde a amada nasceu. Quando completou cinco anos de casado com a bonita Espístola, o  Orozimbo inaugurou a sua quinta loja funerária e mandou pintar na fachada, em letras graúdas, o seguinte slogan: “Cadáver inteligente prefere a Funerária Defunto Eterno”.

     Tempos atrás, quando a sua loucura chegou ao ápice, Orozimbo mandou confeccionar caixões com ventiladores adaptados internamente, sob a alegação de que a iniciativa era destinada a “defuntos morreram de falta de ar”.

     Mais recentemente, e numa boquinha de noite, lá estava Orozimbo Leitão tirando plantão na loja principal de sua rede de funerárias, quando entrou lá uma madame de aspecto distinto e bastante chorosa:

     – Gostaria que o senhor provideciasse o enterro do meu Antiógenes…

     – Seu marido?

     – Era sim, senhor. Olha, eu quero que capriche, viu?

     – Pode deixar que eu vou caprichar!

     Orozimbo mostrou toda a sua craqueza nesse funeral. Quando a viúva chegou ao local do velório, o finado ocupava um luxuoso caixão de madeira e vestia um elegante terno preto de gabardine. Discretamente, ela chamou o “papa defunto” num canto e disse baixinho ao seu ouvido:

     – Eu gostaria que ele fosse enterrado de azul-marinho… Era a cor preferida dele, entende?

     – A senhora me desculpe, dona… mas o preto é tradicional. É coisa fina!

     – Mas eu quero azul-marinho!

      Ato contínuo, a madame tirou da bolsa im talão de cheques, que preencheu e entregou pro Orozimbo, recomendando:

     – Tome! Vá comprar um terno azul-marinho!

     O cara recolheu o esquife a uma sala isolada e, não demorou nadinha, voltou com o dito cujo ao salão de velório. Madame vibrou quando reparou no finado:

     – Ooohhh! O Antiógenes está lindo! O cheque deu pra comprar o terno?

     O papa-defunto respondeu, todo orgulhoso e satisfeito:

     – Na realidade, madame, esse terno não custou nada. Assim que recolhí o seu finado à sala de vestir, aqui ao lado, chegou um outro defunto novinho, vestindo esse terno aí…

     – E como o senhor fez?

     – Bem… Ele era praticamente do mesmo tamanho do seu marido. Então, perguntei a outra viúva se ela se importaria se seu marido fosse enterrado de terno preto. Ela disse que não. Então, só fiz trocar as cabeças!

 

 

Escritor “post-morten”

 

     Jota Júnior, dileto filho daquela inteligentíssima personagem intitulada Jotajó, voltou da escola com uma ruga enorme de preocupação, instalada bem no meio da testa. A mãe percebeu e perguntou:     

     – O que é que você tem, Jotinha?

     E ele:

     – É que no dever de casa, a professora quer que eu diga o que é uma obra póstuma… O que é isso, maínha?

     Mamãe abriu um riso na face e respondeu:

     – Seu pai sabe. Pergunte pra ele.

     O garoto foi até o pai e mandou:

     – Paínho, o que é uma obra póstuma, hein?

     O sujeito não pestanejou:

     – É aquela que o autor escreve depois de morto!

 

 

Bebeu cerveja demais!

 

     Conhecido professor foi encontrado morto em sua residência, num começo de manhã. O cadáver tinha um buraco produzido por projetil de arma de fogo, na região frontal. A polícia civil compareceu ao local antes da chegada da perícia criminal e um delegado muito do boçal, comandando uma da equipe de tiras, chamou um dos vizinhos da vítima num canto:

     – É verdade que o senhor foi a última pessoa a ver o cidadão aí com vida?

     – É verdade. Batemos um longo papo! – respondeu o vizinho.

     – Sobre o que conversaram? – insistiu o tira.

     – Ele era muito erudito, sabe? Nós conversamos sobre Kant, Nietzsche, Shopenhauer…

     No ato, o policial determinou ao auxiliar que tomava notas:

     – Escreva aí… A vítima bebeu algumas cervejas importadas antes de morrer!

 

 

Uma dupla muito louca!

 

     Como não quer, e querendo, uma madame entra na clínica do psiquiatra Abílio Néscias, no Recife, e aí é abordada por uma das atendentes:

     – Boa tarde! O que deseja, senhora?

     – Estou querendo falar com o doutor…

     – O doutor Abílio? – quer saber a atendente.

     – Esse serve.

     Levada à presença do especialista, a madame se abre:

     – Estou preocupada com o meu marido, doutor! Ele está muito louco! Vire e mexe começa a conversar com o abajur!

     – E o que ele diz?

     – Ah, doutor, isso eu não sei!

     – Como não sabe? A senhora não falou que viu seu marido conversando com o abajur?

     – Eu não disse que “ví”, doutor. Eu disse que ele conversa com o abajur!

     – Mas como foi que a senhora descobriu?

     – Foi o abajur que me contou!

 

 

A sogra venceu no grito!

 

     Final de ano, o Sindulfo resolveu tirar férias. Pegou a família, arrumou direitinho dentro do carango, enfincou o pé no acelerador  e se mandou estrada a fora. No meio do caminho, já passando de Aracaju, dona Nicotina, a sogra, começou a perturbar. Quanto  mais o Sindulfo acelerava, mais ela berrava.

    Todo mundo nervoso dentro do carro e dona Nicotina no maior berreiro. Até que o Sindulfo perdeu a paciência.

     Ele parou o carro no acostamento, abriu a porta, desceu, foi até o porta-malas e rendeu-se pra velha:

     – Tá bom! Tá bom! Pode ir na frente com os outros!

 

 

Um sabor capaz de matar

    

     Tremendo dum sacana, o tal de Mescalinaldo conseguiu conquistar o coração da coroa intitulada Talmázia Valita, cujas curvas, apesar de meio antigas, ainda davam pro manuseio. Chegado a uma safadeza, o cara andava doido qua a namorada lhe fizesse sexo oral e resolveu ser criativo, assim que foram pela primeira vez ao motel.

     – Meu amor – disse ele -, eu hoje comprei umas camisinhas sensacionais, com sabores diversos. Você gostaria de experimentar?

     Talmázia Valita concordou com a cabeça. Mais que depressa o safado apagou a luz, tirou a roupa e atirou-se na cama.

     – Huuummm… que delícia! – disse a coroa – Essa é de queijo com cebola!

     E ele:

     – Calma, amor, calma! Eu ainda nem coloquei!

 

 

Os piu-pius do papai

 

      Na hora do café da manhã, todo mundo em redor da mesa, chega o Cacá, aponta pro pai e fala pra mãe:

     – Mãínha, eu descobri que o paínho tem dois piu-pius!

     – Que conversa é essa, menino? – disse a mãe. – Cale a sua boca e tome o seu café!

     E o Cacá, insistindo:

     – É, mãe! Eu vi! O paínho tem dois piu-pius. Um pequeno, pra fazer xixi e um grande, pra escovar os dentes da empregada!