Ailton Villanova

25 de junho de 2016

O agente secreto português

     Depois que o governo português aposentou o ilustre Manuel Joaquim Cabral de Souza do serviço público, ele pegou um avião e veio morar no Brasil, mais precisamente em Maceió. Escolheu o litoral de Jacarecica e lá se instalou com dona Amália Hermínia, sua caríssima consorte. Bem que ele poderia ter permanecido mais tempo no cargo importante que ocupava na esfera federal de Portugal, mas extrapolou os limites da conveniência e do sigilo.

     O gajo vivia e trabalhava tranquilo em seu país, mas ele se complicou todo quando o enviaram para uma missão especialíssima numa aldeia além-mar. Seu trabalho teria que ser anônimo e sua identidade verdadeira mantida no mais absoluto sigilo. Nesse meio tempo, meliantes finíssimos tinham acabado de afanar do Museu Histórico de Lisboa, valiosos manuscritos de Luiz Vaz de Camões e a polícia, naquele momento, estava sem condições de botar as mãos nos gatunos, por carência de pessoal. Problema era arrumar um especialista em investigações, porque todos os agentes oficiais do ramo estavam cumprindo outras missões. Aí, um grandola lembrou-se:

      – Que tal o Manuel Joaquim Cabral de Souza?

      – Onde está o gajo? – quis saber o chefe da inteligência portuguesa.

     Alguém informou:

     – Manoel Joaquim está numa missão, numa província além do Algarve.

     E o chefe:

     – Infelizmente ele vai ter que suspender essa missão, para assumir as investigações do furto dos documentos de Camões, que, além de urgentes, também devem ser sigilosas.Temos que mandaire um mensageiro buscá-lo. Ele tem uma senha de identificação, não tem?

     Mais que depressa colocaram o chefe a par da senha do ilustre gajo e um mensageiro foi despachado até o lugarejo a fim de levar de volta o Manuel Joaquim Cabral de Souza. Antes, porém o chefe deu a dica ao enviado especial:

     – Quando tu chegares lá, tu dirás a senha: “O Sol brilha de dia …” que o gajo vai respondeire, completando a frase: “… e a Lua brilha de noite!”

     O mensageiro pegou uma condução e se mandou para o local indicado. Chegou lá, perguntou ao primeiro cara que encontrou na rua:

     – Tu sabes onde mora o Joaquim Manoel Cabral de Souza?

     – Qual Joaquim Manoel Cabral de Souza? Cá temos o Joaquim Manoel Cabral de Souza mecânico, o Joaquim Manoel Cabral Batista de Souza açougueiro, o Joaquim Manoel Cabral de Souza médico… e também sou Joaquim Manoel Cabral de Souza.

     Sem saber o que fazer, o mensageiro resolveu apelar para a 

senha:

     – “O Sol brilha…”

     – Ah, estás a procuraire o Joaquim Manoel Cabral de Souza agente secreto! Ele mora naquele sobrado vermelho e preto da esquina!

     Depois dessa, Joaquim Manoel não tinha como permanecer exercendo o cargo de agente secreto.

 

 

E ele não viu o Jesus!

 

     Depois de uma tremenda farra, o Alcolídio Camarão voltava pra casa, no amor febril, trocando as canelas. No meio do caminho, deu de cara com uma fila enorme, em frente a um templo evangélico, mas ele não reparou nesse pequeno detalhe. Aí, entrou na fila e ficou aguardando para ver no que dava. Quando chegou a sua vez, Alcolídio foi agarrado por um pastor, que enfiou sua cabeça numa tina d'água e depois perguntou:

     – E aí irmão, viu Jesus?

     E o Bebão, engolindo água:

     – Glubglubblug… arf… não!

     O pastou mergulhou novamente a cabeça do infeliz e repetiu a pergunta:

     – E agora, irmão, viu Jesus?

     – Glub… glub… arf… nããooo!

     E lá foi mais uma vez para a água:

     – Viu Jesus, dessa vez?

     – Não, porra! Tem certeza que esse cara se afogou aí dentro?

 

 

Trancou o bêbado sem querer!

 

     Depois de um dia de trabalho intenso, José Jesuíno de Oliveira, que não é outro senão o proverbial Duda, foi pra casa dormir. Mal deitou na cama, agarrou no sono. Lá pelas três da madrugada, acordou com o telefone tocando com insistência. Atendeu, e uma voz aflita e engrolada perguntou do outro lado da linha:

     – Alô? É o seu Duda?

     – É!

     – A que horas o senhor vai abrir o bar?

     Pensando tratar-se de um trote, Duda bateu o telefone, puto da vida.

     Em seguida, o telefone tocou novamente:

     – A que horas o senhor vai abrir o bar?

     – Você não tem o que fazer, porra? Por que não vai dar trote na veínha sua mãe? – reagiu o Duda.

     Passam 15 minutos e olha o telefone tocando:

     – A que horas o senhor vai abrir o bar?

     Aí, o Duda não aguentou mais e implorou:

     – Pelo amor de Deus, meu amigo, me deixe dormir! Como é que você pode estar pensando em beber a esta hora da madrugada?

     E o inconveniente:

     – Não é nada disso, seu Duda! É que ontem o senhor fechou o bar e me deixou trancado aqui dentro!

 

 

Uma dose especial para o cagão!

 

     A semana era de festejos naquela paróquia suburbana. Todos os dias, o templo ficava lotado de fieis que assistiam missa, rezavam o terço e praticavam outros atos religiosos. Naquele sábado especialmente comemorativo, o pároco Abrúcio celebrava uma missa solene, enquanto outros reverendos, especialmente designados pela arquidiocese, auxiliavam noutras tarefas…

     A certa altura da celebração, quando padre Abrúcio colocava o vinho no cálice, eis que invadiu o ambiente um sujeito completamente embriago, que levantou o braço e pediu:

      – Ô garçom, bota pra mim uma dose dupla!

     Em seguida, virou-se para os fiéis e completou:

     – Galera, eu pago uma rodada pra todo mundo!

     O padre que ajudava nos trabalhos religiosos e se achava no confessionário, afastou a cortina e pôs a cabeça de fora para ver o que estava acontecendo.

     O bêbado olhou pra ele e disse:

     – Para aquele companheiro que tá alí fazendo cocô, traga um copo cheio!

 

 

As filhinhas de seu Gerúndio

 

     Dois compadres que há muito tempo não se viam, se toparam numa feira livre aí do interior. Um deles, perguntou, depois do abraço:

     – E aí, cumpade Gerúndo, cuma vai a famía?

     O outro respondeu:

     – Vai bem, cumpade Nastáço.

     – E as suas fía, cuma vão? – especulou Anastácio. – A mais véia cuma anda?

     – Óia, cumpade, a mais véia só tem um pobrêma…

     – Ié? Quar quié o pobrêma?

     – Ela trepa dimais! Cumpade, mas trepa, trepa, trepa qui nem uma condenada!

     – Vixe! E a do meio, cumpade, cuma vai?

     – A do meio tomém gosta de trepá! Mas trepa, trepa, trepa qui nem uma dizinfiliz!

     Indignado, compadre Anastácio decidiu fazer a última pergunta:

     – E a mais novinha, cumpade Gerúndo…?

     – Ah, o pobrêma dessa é ôtro!

     – É?

     – É. Ela só trepa quando bebe. Mas cumpade, bebe, bebe, bebe o dia todinho!