Ailton Villanova

7 de junho de 2016

Campo impedido

      Amigos inseparáveis desde os tempos de garotos no outrora pacato e tradicional bairro do Bom Parto (hoje transformado no maior antro de marginalidade da Capital), os ilustres José Maria dos Santos e Abelardo Pinto pintaram as canecas nas quebradas desta velha e histórica Maceió. Tecelões da finada fábrica de tecidos Alexandria, eles também davam uma de atleta de futebol no time mantido pela referida indústria de tecidos. Quando esta cerrou suas portas, eles se mandaram para Sergipe e lá ingressaram num tal de Maruim Futebol Clube e logo começaram a dividir a posição de astros da equipe.

      Montados nesse cartaz todo, Zé Maria e Abelardo passaram a ser assediados pelo mulherio e, de repente, viram-se de compromisso firmado com as mais bonitas garotas da cidade. Coincidentemente, as duas eram irmãs.

       Durante um bom tempo eles namoraram, até, que, apaixonados, resolveram casar no mesmo dia. Combinaram também de passar a noite de núpcias no mesmo hotel, na praia de Atalaia, em Aracaju. O mais safado dos dois propôs um acordo:

      – Zé Maria, cada “bola na rede” que você mandar na sua noiva você grita “Gol!” para eu escutar no meu apartamento. Da minha parte, vou fazer a mesma coisa, certo? Quem fizer mais gol, amanhã ganha uma caixa de cerveja, tá combinado?

      – Combinado!

      Chegou, finalmente, a noite de núpcias e Abelardo saiu na frente. Lá do seu apartamento ele gritou “Gol!” e ficou aguardando uma resposta do amigo. Nada. Daí a pouco ele engrenou outra e sapecou outro berro:

      – Gooolll!

      No aposento vizinho, silêncio total.

      Então, Abelardo deu mais uma… e depois mais outra… Quatro gols! E nada de escutar o amigo gritar nem uma vezinha!

      Preocupado, ele deu um jeito de sair um pouco e bateu na porta do apartamento do Zé Maria, que respondeu de lá:

      – Quem é?

      – Sou eu, o Abelardo! Como é, rapaz? Você não gritou “Gol” nem uma vez! Quê que aconteceu?

      – Aconteceu que o campo tá alagado e eu só fiquei batendo uma bola atrás do gol!

 

Pode agora?

      Colegas de trabalho, Efraim Ferreira e Jurandy de Almeida saíram da repartição para almoçar na residência do primeiro, a convite deste, cuja fama é a de tremendo unha de vaca. O rango, aquela merreca, foi consumido em cinco minutos pelo convidado.

      Achando que havia impressionado o amigo, Efraim indagou:

      – Gostou da gororoba?

      – É… gostei.

      – E quando é que você vai aceitar novo convite para voltar a almoçar comigo?

       E o Jurandy:

       – Pode ser agora?

 

Qual é o sol…!

      Em que pese ser bastante tapado, o Jotajó é um galego de opinião. Outro dia, seu amigo mais próximo, justo o primo Jotabê, indagou-lhe em meio a um papo furado:

            – Ô Jó… pra você, o que é mais importante: o sol ou a lua?

            E Jotajó, cheio de convicção:

            – Claro que é a lua! Ela ilumina tudo quando está escuro! A lua é jóia!

            – E o sol, cara?

            – O sol não presta pra nada. Só acha de iluminar quando está tudo claro!  

 

Mas que desconsideração, Abílio!

      Serginho abordou o pai quando este estava chegando do trabalho, uma hora mais cedo:

      – Paínho, tem alguma coisa fazendo barulho dentro do guarda-roupa do seu quarto. Acho que tem gente lá! Corre, pai! Vai ver!

      – Que invenção é essa, menino?

      – É, painho! Tem gente dentro do guarda-roupa!

      – Vamos ver isso. Mas acho que é invenção sua!

      Pai e filho foram lá conferir. O pai abriu a porta do guarda-roupa:

      – Pronto, Serginho! Já abri, tá vendo? Não tem nada só o… Abílio???!!! Quê que é isso, meu? O que você está fazendo aí dentro… não!!! Não acredito, Abílio!!! Meu melhor amigo!!! Eu nunca esperei isso de você!  O meu melhor amigo, o meu chapa, tem a coragem de fazer um negócio desse comigo…!!!

       – Espere aí… Eu explico…

       – É demais, Abílio! Você se esconder no meu guarda-roupa, só para assustar o meu filhinho! Francamente, Abílio…

 

Nem precisava!

      O guerreirão Sitonaldo andou falhando na horizontal e começou a ficar preocupado. O que fez, então? Correu ao consultório do médico amigo José Dias e pediu socorro. O facultativo então lhe recomendou  o famoso Viagra, mas com restrições:

      – O efeito desse medicamento é muito forte e imediato. Eu vou lhe prescrever um comprimido como experiência. Depois que você tomá-lo verá que o apetite sexual lhe acometerá com certa intensidade. Sua esposa nem irá acreditar!

      Receita na mão, Sitonaldo passou na farmácia, comprou uma caixinha do Viagra e, lá mesmo, não só tomou a dose recomendada, como também sapecou, por conta própria, goela a dentro, os três comprimidos restantes. Mais tarde, chegou em casa com uma tesão de jerico, mas não encontrou a mulher. E ficou subindo pelas paredes. Desesperado, ligou para o doutor Zé Dias e expôs a situação. O doutor aconselhou:

      – Olha, amigo, conter o impulso sexual intenso por muito tempo pode lhe causar sérios transtornos. Ataque a empregada!

      – Não temos empregada, doutor!

      – Veja aí uma vizinha! Você tem aí alguma que possa lhe quebrar o galho?

      E o Sitônio, já puto!

      – Porra, doutor! Se era para comer a vizinha, eu não precisava de Viagra!