Ailton Villanova

5 de junho de 2016

Acudam! Ele calçou os chinelos trocados!

     O distinto e inteligente Aminoábio andava estressadão. Na verdade, estava mesmo pincelando, para desespero de dona Amatúrcia, sua querida esposa. Muito dedicada ao companheiro, madame não parava de rezar para vê-lo como antes. Aminoábio havia sido um garanhão, do tipo que comparece ao expediente alcovital diariamente. E como Amatúrcia adorava esse barato!

    Um determinado dia, conversando com uma comadre, e depois de revelar à referida o seu drama, esta alojou-lhe nos ouvidos a seguinte e alvissareira notícia:

    – Olha, Tucinha, há algum tempo está na cidade uma mística amazonense, que só não opera milagres porque não é santa. Mas… eu lhe digo, esse negócio de impotência sexual ela cura numa boa!

    – Não diga, mulher! E quem foi que lhe deu essa informação?

    – Uma prima minha. Você não conhece a Juracilda?

    – Conheço. Foi minha colega de colégio…

    – Pois o marido dela, o Antiógenes, já estava pensando até em suicidar-se. Ele foi lá na madame Alfreda e… assunto resolvido! Dizem até que ele virou tarado, tão eficiente foi o tratamento! 

    Depois desse papo, dona Amatúrcia se mandou à procura da tal mulher do Amazonas. Chegou lá, contou o seu desadouro e Alfreda prometeu que resolveria o caso do Aminoábio, mas com um detalhezinho desimportante:

     – Vai custar um pouco caro! E pagamento adiantado!

     E dona Amatúrcia, resoluta:

     – Não quero saber o preço do serviço. Pago quanto a senhora pedir. O importante é ver o meu marido recuperar a sua performance!

     – Então, vamos lá! – disse madame Alfreda, satisfeitíssima com a grana na mão.

    A mística ajoelhou-se no meio da sala, fez umas rezas invocadas e, em seguida, foi até o armário da sala, pegou um par de sandálias, que entregou à freguesa, dizendo:

    – Você leva esses calçados e conta pro seu marido que é um presente. Quando chegar a hora de vocês irem para a cama, entregue as sandálias e peça para ele calçá-las, na hora. Não tem erro. Seu marido ficará excitadíssimo e partirá pra cima de você, que nem um leão. Aí, vocês terão uma maravilhosa noite de amor.

     Amatúrcia ficou encantada e retornou ao lar, ansiosa. Mal podia esperar a hora de deitar. O marido chegou do trabalho, jantou, palitou os dentes, foi até a sala, ligou a televisão e ficou reparando num filme de bangue-bangue. E a mulher, a toda hora:

     – Vamos dormir, Mabinho!

     E Aminoábio nada. Lá pelas tantas ele cansou e se preparou para ir pro leito. Mais que depressa, Amatúrcia correu com o presente:

    – Olhe aqui, meu filho. Comprei pra você! Calça!

   Já deu o presente desembrulhado.

   Aminoábio nem olhou o presente direito. Jogou as duas sandálias no chão e, com a maior indiferença, enfiou os pés dentro delas.

    Não se passou nem um minuto, o cara arregalou os olhos e encarou a mulher, que se achava emocionadíssima. Amionoábio parecia tomado de uma entidade mediúnica. Tirou a camisa, a calça, a cueca e partiu na direção da mulher, que se achava toda encolhida, toda gatinha…

     Aminoábio passou por cima da esposa, saiu do quarto disparado e desceu pro térreo. A mulher saiu “voando” atrás do marido e o flagrou agarrado ao enorme negão, porteiro do edifício. Foi aí que ela deu pela coisa e exclamou desalentada:

     – Ai, meu Deus! O Mabinho calçou as sandálias trocadas!

 

 

Um relógio muito pontual

 

     Uma das promessas “importantes” de campanha do prefeito José Rubem Fonsêca de Lima foi aquela no sentido de que o ônibus que fazia a linha Tanque D'Arca/Maceió, sempre sairia pontualmente daquela importante cidade interiorana para a Capital, todos os dias às oito horas. Uma semana depois da posse, um eleitor ligou para o gabinete do alcáide, puto da vida:

      – Ô dotô Zé Rúbis, e a promessa qui o sinhô fêis de qui o ônibus ia saí, às oito hora, hem?

      E Zé Rubem, na cara de pau:

      – A promessa está sendo cumprida, meu amigo. Pode olhar para o relógio da rodoviária: ele vai continuar marcando oito horas até o ônibus sair!

 

 

Faltou o detalhe do esclarecimento!

 

     O jovem médico, recém-formado, foi trabalhar na zona rural. Ao cabo de três meses, reparou que lá não havia nenhuma mulher disponível: as mais bonitinhas e jeitosas, estavam todas casadas. Ao ganhar a confiança de um dos seus pacientes, o médico lhe perguntou o que os homens ali faziam quando tinham necessidade de sexo. O paciente respondeu que “todos iam pra beira do rio”.

    Quando chegou o final de semana, o doutor foi até perto do rio e encontrou uma fila enorme de homens. Como ganhara respeito da população, o pessoal começou a ceder os seus lugares, deixando o doutor passar na frente, até ocupar o primeiro lugar. Então, ele viu uma égua e pensou:

     “Ter que fazer sexo com um animal, pobre gente! Eu não posso me negar, agora que tão gentilmente cederam seus lugares”.

     O médico abaixou as calças e começou a fazer sexo com a égua. Dez minutos depois, enquanto continuava “mandando ver”, todos os homens continuavam olhando e esperando. Até que um matuto perguntou, com muito respeito:

     – Dotô, ainda farta munto? Precisamo da égua pra atravessá o rio. As puta tão isperando a gente do ôtro lado!