Ailton Villanova

8 de junho de 2016

O significado da palavra

      A família Nelsino Barbosa é muito conservadora. Conservadora e religiosa ao extremo. Dona Quininha, sua santa genitora, só de frequência à igreja tem mais de 80 anos. Isso, de manhã de tarde e de noite. Nos tempos das saudosas Santas Missões do não menos saudoso frei Damião, de madrugada também.

      Pois, lá se encontrava o Nelsino postado a cabeceira da mesa, capitaneando a família. Na outra ponta, dona Quininha. Ao lado do Nelsino, a caríssima esposa Maria Thereza. Espalhada em volta da mesa a garotada.

      De repente, Francisquinho, um dos mais novos filhos do casal, começou a discutir com Nilzinha, a caçulinha. Em meio ao bate-boca, eis que o fedelho sacou esta:

      – Você não passa de uma idiota, de uma chata!

      E a menininha:

      – Olha lá, hein, Chiquinho…!

      – É isso mesmo… Você é uma boba! – insistiu o irmão.

      Aí, Nilzinha subiu nas tamancas:

      – E você é um pentelho!

      Essa parte foi demais para dona Quininha. Ao escutar a palavra “pentelho”, ela caiu desmaiada.

      Branco que nem cera de vela de missa, Nelsino Barbosa perguntou à filha, quase sem voz:

       – Meu amor… você sabe o significado dessa palavra que acabou de pronunciar?      

       A menininha sorriu e respondeu:

       – Sei, painho! Pentelho é aquele cabelinho enrolado que vive grudado no sabonete da vovó.

       A velhota, que estava se recuperando do desmaio, estatelou-se no chão, novamente.

 

Que missa?

      O diarista Osório Osclépio começou a encher a cara na antiga Ilha do Rato, na Levada, de manhã bem cedinho. De tardezinha, encontrava-se na outrora famosa Praça do Chope, no centro da cidade, dando os retoques finais na biritagem. Não demorou muito, estava escorado na porta da igreja do Livramento, balançando mais do que pêndulo de relógio de parede. Em dado momento, surgiu uma velhinha de passinhos apressadinhos, que parou em frente ao bebão e indagou:

      – Ô meu filho, você pode me informar se a missa já passou?

      E o biriteiro, vendo o mundo emborcado:

      – Só se foi por outra porta, hic! Por esta daqui não passou missa nenhuma!

 

Única saída

      Aniversário natalício da Sarinha. Aí, chega o pai dela, Emiraldo Novais, com um pacote enorme na cabeça. Deposita-o em cima da cama e fala emocionado:

      – Parabéns, meu amor!

      O presente era um computador. Sarinha trancou-se no quarto e ficou alí horas e horas, quebrando a cachola, tentando fazer o aparelho funcionar. Qual o quê!

       Até que Novais chegou para ajudar a filha:

       – Algum problema, querida?

      – Sim, papai… Já apertei tudo quanto é botão, já mexi no teclado inteiro e nada de funcionar!

      – Então, você será obrigada a apelar para uma solução drástica, minha filha!

      – Qual, pai?

      – Ler o manual do computador!

 

Só pode ser…!

      Lucinha Consuelo é uma garota moderninha, mas cultiva tremendo “matagal” no sovaco. Diz ela que essa é a moda “Baby do Brasil”, o barato do momento. Ainda por cima, adora usar blusa cavadona, tipo camiseta regata.

      Certo dia, meio-dia em ponto, subiu num ônibus suburbano lotadíssimo e pôs-se de pé no corredor, braços levantados, segurando o corrimão do teto. Numa paradinha do coletivo, sobe o velhusco Nicanor Mamede, que se dirige à Lucinha:

      – Dá licença que passar para trás, dona bailarina?

      Lucinha continuou na dela, segurando o cano, com sua cabeleira sovacal dado o grau.

      E o velhinho, insistindo:

      – Dá licença, dona bailarina?

      Percebendo que o papo era com ela, Lucinha se ligou no vetusto Nicanor:

      – Desculpa, vovô… Pode passar. Mas, que história é essa de “bailarina”?

      E o ancião, miopinho como ele só:

      – É que pra conseguir trepar a perna na barra do ônibus, a senhorita só pode ser bailarina!

 

Usou errado

      Doutor Jacinto Macário, clínico dos mais respeitados no Agreste, achou que o caboclo Severino Monteiro devia dar um descanso à patroa, cotada. Dezoito anos de casado com dona Maria José, dezesseis filhos na caçapa. Tava danado!

      – Ao meu ver, Severino – observou o médico – você deve dar um basta nessa filharada toda!

      – Mai, Cuma dotô?

      – Seguinte… você vai ter que usar preservativo…

      – Uqui diabo é isso, seu dotô?

      – Bom, preservativo é uma camisinha plástica que o homem veste no pênis para evitar filho, compreendeu?

      – E o quié pênis?

      – Pênis é a bilunga!

      – Aaah, bom.

      Para ser mais didático e mais explícito, o médico tirou da gaveta do uma caixinha de camisinhas de vênus e deu pro matuto.

      Severino foi embora de cenho franzido. Ao cabo de um mês, olha ele de volta ao consultório do esculápio. Abriu a boca e reclamou:

      – Dotô, vosmicê falô qui usando essa porcaria eu ia invitá fío. Acuntece qui a Mazé tá de barriga dinôvo!

      E o médico:

      – Mas não é possível! Tem certeza de que usou direito a camisinha?

      – Mai é craro! Uso toda vêis qui vô acasalá cum a Mazé. Só qui o troço é meio grande. Aí, eu corto a ponta pra mode assentá mais milhó na bilunga!