Ailton Villanova

1 de junho de 2016

Vingança malígna e cruel

     Mais de dois metros de altura, cabelos lisos e tórax musculoso, o cabocão Eutrópio Rosélio tinha a maior tara pela mulher do patrão, que era muito mais nova que o dito cujo. Além de bonita e possuidora de um corpo capaz de matar de inveja qualquer miss universo, a madame tratava o Eutrópio a “pão e água”, porque sabia do seu interesse por ela.

     Eutrópio era o capataz da fazenda onde a gostosura reinava. Todas as vezes que ele tentou conquistá-la, saiu-se mal. Um dia, já desesperado pelas reiteradas rejeições da patroa, ele chamou o amarelinho Jacó (espécie de secretário do fazendeiro e cabra de confiança da madame), e se abriu com ele:

     – Jacozinho, meu maior desejo é sugar aqueles lindos seios da patroa, até me fartar. Ai, meu Deus! Eu não aguento mais! Faça alguma coisa pra me ajudar, rapaz!

     O amarelinho pensou, pensou e respondeu:

     – Não tem jeito. Isso é muito perigoso! Deus me livre! Me tire dessa!

     Eutrópio não desistiu:

     – Olha, eu te dou mil cruzeiros novos!

     Os olhos do baixinho brilharam de cobiça:

     – Tá bom. Vou arrumar um jeito.

     Dia seguinte o amarelinho Jacó voltou ao capataz expôs sua idéia, que logo botou em ação. Enquanto madame, com aquele seu corpo e peitos lindos, tomava banho, ele entrou devagarinho no quarto e pegou o sutiã dela (que se achava sobre a cadeira), e esfregou pó de tamiarana na peça. Minutos depois que a balezura havia vestido o sutiã, começou a coceira, que aumentava de intensidade à medida que ele usava as unhas. O marido ficou preocupado e aí o Jacozinho chegou junto, com o pitaco na ponta da lingua:

     – Eu sei de um remédio infalível pra esse incômodo da patroa, mas acho que nem o senhor e nem ela vão topar…

     – Qual é o remédio? Diz logo, seu condenado! – alterou o patrão. 

     O baixinho, então, explicou que uma saliva muito especial resolveria o problema. Acrescentou que essa saliva, coincidentemene, só poderia ser encontrada na boca do capataz, pelo seguinte motivo: ele fumava cachimbo.

     O fazendeiro chamou o capartaz que por quatro horas sugou, lambeu e beijou os seios da patroa. Satisfeito, ele se encontrou com o amarelinho, que foi logo cobrando a grana prometida. Mas, o capataz foi sacana e covarde:

     – Vou pensar no seu caso direitinho. – respondeu com a cara mais cínica do mundo.

     – Quer dizer que não vai me pagar?

     – Acho que não! – aduziu o mau caráter.

     Jacozinho deu meia volta, já bolando um plano maquiavelíssimo de vingança.

     No dia seguinte, ele colocou pó de tamiarana na cueca do patrão que, imediatamente, mandou chamar o capartaz…

 

 

Ladrão muito cuidadoso

 

     Pegaram o malandro conhecido como Boca de Jumento em situação altamente comprometedora, dentro da residência do cidadão Eustáquio Baunílio, localizada em Mangabeiras. Aí, entregaram ele pra uma patrulhinha da PM, que tratou de conduzí-lo à Delegacia de Plantão.

     O tempo todo, o elemento, cinicamente, alegando inocência. Aquele papo furado que a polícia estava sendo injusta com ele, e coisa e tal.

     Então, o que os agentes fizeram com o safado? Botaram ele na frente do delegado Mário Pedro dos Santos, que o encarou e mandou:

     – Quer dizer que você continua negando que entrou naquela

casa pra roubar, hein?

     – Positivo, doutor.

     – Pra cima de mim com esse papo, rapaz! Você é ladrão!

     – Negativo, doutor.

     – Que negativo, que nada, seu descarado! Você foi flagrado descalço, sapatos nas mãos, dentro da casa, pé, ante pé… Não me diga que estava pagando promessa.

     – Não senhor, doutor. Apenas tirei o sapato para não incomodar as pessoas que estavam dormindo, entendeu?

 

 

Conversa fiada, papo cortado

 

     O relojoeiro Marcone da Hora, aproveitou o tempo livre para tomar uns birinaites na orla da Pajuçara. Foi até uma barraca, cujo proprietário era seu conhecido, pegou uma mesa, pediu uma cerveja, e quando começou a bebê-la, chegou um sujeito meio de porre.

