Ailton Villanova

22 de junho de 2016

Um apaixonado tremendamente azarado!

     Depois de muita conversa de esquina e lugar sem luz, a empregada doméstica Maria José, a Zequinha, morena de corpo vistoso, bastante apetitoso, constatou que a presença do auxiliar de mecânico José Santana a deixava nervosa, ansiosa. Esse barato, Zequinha entendeu que era algo mais profundo do que uma simples amizade. Depois do décimo encontro, ela resolveu oferecer ao amado uma prova de sua paixão. Antes, porém, quis certificar-se das intenções dele:

     – Escuta, nego, tu gosta mesmo de mim?

     E ele, muito convicto:

     – Mas é craro, minha paixão! Tu ainda duvida?

     A morena suspirou revirando os olhos, e prosseguiu:

     – Nesse caso, vamos fazer o seguinte… Tu passa lá em casa depois da meia-noite, pra gente namorar mais à vontade, topa?

     – E donde qui fica mermo a rua qui tu mora, boneca? 

     – Estou falando da casa onde trabalho e durmo…

     – Ah, tá bom. Mas como é que eu vô entrá lá a essa hora?

     – Eu dou um jeito!

     Feliz da vida com a aceitação da proposta, a jovem apaixonada deu as coordenadas pro namorado:

     – Olha, eu vou deixar o portão encostado, com o ferrolho aberto, tá certo?

     – Tá!

     Zé Santana, então, teria uma alameda pela frente, para chegar à dependência que Zequinha ocupava no fundo da bela residência dos patrões.

     E a morena procedeu conforme prometera. O cão de guarda, um rotweiller violentíssimo, ela manteve trancado no canil. Só que não contava que o patrão, o contador  e economista Petrúcio Oliveira acharia de acordar no meio da noite pra fazer xixi no fundo do quintal, coisa que poderia ter feito dentro de casa. Só pode ter sido armada do cão.

     Petrúcio terminou de dar a sua mijada no canto do muro e observou que o cachorrão continuava preso. A criada optara por manter o animal trancafiado para ele não atacar o namorado, que pintaria no pedaço de uma hora pra outra.

     E o dono da casa:

     – Mas que displicência, meu Deus! Esqueceram o Sansão preso!

     E soltou o animalão. Em seguida, entrou em casa e foi dormir. Nesse momento, surgiu no cenário o auxiliar de mecânico Zé Santana, que meteu os peitos no portão e emburacou na casa alheia.

      Naquilo que botou o primeiro pé do lado de dentro, Santana sentiu a bocanhada na canela – catrac! Olha aí o barulho do osso se partindo!

      O bairro inteiro escutou o berro do infeliz:

      – Uaaaaiii! Socooorrro! Valei-me meu padim Ciço!

      Foi terrível!

      O rotwillwer triturou, no dente, as duas canelas do Zé Santana. De quebra, arrancou-lhe uma banda da bunda!

 

 

Economizando a sogra

 

      Madame Maria Bertúlia foi à delegacia de polícia de Lage, fazer uma deduração do marido Algafeu. Caso seríissimo de adultério. Aí, o delegado Hélio Almeida, o Helião, resolveu convocar o denunciado para ministrar-lhe uns conselhos, embora reconhecendo que o caso não era de sua competência.

      Oribaldo, o marido adúltero, chegou ao gabinete da autoridade policial todo cabreiro:

      – Pronto, doutor! Quê qui hai? Argum pobrêma contra eu?

     E o Helião, alisando a barriga adiposa:

     – É um assunto delicado, mas nada que não se possa resolver com uma boa conversa…

     – Apois tá, dotô. Possa falá!

     – É o seguinte… estou sabendo que você está traindo sua mulher, dona Bertúlia. É verdade?

     – É verdade, dotô!

     – Mas logo com a irmão dela, rapaz! Posso saber por que esse estrago, meu amigo?

     Algafeu respirou fundo e explicou:

     – Simpre, dotô. É só pra inconomizá sogra!

 

 

Deu cãimbra na Hora Agá!

 

     Por uma dessas maldades do tal de destino, o Juninho nasceu sem as pernas e sem os braços. Mas ele, garotinho inteligentezinho, destemidozinho, logo, logo, conseguiu superar essa infelicidade, para alegria de seus genitores.

     Excepcional exemplo de determinação e coragem, o Juninho.

     O garoto cursava o primeiro grau quando resolveu inscrever-se numa competição de natação do colégio, onde todos os seus coleguinhas eram normais. Tremendo desafio.

     Chegou o dia da competição. Na hora da largada, quando o juiz deu o tiro de partida, o pai do Juninho o atirou na água. Para suspresa geral, Juninho largou na frente e se manteve na liderança da prova nos primeiros cinquenta metros. Tudo indicava que iria ganhar a competição. Maior torcida. Todo mundo gritando:

     – Ju-ni-nho! Ju-ni-nhôôô!

     E ele danado – zap, zap, zap… Era água pra todo lado!

     E a torcida:

     – É campeão! É campeão!…

     Aí, aconteceu o imprevisto. Faltando apenas meio metro para o final, Juninho parou e começou a afundar.

     E tudo mundo:

     – Oooohhh!

    Mais que depressa o pai do garoto lançou-se na água e o retirou da piscina. Decepcionado ele perguntou ao Juninho:

     – Mas o que foi que houve, meu filho? Você estava indo tão bem!..

     E Juninho, desolado:

     – Deu cãimbra na orelha, paínho!

 

 

Dúvida de louco

 

     Num domingo de manhã, dia de plantão tranquilo, dois psiquiatras caminhavam pelo corredor do manicômio, quando passou por eles um terceiro colega, também psiquiatra, que cumprimentou:

     – Bom dia!

     Eles se entreolharam e um perguntou pro outro:

     – O que será que ele quis dizer com isso?

 

 

Marido muito doido!

 

     Apresentando olheiras profundas, uma madame chamada Olerídia, procurou o clínico Gautério Dourado, muito preocupada:

     – Estou com um problema sério, doutor. Cada vez que meu marido tem um orgasmo, ele começa a gritar feito louco!

     E o médico:

     – Mas, dona Olerídia, isso é perfeitamente natural! É um sinal que sua vida sexual está indo às mil maravilhas!

     – Pode até ser, doutor – respondeu a madame -, mas já estou farta de acordar com esses gritos!

 

 

O professor, o aluno e os rins

 

     Um estudante de medicina, que havia três anos não passava na disciplina de Anatomia, pediu ao seu professor que o ajudasse. Já de saco cheio do cara, o mestre resolveu então dar uma força:

     – Meu prezado, vou lhe fazer apenas uma simples pergunta; se você acertar, passará no exame, certo?

     – Certo, professor!

     – Então, tá. Me responda: quantos rins nós temos?

     Sem titubear o brilhante aluno respondeu:

     – Dois, professor!

     – Meus parabéns! Você acertou!

     Mais tarde, seus colegas admirados, indagaram:

     – Qual foi a pergunta que o professor fez?

     – Ele perguntou quantos rins nós temos. Muito fácil. Um dele e outro meu, são dois!

 

 

Uma dormida a menos

 

     O sujeito com cara de malandro, marcou consulta com o doutor Nilton Jorge e no dia aprazado, chegou com duas horas de atraso ao consultório. Mas foi recebido pelo esculápio.

     – Qual o seu problema, rapaz?² – perguntou o médico.

     – Insônia!

     – Quer dizer que você não consegue dormir bem durante a noite?

     – Não, doutor! À noite e pela manhã até que eu durmo bastante bem. É à tarde que a insônia ataca!