Ailton Villanova

27 de junho de 2016

Mas que estrago: morrer de roupa limpa!

     Neoraldo Heliódeno nunca bateu bem da cachola. Quem o  conheceu, como eu, desde os tempos de frangote, no bairro do Bom Parto, não me deixa mentir.

     Neoraldo permaneceu piradão até o fim de sua atribulada vida e a mulher com quem casou, a Cleolênia, pode ser considerada a grande responsável pela sua desgraça. O casamento dos dois sempre foi uma peleja digna de registro policial. Marido e mulher brigavam pra cacete!

     Um dia, Neoraldo resolveu acabar com a vida. Matou-se com tiro no peito, num fim de tarde sombrio e não teve a gentileza de, ao menos, deixar um bilhete explicando o motivo daquele gesto extremo.

     Vizinhos chamaram a polícia e a perícia criminal também foi mobilizada. Chegaram ao local muito antes da mulher do finado, que se achava trabalhando como escriturária numa repartição pública municipal.

     Cleolênia entrou em casa meio cabreira e assim que bateu o olho no cadáver do marido todo banhado de sangue, estirado no chão, perdeu o controle:

     – Ai meu Cristo! Não é possível, meu Deeuuuss!

     Seu Joca, o vizinho mais próximo, correu para consolá-la:

     – Seja forte, Cleolênia!

     E ela, descabelando-se toda:

     – Eu não posso acreditar no que estou vendo, meu Jesus!

     E o bondoso vizinho, todo solidário:

     – Conforme-se, minha amiga! A morte é uma realidade da qual jamais poderemos escapar!

     A mulher estava extremamente desolada:

     – Mas eu não posso me conformar, seu Joca! Tudo bem que esse imbecil tenha se suicidado! Mas logo com a roupa limpinha que eu lavei e passei, ontem! O canalha não poderia ter escolhido uma roupa suja?

 

 

Mas que expectador folgado!

 

     A época do fato que vai abaixo papeado, o finado Cine Ideal, localizado no bairro da Levada, era um das casas de exibições cinematográficas mais procuradas da Capital. Disputava a preferência da platéia maceioense com os também saudosos Cinearte (mais tarde São Luiz), Rex (bairro da Pajuçara), Lux (Ponta Grossa) e Plaza (Poço).

      Registrou-se que um dia, no intervalo de uma sessão para outra outra, o lanterninha José Luiz, o Queixinho, percorria o salão de projeções quando deu de cara com um sujeito exibindo toda pinta de folgado – as pernas em cima da poltrona da frente, os cotovelos na poltrona de trás, totalmente à vontade. Aí, ele parou diante da figura e censurou:

     – Que folga é essa, rapaz? A sessão já acabou! Só tá faltando você mesmo pedir uma cervejinha e um tira-gosto de pipoca!

     E o cara, puto da vida:

     – Cerveja e pipoca o cacete! Eu quero é uma ambulância!

     – Pra quê bobônica você quer uma ambulância?

     – Pra me levar pro Pronto Socorro, seu merda! Me empurraram lá de cima da galeria!    

 

 

Pegou logo o premiado!

 

     Tanto aperreou a tia Maria, que ela o levou à exposição de animais domésticos, que se realizava no Parque de Exposições Pecuárias, localizado no Prado.

     Cacá, o pentelhinho, ainda levou, de quebra, o gato de casa, um vira-latas chamado Xexéu.

     Horas mais tarde, quando voltou pra casa com a tia, o garoto correu para a mãe Margô, e contou a novidade:

     – Maínha, o Xexéu pegou o primeiro prêmio do concurso e foi aquele reboliço!

     – Não acredito, meu filho! Esse gato horroroso?

     – É. Ele pegou o canário premiado!

 

 

Hora imprópria para boa notícia

    

     Estando em casa sem fazer nada, o José Botelho Aruba, mais conhecido como Arubinha, resolveu ocupar-se em alguma coisa. Procura daqui, procura dalí, encontrou serviço: consertar a janela da  cozinha. Pegou o martelo, trepou-se numa escada e começou a dar porradas na cabeça de um prego. Aí, chega entra a mulher em cena, apavoradíssima:

     – Arubinha, ô Arubinha… pelo amor de Deus!

     – Quê que foi, Marlene?

     – A mamãe escorregou lá no quintal, bateu a cabeça no chão e… snif!… Parece que ela morreu!

     E o Arubinha:

     – Porra Marlene! Não me faça rir, senão eu acabo acertando a cabeça do dedo com este martelo!

 

 

O padre não lavou a mão!

 

     A garotada corria e gritava alegre e descontraída, em volta da igreja. De repente, apareceu na porta da sacristia o vigário, cheio de bronca:

     – Mas que barulheira é essa, meninos?

     Aí, o mais levado da molecada parou junto do reverendo, que encostou-lhe o dedo no nariz e ralhou:

     – Menino treloso não vai pro céu!

     O garoto respondeu:

     – E padre com a mão cheirando a xoxota, também não!

 

 

Reverendo também convidado

 

     Conhecido pelos escandalosos porres que tomava, Severino Besourão entrou na igreja pra lá de bêbado,  justo na hora em que padre Otávio ouvia confissões de fiéis. Aí, ele parou no meio do salão e abriu o bocão:

     – Olhaqui, cambada! Comigo não tem reza, não tem santo, não  tem fuleragem nenhuma, falei? Amanhã, lá em casa, vai haver a maior farra e todo mundo aqui tá convidado! É o meu aniversário, se ligaram?

     Nisso, o reverendo botou a cabeça de fora do confessionário, a  fim de saber o que estava se passando. O bebão não deixou por menos:

     – E você aí, ô da privada… Tá convidado também!

 

 

Sogra injustiçada

 

     Maior quebra-pau na residência do Oleógano Pereira.

     Com a palavra, a esposa Gerúndia, gritava:

     – Não sei porque não segui o conselho da mamãe e casei com você!

     – Quer dizer que sua mãe não queria que a gente se casasse?

     – Queria não.

     – Porra meu louro! Como eu tenho sido injusto com a sogrona!