Ailton Villanova

23 de junho de 2016

As velhinhas do piadista Mané Calixto

     Na sua época, ele foi considerado o mais desbocado contador de piadas e causos de Ponta Grossa e adjacências. Seu Manuel Calixto só abria a boca para escandalizar. Até nas festas do padroeiro do bairro ele botava pra quebrar, com suas tiradas desbriadas. Todas as vezes que ele surgia na esquina da rua onde morava, sua vizinha, dona Esmeralda, entronchava a cara, cuspia de lado e repetia:

     – Ihhh! Lá vem aquele imoral!

     Um dia, seu Manuel Calixto recebeu um convite do compadre José Pedro Romão para uma festa de aniversário em sua casa (dele, José Pedro), em Marechal Deodoro, e foi lá. Era uma festa muito fina e comportada, cheia de formalidades. O mulherio vestia longo e os homens paletó e gravata. Manuel Calixto no mesmo embalo, exibia um vistoso terno de tropical inglês. Para o amigo leitor ter uma idéia da finura do ambiente, o maior palavrão que se tinha ouvido por alí foi “bunda”, mesmo assim seguido de mil pedidos de desculpas.

      Pois bem. Encontravam-se todos conversando e bebendo, numa boa, quando alguém sugeriu que se contasse um causo, uma piada, para relaxar o ambiente. Aí, um dos convidados se virou pro Manuel Calixto e sugeriu:

      – Por que você não conta uma das suas, Mané?

      Imediatamente, saltou o anfitrião, que conhecia muito bem o compadre, e falou meio apavorado:

      – Não! Ele, não! O compadre Mané Calixto está meio rouco, não  é compadre?

      E Calixto, tirando o anfitrião de tempo:

      – Quem lhe disse que estou rouco? Eu nunca estive tão bem! Se os amigos querem que eu conte um causo, não vejo mal algum!

      – Então conta! – aduziu o camarada de antes.

      O demais acompanharam:

      – Conta! Conta! Conta!

      Novamente, o anfitrião tentou evitar o desastre:

      – É que os causos e piadas do compadre muito pesados…

      Novamente o Calixto:

      – Nesse caso contarei uma piada bem levezinha, tá bem?

      Madame Cremilda, a dona da casa que a tudo ouvia e assistia, resolveu entrar no papo:

     – Ah, se é assim, compadre Manuel, o senhor pode contar uma piadinha bem levezinha.

     E o pessoal, renovando o coro:

     – Conta! Conta! Conta!

     – Tá certo. Já que vocês insistem, vou conta uma piadinha, só uma, bem fraquinha.

     – Conta! Conta! Conta!

     – Lá vai… Havia na Ponta Grossa, um tarado terrível, que adorava comer velhinhas de 90 anos. Era cada velhinha gostooosa!…

 

 

Pazes, sim. Mas sem ofensas!

 

     Havia uns cinco anos que o popular Reonaldo Turmalino namorava a morenaça Adenalda Cristina. Apaixonadão, nutria um ciúme doentio por ela. Por conta disso, só viviam brigando. Desde a última discussão travada com a amada, o Reonaldo contava um mês de distância da sobredita. Morto de saudade, decidiu que deveria fazer as fazes com Adenalda e levou consigo um belo presente: uma bolsa de pele de raposa.

     Quando Adenalda abriu o embrulho, olhou para a bolsa e comentou, com os olhos brilhando:

     – Oh! Mas que coisa maravilhosa, meu amor! Como é que pode uma coisa dessas vir de um animal tão insignificante, tão ridículo, tão fedorento?

     Reonaldo deu um passo para trás e replicou:

     – Ô Naldinha… se você quer fazer as pases comigo, tudo bem… Mas não me esculhambe desse jeito, que eu lhe mando pra puta qui pariu!

 

 

Finalmente a descoberta!

 

      Dona Arquibalda liberou o marido Euclósio para tomar umas cervejas com sua turma de trabalho. Ele chegou tarde, e ela perguntou:

     – Onde você estava até agora, Clozinho?

     E ele:

     – Eu estava num bar chamado “Sonho Dourado”. É incrível! Você precisava ver, Baldinha! Lá, tudo é de ouro! A mesa é de ouro, as cadeiras são de ouro, o balcão é de ouro, as garrafas são de ouro e até o vaso sanitário é de ouro!

     – Até o vaso sanitário?! Ah, meu amor, não me enrole!

     – Tá duvidando? Pegue o telefone, ligue e pergunte!

     Como não estava acreditando na conversa do marido, dona Arquibalda pegou o telefone e ligou:

     – Alô? É do Bar Sonho Dourado?

     – Alô! É sim, senhora. Boa noite!

     – Moço, eu gostaria de uma informação…

     – É só pedir, dona…

     – As mesas daí são de ouro?

     – Positivo, senhora.

     – As cadeiras daí também são de ouro?

     – Sim, senhora.

     – O balcão daí é mesmo de ouro?

     – É, senhora.

     – E as garrafas… são de ouro?

     – Todas, senhora.

     – Até o vaso sanitário é de ouro aí?

     Nesse momento, o cara que atendia ao telefone, gritou para alguém, lá no fundo:

     – Ei, Ataídes! Achamos quem cagou na sua tuba!