     – O amigo permite que eu me sente à sua mesa? – perguntou ele ao Da Hora.

     – Fique à vontade. – respondeu o relojoeiro.

     O recém-chegado puxou ocupou uma cadeira e disse pro

garçom, cheio de esnobação:

     – Desce aqui um uísque 18 anos e um tiragosto de lagosta…

     Enquanto aguardava a chegada do que pediu, o cara começou a contar vantagens

     – Eu só gosto de tudo bom. Tenho grana pra gastar e não faço questão… Sou rico!

     – Parabéns! – disse o relojoeiro, de cara fechada.

     O gomeiro prosseguiu:

     – Olha, meu amigo, estou pensando seriamente em investir na importação de gado holandês, o que você acha?

     – É uma boa. Mas o problema é seu! – respondeu Marcone da Hora, já puto com o cara.

    – Disse-o bem, meu caro. O problema é meu, porque vou ter que mandar ampliar uma das minhas fazendas, onde já tem pra mais de mil seiscentos exemplares de cavalos puro-sangue.

    O barbeiro tomando a sua cervejinha e o sujeito tagarelando:

    – Esse minha fazenda, a que acabo de me referir, é um bocado grande, sabe? Pra percorrê-la gasto um tempo considerável. Pego a minha caminhoneta importada às cinco da manhã e só lá pras cinco da tarde chego no fim, acredita?

    Nesse ponto, Marcone da Hora resolveu calar de vez a boca do sujeito:

    – Acredito. Eu também tive uma porcaria de caminhoneta dessa. Vivia quebrando de palmo em palmo, pelo caminho.

    O conversador fechou a cara, levantou-se, pegou a garrafa de uísque e foi acabar de bebê-la no balcão.

 

 

Ou tudo ou nada

     Depois de gastar quase toda a mincharia que tinha no bolso,numa farra na Brejal, o popularíssimo Jotajó entendeu de fazer uma fezinha na loteria. Pegou os últimos 2 reais que havia sobrado bolso – que era para pagar apassagem do ônibus pro Benedito Bentes -,  e comprou um bilhete da Loteria Federal. E não é que o infeliz foi premiado!

     No dia em que foi na Caixa Econômica Federal para receber a grana, que não era lá essas coisas, o gerente Eduardo Agra, hoje gozando de merecida aposentadoria, e que é um tremendo gozador, resolveu tirar uma onda com a cara do ganhador:

     – Olha, meu amigo, esse prêmio excepcionalmente vai ser pago em dez suaves prestações mensais, porque a Caixa está enfrentando uns probleminhas financeiros. Está no regulamento.

     Jotajó, que é muito boçal e metido a brabo, reagiu cheio de bronca:

     – Isso é roubo! Eu quero é o meu dinheiro todo!

     E o Agra:

     – Não posso fazer nada, meu amigo. Regulamento é regulamento! Você não leu isso no Regulamento?

     – E eu quero saber de porra de regulamento. Ou vocês me dão os meus 1.000 reais todo de uma vez, ou me dão meu 2 reais de a volta!

 

 

Matutinha inocente

 

     Pela primeira vez, aquela mocinha ingênua do interior veio passar uns dias com a tia, na Capital. Andando pela rua, ela escutou a palavra “bilunga”. Sem saber o que significava, perguntou

para a tia:

     – O que é bilunga, tia?

     A tia disfarçou e respondeu:

     – Ah… é braço!

    Dia seguinte, ele foi com a tia ao shopping. Na volta, quase noite, elas escutaram um sujeito falar para uma prostituta, que fazia ponto na esquina:

    – Quanto tá a xoxotinha, minha nêga?

    E a garota:

    – Tia, o que significa xoxotinha?

    E a tia disfarçando de novo:

    – Ah… é o olho, filha…

    Mais tarde, quando a casa se achava cheia de gente – moças e rapazes da família e vizinhança -, a garota tentou pegar um copo no alto do armário, mas não alcançou. Então, ele falou para todos:

    – Quem tiver a bilunga maior, por favor, pegue aquele copo no  alto pra mim!

    Todo mundo caiu na risada e ela foi na onda e riu também.  Depois, completou: 

     – Puxa! Dei tanta risada, que fiquei com a xoxotinha cheia d'água!